Um Palco de Memórias e Reinvenção
O Estádio Proletário Guilherme da Silveira, em Moça Bonita, Zona Oeste do Rio de Janeiro, pulsou com mais de sete mil pessoas em uma tarde e noite que misturaram a paixão pelo futebol com a rica cultura local. Em um reencontro aguardado mais de 20 anos depois, o Bangu recebeu o poderoso Flamengo e, em um déjà vu de 2002, venceu pelo placar de 2 a 1. A atmosfera nostálgica era palpável, com elementos como a cadeira na calçada, o cachorro no portão e as cores alvirrubras do Bangu se misturando ao rubro-negro do ônibus do time visitante. A festa, porém, não se limitou ao campo, com a presença de carrinhos de doces e empadas dentro do estádio, contrastando com a modernização de camarotes e bares, e a substituição do placar manual por um telão de LED.
Gols, Golaços e Celebridades em Campo e Fora Dele
A partida em si foi um espetáculo à parte. O atacante PK abriu o placar para o Bangu, e o haitiano Garrinsha selou a vitória com um golaço que levantou a torcida. A comemoração efusiva de Garrinsha ao sair de campo foi um dos momentos altos, celebrada pelos torcedores banguenses. A temperatura alta, beirando os 40 graus, não diminuiu o ânimo, nem mesmo com a chuva fina que caiu durante parte do jogo. A presença de celebridades como David Brazil, que saiu do conforto dos camarotes para vibrar nas cadeiras sociais e até arriscar como locutor, adicionou brilho à noite. A homenagem a Arthurzinho, o Rei Arthur, um ícone da história do clube, e a presença de autoridades, como o cantor Paulinho Mocidade e o ex-jogador Macula, reforçaram o significado do evento.
Raízes e Futuro: A Gestão do Bangu
Apesar de ter caído para a segunda divisão carioca no ano passado, o Bangu demonstrou resiliência ao retornar à elite após vencer o Carioca A2 em setembro. A gestão do clube, liderada pelo presidente Jorge Varela e sua sobrinha Luciana Lopes, advogada e filha do presidente da Ferj, Rubens Lopes, tem promovido mudanças administrativas significativas. Com o apoio do marido de Luciana, Eduardo Allax, ex-goleiro do clube e hoje responsável pela gestão do futebol, o Bangu busca reconquistar seu espaço. A presença de sua tia, Luciana Lopes, filha de Rubens Lopes, presidente da Ferj e ex-presidente do Bangu nos anos 1990, no comando, simboliza a continuidade e a renovação na diretoria.
A Festa Começa na Praça e Invade o Estádio
A celebração no bairro de Moça Bonita começou cedo. A Praça Guilherme da Silveira foi tomada por um movimento intenso, com muitas crianças vestindo a camisa do Bangu, criando um fenômeno raro de mais baixinhos alvirrubros do que rubro-negros na entrada das equipes. A atmosfera festiva, embora tenha gerado alguma correria e necessidade de intervenção policial nos arredores ao final do jogo, foi, em sua maior parte, pacífica e emocionante, consolidando a importância do futebol como elemento de união e celebração cultural na comunidade.

