Rui Duarte: Um Início Meteórico no Brasil Interrompido por Maus Resultados
O futebol brasileiro é palco de histórias surpreendentes, e a trajetória recente de Rui Duarte é um exemplo vívido disso. O técnico português, que chegou a ser comparado a nomes consagrados como Abel Ferreira e superou os inícios de Jorge Jesus, Artur Jorge e Leonardo Jardim em terras tupiniquins, encontra-se agora sem clube. A notícia de sua saída do Athletic, de São João del Rei, pegou muitos de surpresa, especialmente após um começo avassalador que o alçou ao posto de sensação na Série B do Campeonato Brasileiro.
Apesar de ter comandado o Athletic em uma campanha notável que garantiu a permanência do time na segunda divisão nacional em 2025, Rui Duarte não resistiu à pressão dos resultados negativos e ao inevitável rebaixamento no Campeonato Mineiro. O anúncio de sua demissão, oficializado na última terça-feira, selou um ciclo que começou com grande otimismo, mas terminou de forma melancólica.
O Fim de um Ciclo no Esquadrão de Aço
A queda do Athletic no Campeonato Mineiro foi confirmada na rodada final, após um empate em casa contra o Tombense. A decepção foi ainda maior por ser o primeiro rebaixamento da história do clube. A campanha do “Esquadrão de Aço” no Estadual foi a pior entre os doze participantes, um contraste gritante com o brilho que o time exibiu na Série B.
Rui Duarte, que chegou ao Athletic em junho de 2025, permaneceu no clube por cerca de oito meses. Sua saída, acompanhada pela de seus auxiliares Neca Fernandes e Frederico Carmo, marca o fim de um período de intensas emoções para a torcida e para o próprio treinador.
O Início Promissor Que Despertou Comparações
Apesar do desfecho negativo no Campeonato Mineiro, o início da passagem de Rui Duarte pelo Athletic foi digno de nota. Seus primeiros passos no comando da equipe geraram um burburinho considerável, com estatísticas que o colocavam em patamares elevados, ao lado de compatriotas que deixaram sua marca no futebol brasileiro.
Vale ressaltar que Rui Duarte não pôde comandar o time nas primeiras rodadas da Série B de 2025, devido a questões burocráticas de sua regularização. Sua estreia oficial à beira do gramado, no entanto, foi impactante. Uma vitória convincente contra o então líder Goiás, jogando fora de casa, deu o tom do que estava por vir.
Nos seus cinco primeiros jogos à frente do Athletic, Rui Duarte acumulou quatro vitórias e apenas uma derrota. Este desempenho inicial foi suficiente para superar os arranques de treinadores como Jorge Jesus no Flamengo, Artur Jorge no Botafogo e Leonardo Jardim no Cruzeiro, que também tiveram inícios promissores em seus respectivos clubes.
Igualando Abel Ferreira e Superando Outros Ícones
A comparação com os grandes nomes do futebol português no Brasil não parou por aí. Ao atingir a marca de seis partidas comandadas, Rui Duarte igualou o retrospecto de Abel Ferreira em seu início no Palmeiras, em 2020. Ambos registraram quatro vitórias, um empate e uma derrota nesse período.
Essa sequência de bons resultados não apenas impressionou, mas também garantiu uma rápida renovação de contrato para Rui Duarte, que na época estava no clube há apenas 66 dias. A arrancada permitiu que o Athletic se afastasse da zona de rebaixamento na Série B, culminando em uma vitória dramática contra o Paysandu na última rodada, que assegurou a permanência na divisão.
A Oscilação e a Imprevisibilidade do Futebol
Apesar da campanha de salvação na Série B, a equipe demonstrou uma notável oscilação ao longo da temporada. A expectativa para 2026, com uma pré-temporada completa sob o comando de Rui Duarte, era alta. No entanto, os resultados em campo não corresponderam às esperanças.
O Campeonato Mineiro de 2026 se tornou um espelho dessa instabilidade. Com apenas uma vitória em oito partidas disputadas, o Athletic acabou sendo rebaixado, selando o destino do treinador português. Ao todo, Rui Duarte comandou o Athletic em 34 partidas, somando 10 vitórias, 12 empates e 12 derrotas.
A história de Rui Duarte no Athletic é um lembrete da imprevisibilidade do futebol. Um início brilhante que gerou esperanças e comparações com gigantes, mas que, infelizmente, não se sustentou diante dos desafios e das oscilações de desempenho. O técnico deixa o Brasil com a experiência de ter brilhado intensamente, mas também com a lição de que a consistência é fundamental para uma carreira duradoura.

