Buenos Aires – O cenário do futebol argentino foi abalado nesta quinta-feira (15 de maio de 2026), com o anúncio oficial do River Plate de sua retirada das reuniões do Comitê Executivo da Associação Argentina de Futebol (AFA). A medida marca um rompimento explícito do clube com a entidade máxima do futebol do país, motivada por uma série de decisões recentes que contrariam os interesses e a visão do tradicional clube de Núñez, culminando na alteração das regras de classificação para as competições continentais.
O Estopim: Vagas para Libertadores e Sul-Americana em Xeque
A gota d’água para o River Plate parece ter sido a aprovação de uma nova fórmula para determinar os representantes argentinos na Copa Libertadores da América e na Copa Sul-Americana. Segundo informações veiculadas pela imprensa local, como os jornais Clarín e Olé, a diretoria do clube considera que as discussões e decisões tomadas no âmbito da AFA carecem de transparência e previsibilidade.
A nova regra, ainda em debate e sujeita a possíveis reversões pelo próprio comitê executivo da Liga Profissional, propõe que o terceiro colocado no campeonato nacional avance diretamente para a Copa Sul-Americana. Em contrapartida, o nono colocado disputaria os playoffs de acesso à Libertadores. Essa mudança, prevista para a temporada de 2027, gerou forte insatisfação no River, que historicamente busca garantir suas vagas através de campanhas sólidas e resultados diretos.
O clube, em nota oficial divulgada à imprensa, expressou seu descontentamento com a dinâmica de funcionamento do comitê. “Nossa instituição considera que as discussões sobre o futuro do futebol argentino devem se dar mediante procedimentos claros e previsíveis: com os temas incorporados na ordem do dia com sua devida antecipação e submetidos a votação dos membros correspondentes”, declarou o River em trecho da comunicação.
A nota prossegue, destacando a divergência de princípios: “Em reiteradas ocasiões, a dinâmica de funcionamento observada não refletiu esses mecanismos, resultando em processos menos claros que aqueles aos quais o River Plate está acostumado”. A declaração evidencia a busca do clube por um ambiente de governança mais estruturado e participativo.
Um Histórico de Descontentamento
A insatisfação do River Plate com a atual gestão da AFA não é um fenômeno recente. A alteração nas regras de classificação para as copas sul-americanas foi apenas o último capítulo de uma série de decisões que desagradaram o clube. Fontes indicam que o River se opôs a outras medidas tomadas pelo comitê, como a greve que chegou a ser cogitada por alguns clubes em resposta a investigações envolvendo o presidente da AFA, Chiqui Tapia.
Outro ponto de discórdia mencionado pelo diário Olé foi a outorga do título de 2026 ao Rosario Central, uma decisão que o River também questiona. Essas divergências indicam um conflito de visões sobre a gestão e o rumo do futebol argentino.
Além disso, o River Plate tem defendido abertamente pautas contrárias às que vêm sendo implementadas na AFA. Um exemplo claro é a defesa pela redução do número de clubes na primeira divisão, atualmente fixado em 30 equipes, um número considerado excessivo pela diretoria millonaria.
Apoio e Expectativas de Novas Adesões
A decisão unilateral do River Plate de se distanciar da AFA pode não ser solitária. Segundo o jornal Clarín, há uma expectativa crescente de que outros clubes manifestem apoio à posição do River. O Estudiantes de La Plata é apontado como um dos principais opositores da atual gestão da AFA, tendo inclusive se ausentado de diversas reuniões do comitê executivo.
O Racing Club também é citado como uma possível próxima agremiação a se manifestar publicamente em concordância com o River. Essa onda de dissidência pode sinalizar um enfraquecimento da base de apoio da atual administração da AFA e abrir caminho para um debate mais amplo sobre a governança do futebol argentino.
O Contexto da Mudança nas Regras da Libertadores
A proposta que alterou a forma de acesso à Libertadores e Sul-Americana foi apresentada e aprovada no comitê executivo da Liga Profissional. A intenção é que a AFA ajuste seus regulamentos para acomodar a nova fórmula, que, apesar de criticada, não encontraria veto da entidade, desde que a Liga Profissional a formalize.
Atualmente, o terceiro colocado na classificação geral garante uma vaga na segunda fase da Pré-Libertadores, necessitando superar duas fases eliminatórias para alcançar a fase de grupos do torneio. Com a mudança proposta, essa trajetória seria alterada, com a vaga direta na Sul-Americana e a disputa por playoffs para a principal competição continental.
A repercussão negativa na Argentina é notável, e a possibilidade de o próprio comitê reconsiderar a decisão não está descartada. O River Plate, ao se retirar, demonstra sua intransigência em aceitar medidas que considera prejudiciais ao mérito esportivo e à organização do futebol.
O Futuro Incerto da Relação River-AFA
A ruptura entre o River Plate e a AFA abre um capítulo de incertezas. O clube, com sua expressiva força política e midiática, pode influenciar outros clubes a seguir o mesmo caminho, pressionando por mudanças significativas na gestão da entidade. A comunidade do futebol argentino acompanha atentamente os próximos passos, na expectativa de uma resolução que traga estabilidade e profissionalismo ao esporte.
A saída do River do comitê executivo é um sinal claro de que o clube não está disposto a compactuar com decisões que, em sua visão, desvirtuam os princípios do futebol. A busca por transparência e previsibilidade, conforme declarado pelo clube, pode ser o mote para uma reestruturação necessária no futebol argentino.

