Trégua Olímpica: um chamado à paz em tempos de guerra
Na iminência da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Comitê Olímpico Internacional (COI) lançaram um apelo global por uma pausa de 52 dias em todos os conflitos armados. A iniciativa, batizada de Trégua de Milão-Cortina, visa garantir a passagem segura e a participação pacífica de atletas e dirigentes, ecoando um ideal de fraternidade e diálogo que remonta à Grécia Antiga.
O esporte como instrumento de união e diálogo
O presidente da Itália, Sergio Mattarella, em sua intervenção na 145ª sessão do COI, realizada no Teatro alla Scala, em Milão, ressaltou o papel fundamental do esporte como catalisador de paz e união entre os povos. “O esporte é um encontro de paz. Ele testemunha a fraternidade na justiça das competições com os outros. É o oposto de um mundo em que prevalecem as barreiras e a incomunicabilidade”, declarou Mattarella, enfatizando a capacidade do esporte de transcender diferenças e promover a compreensão mútua.
Um pedido com pouca adesão histórica
Apesar do apelo e da tradição secular, a Trégua Olímpica tem enfrentado desafios em sua efetivação. Até o momento, nenhum país envolvido em conflitos declarou publicamente sua intenção de respeitar a pausa proposta. A presidente do COI, Kirsty Coventry, expressou a importância dos Jogos como um “espaço raro em que as pessoas se encontram não como adversárias, mas como seres humanos”, em um cenário global marcado por sofrimento e divisões.
A Trégua Olímpica: um legado histórico resgatado
A Trégua Olímpica tem suas raízes na Grécia Antiga, onde reis firmavam acordos para assegurar a livre circulação de atletas e espectadores durante os Jogos. Essa prática, documentada em fontes históricas, foi resgatada nos anos 1990, durante a Guerra da Bósnia, e continua a ser um símbolo de esperança por um mundo mais pacífico, mesmo diante das complexidades geopolíticas atuais. A pausa de 52 dias abrange o período dos Jogos de Inverno (6 a 22 de fevereiro) e das Paralimpíadas (6 a 15 de março), incluindo uma semana anterior e uma posterior a cada evento.

