Lucas Paquetá está de volta ao Rio de Janeiro, e mais perto de sua essência do que nunca. O jogador, recém-chegado ao Flamengo como o reforço mais caro da história do clube, tem suas raízes fincadas na Ilha de Paquetá, um lugar que carrega em seu próprio nome e que o viu crescer. A ilha, com menos de 4 mil habitantes e a cerca de uma hora de barca do centro da cidade, é um refúgio de tranquilidade e memórias para o meia.
Origens Simples e Sonhos na Ilha
Na infância, Lucas não apenas brincava pelas ruas de terra de Paquetá, mas também se aventurava a guiar turistas, uma forma de ganhar um dinheiro extra para comprar brinquedos. Lugares como a Pedra da Moreninha e o Cemitério de Passarinhos, que ele conhecia intimamente, tornaram-se cenários de suas primeiras experiências. Moradores locais, como o guia Beto Alves, relembram com carinho a infância do craque: “Ele conhecia muito bem a ilha”, afirma Alves, destacando como o nome de Paquetá no futebol ajuda a divulgar o local.
A Trajetória e o Apoio Familiar
A jornada de Lucas para o futebol profissional foi marcada por disciplina e o apoio incondicional de sua família. Nascido na ilha em 1997, Lucas Tolentino Coelho de Lima logo ganhou o apelido que o consagraria. O trajeto diário de barca, muitas vezes acompanhado pelo avô Altamiro (Seu Mirão), para chegar aos treinos no Flamengo, em horários distintos dos do irmão Matheus, demonstrava a dedicação precoce do jogador. A saudosa figura do avô, que o incentivou desde os primeiros chutes no campo do Municipal, clube onde Lucas deu seus primeiros passos, é lembrada com emoção.
Um Retorno com Propósito
A volta de Paquetá ao Flamengo, após uma passagem pela Europa e um período turbulento marcado por investigações de apostas que o absolveram, é vista como um resgate pessoal e profissional. “Talvez o Flamengo não precisasse de mim, mas eu precisava do Flamengo”, declarou o jogador ao retornar, evidenciando a necessidade de reencontrar a alegria de jogar em um ambiente familiar. A expectativa é de que ele reestreie no Maracanã contra o Inter, em um reencontro com a torcida rubro-negra.
Paquetá: Um Ícone para a Ilha
A Ilha de Paquetá celebra o retorno de um de seus filhos mais ilustres. O jogador, que deixou a ilha aos 11 anos para se aproximar dos centros de treinamento, hoje é um símbolo de perseverança e orgulho para os moradores. A casa onde cresceu, a rua Adelaíde Alambari, e até a escola onde aprendeu a ler e escrever, ainda guardam as memórias de um menino que, com a ajuda de sua família e a força de suas origens, conquistou o mundo e agora retorna para casa, a menos de uma hora de distância de seu lar.

