A tarefa de contratar um novo técnico para o Manchester United se tornou um desafio quase impossível. Pela sétima vez desde a saída de Alex Ferguson em maio de 2013, o clube está à caça de um novo treinador, após a recente demissão de Ruben Amorim. A diretoria de Old Trafford sabe que, desta vez, não pode errar.
O United busca um nome com a experiência, o histórico vitorioso, as credenciais na Premier League e, crucialmente, a personalidade necessária para que comandar o clube seja um privilégio, e não um fardo. Enquanto nomes como Thomas Tuchel, Mauricio Pochettino e Carlo Ancelotti são especulados para um futuro próximo, e Oliver Glasner, Kieran McKenna ou Gareth Southgate para uma aposta imediata, a lição dos erros passados é clara: o novo técnico precisa estar preparado para a pressão, o futebol empolgante e, acima de tudo, a vitória.
O Ciclo Vicioso Pós-Ferguson: Personalidades e Inadaptabilidade
Fontes próximas ao clube revelaram à ESPN que cada um dos técnicos contratados após Ferguson possuía algum tipo de “defeito de personalidade”: eram cautelosos, inflexíveis, combativos demais ou simplesmente não estavam à altura do cargo. Ruben Amorim, contratado do Sporting em novembro de 2024 (nota do editor: a data fornecida pela fonte, nov/2024, parece ser um erro, considerando o contexto de demissão já ocorrida. Será tratado como um evento pretérito recente para a coerência da narrativa), era a estrela em ascensão no futebol europeu. Com carisma e um histórico de dois títulos nacionais quebrando a hegemonia de Benfica e Porto, ele parecia a aposta perfeita.
No entanto, apesar de todas as credenciais, Amorim rapidamente demonstrou despreparo para a função. Fontes o descreveram como “muito teimoso e imaturo”, incapaz de lidar com as exigências do cargo. Mesmo prometendo flexibilidade e aprimoramento de sua formação 3-4-3, recusou-se a ser mais pragmático até que fosse tarde demais. Após apenas 14 meses, a “próxima grande promessa” seguiu o mesmo caminho de seus antecessores pós-Ferguson.
A ‘Casca’ que Faltou: Pressão e Críticas Externas
A observação de uma fonte de que o United é um “clube extrovertido gerido por introvertidos” é bastante pertinente. Amorim e Erik ten Hag, por exemplo, tiveram dificuldades com o peso do cargo, irritando-se repetidamente com as críticas e o “barulho” gerado por lendas do clube como Gary Neville, Paul Scholes e Roy Keane, hoje comentaristas de TV. Ole Gunnar Solskjaer, embora menos suscetível a críticas, carecia da presença e personalidade de um técnico de ponta.
David Moyes, o sucessor escolhido a dedo por Ferguson, durou apenas 10 meses, sendo hipersensível às críticas e inibido demais pela grandiosidade de seu cargo. Louis van Gaal, por sua vez, estabilizou o time, mas, tal qual Amorim, perdeu a confiança de todos ao se apegar excessivamente a um estilo de jogo que não trazia resultados.
Mourinho e o Dilema da Liderança
José Mourinho foi o único a chegar com as credenciais necessárias para comandar o United. Contratado para substituir Van Gaal, o “Special One” infelizmente já não era mais tão especial quando pisou em Old Trafford. Fontes revelaram que figuras importantes do clube haviam recomendado Mauricio Pochettino em 2016, mas os proprietários Glazer optaram por Mourinho devido ao seu histórico e personalidade – uma decisão que muitos hoje consideram ter sido “cinco anos tarde demais”.
A Encruzilhada e a Busca Pelo Líder Ideal
A decisão sobre o próximo técnico envolverá Joel Glazer, Sir Jim Ratcliffe, o CEO Omar Berrada e o diretor de futebol Jason Wilcox. A grande questão é se buscarão um treinador que trabalhe em conjunto com o diretor de futebol ou um “manager” com autoridade total sobre a equipe e o clube. Alex Ferguson costumava dizer que a maior personalidade em qualquer clube deveria ser a do treinador, e isso é ainda mais verdadeiro no United.
O Manchester United precisa, agora mais do que nunca, de alguém com o ego e as credenciais para lidar com a pressão avassaladora, as expectativas dos ex-jogadores e a exigência constante por resultados e um futebol vistoso. Ninguém conseguiu preencher esse vácuo desde Ferguson. Chegou a hora de essa realidade mudar.

