Romero se considera ídolo e exalta marcas no Corinthians
Após oito anos e uma trajetória repleta de altos e baixos, Ángel Romero avalia sua passagem pelo Corinthians e, embora relute em aceitar o rótulo de ídolo, reconhece que suas estatísticas o credenciam para tal. O atacante paraguaio, que se tornou o estrangeiro com mais jogos e gols na história do clube, citou os 377 jogos, 67 gols e seis títulos conquistados como provas de sua identificação. “As marcas que eu tenho dentro do Corinthians falam que sim. Muitos jogos, gols, títulos, identificação com a torcida, isso eu chamo de ídolo. Eu tenho tudo”, afirmou Romero em entrevista ao ge.
Ele deixou a decisão final para a torcida, mas ressaltou seu empenho: “Eu, Romero, fiz tudo o que pude para virar (ídolo)”.
O inusitado “poropopó” em reunião com a diretoria
Romero também compartilhou um episódio curioso que ilustra a paixão e as peculiaridades do ambiente corintiano. Durante uma reunião com o presidente Osmar Stabile para discutir a premiação da Copa do Brasil, integrantes de uma torcida organizada e os jogadores iniciaram o tradicional canto “poropopó” em meio à conversa. O momento foi tão espontâneo que até o presidente se envolveu, chegando a ter seus óculos e boné retirados.
“Imagina… Muitas coisas malucas acontecem dentro do clube”, comentou Romero, sorrindo ao relembrar o momento. “Só no Corinthians acontecem essas coisas. Essas coisas tão malucas de poder brincar assim ou viver momentos inusitados, coisas estranhas.”
Saída por falta de confiança e o papel de liderança
O atacante admitiu que sua saída do Corinthians era esperada, especialmente nos últimos meses de 2023, quando percebeu a perda de espaço no elenco. Ele acredita que a falta de confiança do técnico Dorival Júnior foi um fator crucial para sua diminuição de minutagem. “Quando o Dorival chegou, eu perdi essa confiança. Você muda, passa de um jogador importante a não ser um jogador de substituição imediata”, explicou.
Apesar de não ser mais uma opção imediata, Romero manteve seu papel de liderança no vestiário, discursando antes, durante e depois das partidas. “Eu sentia a obrigação de poder ajudar de outra forma, como capitão, de ser o líder dentro do vestiário”, disse, destacando a importância do apoio em momentos difíceis.
Cultura do Corinthians e o sonho da Copa do Mundo
Romero ressaltou a importância de entender a “cultura” do Corinthians para jogar no clube, enfatizando que o aspecto emocional e mental é fundamental devido à alta pressão. “Você tem que entender o Corinthians para jogar. Não basta só ter qualidade ou talento”, pontuou.
Com o objetivo de disputar a Copa do Mundo pelo Paraguai, Romero viu sua saída do clube como necessária para ter ritmo de jogo. “A ideia é ir em um time e jogar, me sentir importante”, declarou. Ele também relembrou momentos marcantes de sua carreira, incluindo a frustração de não ir à Copa de 2018 e a virada de chave no Corinthians em 2015, após quase sair do clube.
O paraguaio encerrou sua fala com uma mensagem clara sobre como deseja ser lembrado: “Respeitar a camisa. Eu quero ser lembrado dessa forma. Fui sempre um cara que respeitou a camisa. Eu sempre coloquei o Corinthians no primeiro lugar.”

