Ruben Amorim, técnico do Manchester United, elevou o tom e expressou publicamente sua frustração com o futuro do clube, a política de contratações e a estrutura interna. Em declarações explosivas, o português afirmou que veio para ser “manager” em Old Trafford, e não apenas um “treinador”, enviando um recado direto ao departamento de scout e ao diretor esportivo Jason Wilcox para “fazerem seus trabalhos”.
Amorim exige controle e cobra diretoria
Nomeado oficialmente em novembro de 2024 com um contrato até junho de 2027, Amorim não escondeu sua insatisfação com a perspectiva de não haver novas contratações para o elenco durante a janela de transferências de janeiro. Após o empate por 1 a 1 contra o Leeds pela Premier League, ele foi questionado sobre comentários anteriores e aprofundou sua crítica, indicando uma disputa de poder com Jason Wilcox.
“Notei que vocês recebem informações seletivas”, disse Amorim aos repórteres. “Vim para cá para ser o manager do Manchester United, não para ser o treinador do Manchester United. E isso é claro”. A declaração sublinha o desejo do técnico por um maior controle sobre as decisões do clube, que vão além das funções primordiais de treinar a equipe em campo.
“Meu nome não é Tuchel, mas sou o manager”
O treinador português fez questão de reafirmar sua posição, mesmo reconhecendo que seu nome pode não ter o mesmo peso de outros treinadores renomados. “Sei que meu nome não é [Thomas] Tuchel, não é [Antonio] Conte, não é [José] Mourinho, mas sou o manager do Manchester United. E vai ser assim por 18 meses ou até a diretoria decidir fazer uma mudança”, declarou. Ele enfatizou que cumprirá seu trabalho e que todos os departamentos, incluindo o de scout e o diretor esportivo, devem fazer o mesmo. “Farei o meu durante 18 meses e depois veremos. Esse era o meu ponto. Quero terminar por aqui. Não vou desistir”, completou, reforçando seu compromisso até o fim de seu vínculo ou uma eventual demissão.
Ataque a lendas e à mídia
Além das questões internas, Ruben Amorim também direcionou suas críticas à influência de ex-jogadores do Manchester United que atuam como comentaristas na mídia, citando nominalmente Gary Neville e Paul Scholes. O técnico português afirmou que o clube precisa se adaptar e mudar se não for capaz de lidar com as críticas externas.
“Se as pessoas não conseguem lidar com os Gary Nevilles e com as críticas a tudo, precisamos mudar o clube”, disse ele, em um claro recado sobre a pressão e o escrutínio constante que o clube sofre por parte de suas antigas glórias. A postura de Amorim revela um ambiente de tensão e a busca por maior autonomia em um dos clubes mais midiáticos do mundo.

