Rosamaria aposta na união do grupo e reconhece disputa acirrada por vaga na seleção feminina para Los Angeles 2028: “Na minha principalmente”
Oposta, em sua terceira temporada no Japão, fala em evolução técnica no Denso Airybees, a rotina com Zé Roberto e os projetos empreendedores fora das quadras
Aoposta Rosamaria, uma das jogadoras mais experientes da seleção feminina de vôlei, destacou a união do grupo como diferencial para o ciclo rumo a Los Angeles 2028, mas admitiu que a briga por uma das 13 vagas será intensa — especialmente na sua posição. Em entrevista exclusiva, a atleta de 31 anos falou sobre a temporada no Japão, o planejamento com a comissão técnica liderada por Zé Roberto e a agenda fora das quadras, que inclui uma coleção de joias e eventos para jovens atletas.
Disputa por vaga para Los Angeles 2028
Com a seleção brasileira já com medalhas no primeiro ano do novo ciclo — prata na Liga das Nações e bronze no Mundial da Tailândia — Rosamaria evita certezas: “A gente está a três anos de mais uma Olimpíada, onde há disputa super acirrada por todas as posições. Sei que na minha principalmente”. A jogadora reforça que entende bem seu papel e o que precisa oferecer para ser considerada na lista final de Zé Roberto.
“São só 13 jogadoras, é muito disputado. Muitas meninas jovens e com muito potencial aparecendo. Vai ser uma briga dura, mas muito boa”, afirmou Rosamaria, ressaltando que a cobrança é parte natural de um processo em que a seleção busca renovação e manutenção de desempenho.
Terceira temporada no Japão em busca de evolução
Rosamaria está em sua terceira temporada pelo Denso Airybees, no Japão, onde buscou aprimoramento técnico e tático. Eleita à seleção dos sonhos e apontada como a jogadora mais impressionante do campeonato japonês, ela avalia que a experiência internacional trouxe maturidade ao seu jogo.
“Sinceramente, na primeira vez que eu vim para cá, eu não imaginei que eu fosse ficar três anos. Já é minha terceira temporada. É uma adaptação muito grande, uma diferença muito grande até no estilo de jogo também. Mas, no fim das contas, foi em busca disso que eu vim para cá, de conseguir evoluir um pouco tecnicamente, taticamente, jogando aqui no Japão”, disse a oposta.
Embora esteja a mais de 16 mil quilômetros do Brasil, Rosamaria mantém comunicação constante com o técnico Zé Roberto e a comissão da seleção. A coordenação foi decisiva no começo do ciclo, quando combinou-se que ela faria uma recuperação física antes de voltar às competições da seleção, estratégia que rendeu a medalha de prata na Liga das Nações.
Virada de chave no Mundial da Tailândia e a união do grupo
No Mundial da Tailândia, a seleção brasileira chegou invicta às semifinais, mas foi superada pela Itália por um placar apertado — 15 a 13 — em um confronto que deixou a equipe emocionalmente abalada. A resposta veio rápido: menos de 24 horas depois, o Brasil venceu o jogo pelo bronze contra o Japão.
Para Rosamaria, essa reação evidenciou a maturidade e a capacidade de recuperação do grupo. “A gente saiu muito frustrada. Principalmente por ter sentido que foi no detalhe. Mas, ao mesmo tempo, conseguimos reconhecer o nosso trabalho e sair orgulhosa de apresentar um voleibol incrível. Entramos com tudo para buscar essa medalha, que tem que ser muito valorizada”, explicou.
Com dez anos de seleção desde sua estreia nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015, a jogadora se percebe como uma das referências do elenco. Ela conta que compartilha experiências com as mais jovens e reforça a cultura de apoio mútuo: “Não estar no seu 100% em um dia não quer dizer nada ao longo de uma carreira… Se hoje alguém só pode dar 10%, vou tentar dar os 90% que faltam”.
Projetos fora das quadras: “Vivência Campeã”, joias e beachwear
Além da rotina como atleta, Rosamaria vem investindo em projetos pessoais. Em setembro, lançou em Florianópolis o evento “Vivência Campeã”, que reuniu cerca de 30 participantes para treinos técnicos, conversas sobre carreira e trocas com a jogadora. O objetivo, segundo ela, é retribuir o carinho dos fãs e inspirar jovens atletas.
A jogadora também lançou uma coleção de joias, inspirada em acessórios que costumava usar e que chamavam atenção das amigas. “Eu sempre quis ter alguma coisa minha… Quando a gente criou essa primeira coleção das joias, foi pensando: ‘O que me representa mesmo? O que eu uso de verdade?'”, contou Rosamaria.
Os planos ainda incluem o lançamento de uma linha de beachwear quando a atleta estiver de volta ao Brasil. A continuidade desses projetos é vista por ela como parte da preparação para a transição pós-carreira, mantendo um vínculo com o público e construindo fontes de renda além das quadras.
Entre treinamentos no Japão, convocação para os compromissos da seleção e iniciativas empreendedoras, Rosamaria segue focada na meta pessoal e coletiva: estar entre as 13 escolhidas para vestir a camisa do Brasil em Los Angeles 2028, contribuindo com experiência e a união do grupo como trunfos fundamentais.

