O cenário do vôlei feminino sul-americano está em ebulição, e um nome brasileiro tem papel fundamental nessa transformação. Guilherme Schmitz, após uma sólida carreira em clubes e nas categorias de base da seleção feminina do Brasil, assumiu em maio de 2026 o comando técnico da seleção colombiana. Com a ambição de levar a Colômbia às Olimpíadas de Los Angeles 2028, Schmitz compartilha sua visão sobre o desenvolvimento do esporte na região e a evolução da distância entre as potências.
A Visão de um Líder Brasileiro no Exterior
Guilherme Schmitz não é um novato no universo do vôlei. Com uma trajetória que inclui mais de duas décadas no Fluminense e passagens pelas seleções de base femininas do Brasil, ele agora lidera um projeto audacioso na Colômbia. Sua missão principal é clara: garantir a classificação para os Jogos Olímpicos de 2028.
Além de seu trabalho com a seleção nacional, Schmitz acumula a função de técnico do Universidad San Martín, clube peruano que demonstrou força ao chegar às semifinais do Campeonato Sul-Americano feminino em 2026, enfrentando o tradicional Osasco.
Em uma entrevista exclusiva, o treinador detalha os desafios e as conquistas desde que assumiu sua primeira seleção principal. Ele oferece uma análise minuciosa da prática atual do vôlei, com um olhar especial sobre o desempenho das equipes sul-americanas e as nuances que separam o Brasil de suas vizinhas continentais.
O Equilíbrio de Forças na América do Sul
Schmitz reconhece a proeminência histórica do Brasil no vôlei mundial, mas aponta uma mudança significativa no panorama sul-americano. “O Brasil, logicamente, está sempre despontando. A distância era maior”, observa o técnico.
Ele destaca a ascensão da Argentina como a segunda força do continente, elogiando o trabalho consistente que vem sendo desenvolvido. “Hoje em dia, a Argentina é a segunda força sul-americana e tem construído um ótimo trabalho.”
A Colômbia, sob sua batuta, figura entre as três melhores seleções da região há pelo menos seis anos. O Peru também tem mostrado evolução, e a Venezuela trabalha para estruturar uma liga nacional, um passo crucial para o desenvolvimento.
“O Peru tem crescido e a Venezuela vem se movimentando no caminho de montar uma liga nacional. Tem o Chile também que vem forte e querendo crescer neste cenário das categorias de base”, complementa Schmitz, evidenciando um movimento geral de crescimento em diversas nações.
Fatores de Convergência e Dinamismo no Vôlei
Um dos elementos cruciais para que as seleções sul-americanas encurtem a diferença em relação às potências é, na visão de Schmitz, a rotatividade de jogadoras e treinadores no cenário internacional. Essa “mexida” no mercado, segundo ele, torna o vôlei mais dinâmico e propicia o surgimento de novos talentos individuais.
Na Colômbia, o técnico brasileiro tem atuado ativamente para identificar e viabilizar oportunidades de intercâmbio para jogadoras em clubes de outros continentes. Ele cita exemplos de sucesso:
- A oposta Ivonee Montaño, que encontrou espaço na LOVB, liga profissional dos Estados Unidos, sob o comando do técnico brasileiro Paulo Coco.
- A ponteira Laura Pascua, que atualmente defende o Avarca de Menorca, na Espanha.
Essa atenção é vital, considerando que a Colômbia, assim como outros países da região, ainda não possui um torneio doméstico de grande porte, comparável à Superliga Brasileira.
A Força da Estrutura e a Busca por Velocidade
O Brasil, segundo Schmitz, mantém sua força em grande parte devido a um “processo retilíneo e longevo” na estruturação de suas competições e categorias de base. Essa consistência, ele observa, começa a se replicar em outras regiões, acompanhada de um investimento crescente nas categorias inferiores e uma maior valorização das equipes técnicas multidisciplinares.
Para entender o vôlei contemporâneo, Guilherme Schmitz aponta para uma premissa fundamental: além da excelência física, o jogo exige velocidade. Essa velocidade, por sua vez, é fruto de uma técnica apurada e de uma sintonia fina entre as jogadoras. O técnico cita a seleção japonesa como um exemplo inspirador dessa filosofia de jogo.
Um Novo Horizonte para o Vôlei Colombiano
O anúncio da contratação de Guilherme Schmitz pela Federação Colombiana de Vôlei em maio de 2026 foi recebido com otimismo. A entidade declarou que a chegada do treinador reafirma o compromisso com o fortalecimento da modalidade no país.
Schmitz expressou sua confiança no projeto: “Vamos trabalhar juntos por uma Colômbia cada vez mais forte”. A expectativa é que sua liderança e experiência impulsionem a seleção colombiana a novos patamares, com o sonho olímpico como principal norte.
O trabalho em andamento na Colômbia não é apenas sobre resultados imediatos, mas sobre a construção de um legado duradouro, alinhado às tendências globais do vôlei e focado no desenvolvimento integral das atletas.

