Investigação sobre a Arandu (antiga Reag)
O Ministério Público de São Paulo solicitou à Polícia Federal (PF) a instauração de um inquérito policial para investigar a empresa Arandu, anteriormente conhecida como Reag, que atualmente gerencia o fundo financeiro destinado à administração da dívida da Neo Química Arena, estádio do Corinthians. A requisição foi enviada nesta terça-feira (data específica pode ser adicionada se disponível) pelo promotor Cássio Conserino, que já conduz investigações sobre ex-presidentes do clube.
Ligações com fraudes e a facção PCC
O pedido do MP à PF baseia-se no fato de que a Reag é alvo da operação “Carbono Oculto”, que apura supostas fraudes, crimes financeiros e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, com indícios de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Além disso, a empresa, que se autodefine como a maior gestora financeira independente do Brasil, também figura em apurações do Banco Central sobre irregularidades envolvendo o Banco Master. Nestes casos, a Reag teria tido fundos administrados por ela utilizados em esquemas fraudulentos.
Contratação e dívida do estádio
A Reag assumiu a gestão do fundo responsável pela dívida do Corinthians com a Caixa Econômica Federal, oriunda da construção da Neo Química Arena, em 2022. A renegociação que levou à contratação da empresa foi assinada pelo ex-presidente Duílio Monteiro Alves. Atualmente, o clube acumula uma dívida de R$ 655 milhões referente ao financiamento do estádio, integrando um endividamento total do Corinthians que soma R$ 2,7 bilhões.
Justificativa para a investigação federal
Em seu ofício à PF, o promotor Conserino argumenta que a concentração de vultosos fluxos financeiros em um fundo gerido por uma empresa sob investigação criminal configura um indício suficiente e justa causa para uma apuração formal. O objetivo é verificar a eventual utilização da estrutura financeira como ferramenta para ocultação, dissimulação de origem ou integração de valores ilícitos ao sistema econômico. O promotor ressalta que os fatos são graves e podem representar um risco financeiro sistêmico, focando a investigação em fluxos financeiros, governança do fundo e possível infiltração criminosa, sem se intrometer na gestão esportiva ou administrativa do clube. A solicitação à PF se justifica pela participação da Caixa Econômica Federal, instituição federal que utiliza recursos públicos, e pela potencial repercussão interestadual e transnacional das operações financeiras em questão.

