Ministério Público Aprofunda Investigação no Corinthians e Foco Recai Sobre Liberação de Verbas a Ex-Funcionário
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu um novo capítulo nas investigações sobre a gestão do Corinthians, voltando suas atenções para a liberação de expressivos R$ 1.278.798,10 dos cofres do clube. A apuração, conduzida pelo promotor Cássio Conserino, sugere que esses recursos foram disponibilizados sem a devida documentação comprobatória, durante o período em que Duílio Monteiro Alves esteve à frente da presidência do clube, compreendido entre janeiro de 2021 e dezembro de 2023.
O cerne da nova frente de investigação reside em solicitações de adiantamento de despesas feitas por Denilson Grillo, conhecido como Carioca, que desempenhava a função de motorista particular de Duílio. Esses pagamentos, que somam mais de 1,2 milhão de reais, teriam ocorrido sem a apresentação de notas fiscais ou qualquer outro comprovante que justificasse a aplicação dos valores.
Diretoria Financeira Sob Suspeita
De acordo com o despacho do promotor, a ausência de documentação comprobatória levanta sérias dúvidas sobre a transparência e a legalidade das transações. A investigação aponta para a suposta concordância da Diretoria Financeira do clube na liberação desses montantes, o que amplia o escopo da apuração para além do ex-presidente.
Diante desse cenário, o promotor Cássio Conserino já tomou as primeiras medidas, intimando o ex-diretor financeiro Wesley Melo e o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli para prestarem depoimento. A oitiva está marcada para o dia 18 de março, em um esforço para esclarecer os procedimentos adotados na época. As informações sobre as intimações foram inicialmente divulgadas pelo portal UOL e confirmadas pela reportagem.
Requisito de Informações e Busca por Transparência
Em paralelo, o MP-SP requisitou ao Corinthians que apresente informações detalhadas sobre os cargos ocupados por Denilson Grillo dentro da instituição, incluindo os respectivos períodos de atuação e os valores salariais recebidos. Essa medida visa mapear a relação formal do ex-motorista com o clube e entender a extensão de sua influência nas liberações financeiras.
Até o momento da publicação desta matéria, nem Duílio Monteiro Alves, nem Wesley Melo, Roberto Gavioli ou Denilson Grillo haviam se manifestado sobre as acusações. O texto será atualizado caso as partes entrem em contato ou apresentem suas versões dos fatos.
Indícios de Notas Fiscais Frias e Gastos Pessoais
O promotor não parou por aí. No mesmo despacho que formaliza a investigação sobre os adiantamentos, dois empresários foram incluídos no inquérito. A inclusão se dá em virtude de indícios de que estes teriam apresentado notas fiscais falsas ou superfaturadas para justificar despesas irregulares realizadas no clube. A expectativa é que eles também sejam intimados a depor.
Essa nova vertente da investigação se soma a outras apurações que já colocaram sob escrutínio os gastos durante a gestão de Duílio. Anteriormente, reportagem revelou que o Corinthians havia arcado com despesas de produtos e serviços destinados ao uso pessoal do ex-presidente. A lista incluía itens como cerveja, cigarros e medicamentos para disfunção erétil, levantando questionamentos sobre a destinação de recursos do clube.
Os gastos com fins pessoais foram documentados em um relatório de despesas e declaração do próprio Corinthians, com recibos datados entre setembro e outubro de 2023. Curiosamente, o documento que embasou essa revelação era assinado por Denilson, o ex-motorista de Duílio. Na ocasião, ele negou reconhecer o relatório e sua própria assinatura. No entanto, a reportagem conseguiu verificar a mesma assinatura em um documento apresentado por Denilson à Junta Comercial de São Paulo, fortalecendo a linha de investigação.
Contexto das Investigações no Parque São Jorge
As investigações do Ministério Público sobre as administrações passadas do Corinthians não são novidade. Anteriormente, a atuação de ex-presidentes já gerou desdobramentos, com denúncias formais à Justiça. Um exemplo notório é o caso de Andrés Sanchez, que enfrenta acusações de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e crimes tributários, demonstrando um histórico de escrutínio sobre a gestão financeira do clube.
O Parque São Jorge, sede social do Corinthians, tem sido palco de intensas apurações. A atual investigação sobre a liberação de mais de R$ 1,2 milhão a pedido do ex-motorista de Duílio Monteiro Alves representa um novo desafio para a diretoria atual e um sinal claro de que o Ministério Público está determinado a garantir a lisura na aplicação dos recursos do clube.
A expectativa é que os depoimentos e a análise de documentos revelem detalhes cruciais sobre as operações financeiras em questão, buscando trazer mais transparência e responsabilização para as práticas dentro do Corinthians. A comunidade corintiana acompanha atentamente os desdobramentos, esperando que a justiça prevaleça e que medidas efetivas sejam tomadas para evitar futuras irregularidades.

