Lucas Moura, o camisa 7 do São Paulo, está reassumindo seu papel de protagonista após um período desafiador. Autor de seu primeiro gol na temporada na recente vitória contra o Primavera, o meia concedeu uma entrevista exclusiva à ESPN, onde desabafou sobre os obstáculos enfrentados em sua carreira, a complexa relação com o técnico Hernán Crespo e a delicada situação política do clube, além de reiterar sua veemente crítica ao uso de gramados sintéticos.
A Dura Batalha Contra a Lesão no Joelho
O ano de 2023 foi, sem dúvida, o mais complicado na trajetória de Lucas Moura como jogador profissional. Uma lesão no joelho o afastou dos gramados por grande parte da temporada, marcando um período de frustrações e tentativas de retorno. “Feliz de estar de volta, depois de um ano muito difícil. Sem dúvida foi o mais desafiador da minha carreira, uma lesão no joelho que me tirou praticamente da temporada inteira”, revelou o jogador.
O processo de recuperação foi mais intrincado do que o esperado. Inicialmente, o diagnóstico não indicava gravidade, prevendo um afastamento de poucas semanas. Contudo, a dor persistente o forçou a parar novamente após oito semanas. “Fiquei oito semanas, voltei e estava me sentindo bem, mas na hora que eu tentava dar o arranque, sentia a dor, dava uma fisgada e mesmo assim eu fui forçando, achando que a dor ia sumir com o tempo e nada”, explicou. A decisão de realizar uma cirurgia veio após a constatação de que a dor não cessava. Mesmo após o procedimento, que visava limpar a área afetada, o problema persistiu, gerando um “trevo na cabeça” para o atleta e a equipe médica.
Agora, Lucas Moura celebra a ausência de dor e a retomada da confiança. “Graças a Deus é um novo ano e agora eu estou sem dor, consigo fazer as minhas jogadas, consigo dar o arranque. Já estou retomando a confiança depois de oito meses sem jogar, sem conseguir arrancar, sem conseguir fazer as minhas jogadas características”, afirmou, demonstrando otimismo para alcançar seu melhor nível jogo a jogo.
Relação com Crespo e a Busca por Espaço
Apesar de ter sido titular na última partida e crucial em jogos anteriores, como a assistência para Calleri contra o Santos, Lucas Moura ainda busca consolidar seu espaço no esquema de Hernán Crespo. O jogador, contudo, mantém a serenidade e foca no coletivo. “A gente não tem tanta conversa assim, as poucas conversas que a gente teve ele sempre comenta de paciência para eu estar bem, mas eu sou um cara com cabeça muito tranquila, eu estou aqui para ajudar o time”, destacou.
Com a ambição natural de ser titular, Lucas reitera que o bem do São Paulo é a prioridade. “Obviamente que eu quero jogar, obviamente que eu quero ser titular, mas eu estou aqui para ajudar o time. O principal é o time. E estou fazendo o meu melhor, estou me sentindo muito bem nos treinos, cada dia melhor, cada dia mais solto, mais confiante”, completou, evidenciando seu compromisso e dedicação.
A Crise Política e o Impacto no Elenco
O São Paulo viveu um janeiro turbulento, marcado por uma transição política que incluiu o afastamento do então presidente Julio Casares e a ascensão de Harry Massis ao cargo. Essa instabilidade nos bastidores gerou preocupação e dúvidas entre os jogadores. “Um momento muito delicado, muito triste da história do São Paulo. Eu fiquei muito chateado com toda essa situação, não imaginava vivenciar isso”, lamentou Lucas Moura.
Apesar de o elenco tentar se blindar, a repercussão da crise na imprensa afetava o ambiente. “Por mais que a gente fale ‘vamos entrar em campo, entregar o nosso melhor e tal, vamos esquecer tudo isso’, só se falava nisso na imprensa, então automaticamente acabava deixando a gente chateado”, explicou. Dúvidas sobre a liderança do clube pairavam no ar, impactando indiretamente o desempenho. O camisa 7 expressou a esperança de que a situação esteja resolvida e que o clube retome a estabilidade. “A gente espera que tenha resolvido isso, que tenha passado e que as coisas agora voltem para os eixos, que São Paulo volte a ser referência como foi há alguns anos.”
Nesse cenário, a figura de Rafinha, ex-capitão e agora gerente de futebol, tem sido fundamental para fazer a ponte entre o campo e a diretoria. Lucas vê a presença de Rafinha como um grande trunfo: “Ele é um cara que é muito ativo, motiva a gente no vestiário, fala com a gente. E acredito que ele vai fazer muito bem esse elo entre o jogador e a diretoria.” A experiência de Rafinha, que parou de jogar recentemente, permite-lhe compreender as nuances do clube e as necessidades dos atletas, contribuindo para uma melhor comunicação e gestão.
Lucas Moura Critica Duramente o Gramado Sintético: “Retrocesso Gigantesco”
Desde seu retorno ao São Paulo em 2023, Lucas Moura tem sido um dos mais vocais críticos ao gramado sintético, uma realidade presente em vários estádios brasileiros. Para ele, a proliferação desses campos representa um “retrocesso gigantesco” para o futebol nacional. “Sou totalmente contra o sintético. Acho um retrocesso gigantesco no nosso futebol, que é tão rico em tantos aspectos”, declarou.
O jogador explicou sua ausência no jogo contra o Palmeiras, disputado em campo sintético. Após oito meses sem jogar e uma sequência de três partidas como titular, a decisão foi estratégica para evitar riscos. “Até para esse controle, para a gente não correr risco, e por ser o sintético também, a gente optou por eu ficar de fora”, detalhou. Sua posição é clara: o gramado sintético não deveria ser uma opção. “Eu acho que tinha que ser totalmente banido. Sei que tem muitos gramados naturais que são ruins, mas o sintético não tem que ser opção. Tem um gramado ruim? Vamos trabalhar para fazer um gramado bom. Não tem que tapar o sol com a peneira.”
Questionado se se recusaria a jogar em gramados artificiais, Lucas foi sincero. Embora prefira não atuar nessas condições, ele reconhece que a necessidade do time em momentos decisivos pode fazê-lo reconsiderar. “Se eu puder escolher, eu prefiro não jogar. Mas, obviamente, dependendo da situação do time, dependendo do jogo… joguei ano passado contra o Palmeiras, inclusive foi lá que eu machuquei o meu joelho, na semifinal do Campeonato Paulista”, lembrou. A decisão dependerá do momento e de sua condição física, priorizando a saúde para evitar novas lesões que possam comprometer uma temporada inteira. “Eu tenho certeza que 99% dos jogadores são contra. E eu acho que é um grande retrocesso no nosso futebol”, concluiu o atleta, reforçando sua convicção.
Com a recuperação em curso e a estabilidade política almejada, o São Paulo busca manter a boa fase nos próximos confrontos. O time enfrentará o Grêmio em casa no dia 11/02, a Ponte Preta fora em 15/02 e o Coritiba também fora em 26/02, todos os jogos pelo Campeonato Brasileiro e Paulista.

