Um ano após sua reabertura, o complexo do Pacaembu enfrenta o desafio de se consolidar como um palco relevante, especialmente para o futebol profissional, e evitar o destino de um “elefante branco”. Em 2025, o local sediou 146 eventos, mas apenas 9 foram partidas de futebol profissional. A maior parte das atividades (75,4%) não teve ligação com o esporte, incluindo shows e ativações de marca, que ajudaram a gerar um faturamento de R$ 104 milhões.
Meta de Faturamento e Custos Operacionais
A gestora do Pacaembu, Allegra, projeta um retorno sobre o investimento em cerca de 12 anos. Para cobrir os custos operacionais, como equipe, energia e seguros, o complexo necessita de um faturamento anual de R$ 150 milhões. A expectativa é atingir essa meta em 2026. No ano passado, o Pacaembu precisou arcar com cerca de R$ 80 milhões em juros do financiamento da obra, R$ 40 milhões em custos de operação e manutenção, além da outorga de 2% do faturamento para a prefeitura.
Desafios com o Gramado Sintético e Alternativas
A ausência de Santos e São Paulo como mandantes em 2025 impactou a agenda esportiva do estádio. Protestos de jogadores como Neymar e Lucas contra o gramado sintético também afastaram clubes. Diante disso, a administração do Pacaembu estuda alternativas, incluindo a possibilidade de instalar grama natural, semelhante ao modelo adotado na Copa América, ou a troca do gramado artificial ao fim de sua vida útil, caso haja demanda suficiente. A troca para grama natural representaria um investimento de R$ 2 milhões, com custos mensais de manutenção entre R$ 150 mil e R$ 200 mil.
Diversificação de Eventos e Parcerias Estratégicas
Apesar de o futebol profissional não ter tido a adesão esperada, o Pacaembu tem buscado diversificar sua agenda. Termos de cooperação com confederações de skate, desportos aquáticos e atletismo visam atrair novas competições, com a meta de ultrapassar 200 eventos em 2026. Shows, que geram receita significativamente maior (R$ 1,25 milhão por evento) em comparação aos jogos de futebol (R$ 250 mil), continuam sendo uma fonte importante de faturamento. A Portuguesa foi um dos clubes que mais utilizou o estádio em 2025, mas apontou o custo mais elevado em comparação ao seu estádio, o Canindé.
Obras e Entregas Pendentes
O complexo do Pacaembu está em constante desenvolvimento. A maior parte da estrutura já está em funcionamento, incluindo o estádio, centro de tênis, piscina, ginásio e alguns estabelecimentos comerciais. Em 2026, um café e uma academia serão inaugurados. O edifício multiuso, onde ficava o tobogã, tem seus blocos central e oeste finalizados, mas a entrega interna depende de parceiros. O bloco leste ainda está em obras, com atrasos devido à necessidade de reforço estrutural para abrigar o centro de medicina e reabilitação esportiva, que deve ser o último a ser entregue. Uma obra emergencial foi realizada para solucionar problemas de alagamento no campo, com a troca de tubulações e a implementação de um sistema de monitoramento por robô.
Dívidas e Regularização de Pagamentos
Em dezembro, o complexo enfrentava uma dívida de R$ 17 milhões com 94 fornecedores. Em janeiro, esse número caiu para R$ 13,9 milhões, com 12 pagamentos já autorizados para cancelamento. A gestora explicou que uma auditoria interna identificou divergências que levaram à interrupção de pagamentos, mas que o processo de regularização está em andamento após os devidos esclarecimentos.

