Paysandu Navega por Águas Turbulentas: Clube Papão Busca Recuperação Judicial para Equacionar Dívidas
Em um movimento estratégico para reestruturar suas finanças e garantir a sustentabilidade a longo prazo, o Paysandu Sport Club anunciou oficialmente a entrada com um pedido de recuperação judicial. A decisão, que visa renegociar um passivo estimado em pouco mais de R$ 16 milhões, foi deferida pelo Tribunal de Justiça do Pará na última sexta-feira, 20 de junho de 2026.
O presidente do clube, Márcio Tuma, acompanhado pelo diretor jurídico, Bruno Castro, e por Ícaro Sereni, do departamento de futebol, concedeu uma coletiva de imprensa na tarde deste sábado para detalhar os passos tomados pela diretoria. Tuma ressaltou que a ação estava planejada e foi antecipada em 30 dias, demonstrando agilidade na gestão.
Um Caminho Comum no Futebol Brasileiro
Márcio Tuma enfatizou que a recuperação judicial não é um território inexplorado no universo do futebol brasileiro. “Desde que assumi a presidência, trabalhei intensamente com os setores financeiro e jurídico em busca de soluções que não prejudicassem os custos atuais e futuros do clube. Verificamos que, a exemplo de muitos outros clubes que optaram pela recuperação judicial, esta é uma prática comum e que já apresentou diversos exemplos de sucesso. Temos casos notórios como Cruzeiro, Chapecoense, Coritiba e tantos outros que conseguiram superar suas crises financeiras por meio deste instrumento”, declarou Tuma.
A intenção de buscar mecanismos para mitigar o endividamento do clube já havia sido sinalizada por Márcio Tuma logo em sua segunda coletiva após assumir a presidência, em dezembro de 2026, sucedendo Roger Aguilera. Na ocasião, Tuma se comprometeu com a apresentação de um plano de quitação de débitos em até 90 dias.
“Em até 90 dias, apresentaremos um plano para solucionar os débitos da melhor maneira possível, buscando o equacionamento desse passivo. Este é um compromisso firmado não apenas por mim, mas por toda a diretoria”, reafirmou o presidente.
Expertise Jurídica para Superar Desafios
Para conduzir este complexo processo, o Paysandu optou por contratar um escritório de advocacia com vasta experiência em recuperações judiciais de clubes de futebol. A escolha recaiu sobre os advogados Felipe Lollato e Francisco Rangel Effting, profissionais que já atuaram em casos de sucesso, como os do Coritiba e da Chapecoense.
“Nós optamos por buscar um escritório especializado neste tipo de processo. É um escritório que patrocinou a Chapecoense e o Coritiba em suas recuperações judiciais. Trazemos esses profissionais de comprovada competência para prestar serviços ao Paysandu, e os resultados já começaram a aparecer”, explicou Tuma.
A Chapecoense, por exemplo, iniciou seu processo de recuperação judicial entre o final de 2021 e o início de 2022, concluindo-o com êxito no segundo semestre do ano passado. O Coritiba também segue em processo, com acompanhamento dos mesmos advogados escolhidos pelo Paysandu.
Próximos Passos e o Futuro do Papão
Com o pedido deferido, o Paysandu tem agora um prazo de 60 dias para apresentar seu plano detalhado de recuperação. Este plano deverá contemplar as estratégias para a quitação dos R$ 16.762.086,24 em dívidas, dos quais aproximadamente R$ 5 milhões se referem a obrigações trabalhistas, um dos focos principais da reestruturação.
A recuperação judicial é um instrumento legal que permite às empresas em dificuldades financeiras negociar seus débitos com credores, sob supervisão judicial, buscando um caminho para a sobrevivência e a retomada da saúde financeira. Para o Paysandu, este é um passo crucial para garantir que o clube possa continuar a competir e a encantar seus torcedores, com as finanças em ordem.
A expectativa é que, com a aprovação do plano e a renegociação das dívidas, o clube possa liberar recursos antes comprometidos e investir em sua estrutura, categorias de base e, é claro, na equipe profissional, visando conquistas futuras e a consolidação de sua trajetória no futebol brasileiro.

