O Corinthians conquistou o tetracampeonato da Copa do Brasil, um feito que evoca euforia entre a torcida. No entanto, a celebração em campo esconde um clube em profunda crise financeira e política, cujos problemas parecem ameaçar a sustentabilidade a longo prazo. A questão que paira é: o título é um reflexo de um clube que se recupera ou uma exceção em meio a um cenário desolador?
Talento individual supera as adversidades do clube
O elenco corintiano demonstrou, mais uma vez, a capacidade de seus talentos individuais em decidir jogos cruciais. Nomes como Memphis e Yuri Alberto, apesar das oscilações, provaram seu valor. A estratégia de Dorival Júnior, que optou por um meio-campo mais povoado na final, sacrificando a presença de Garro, foi fundamental para sustentar a batalha pela posse de bola. Mesmo com um desempenho instável ao longo do Campeonato Brasileiro, terminando em 13º lugar, as competições de mata-mata permitiram que o talento individual florescesse e conduzisse o time a mais uma conquista.
Clube à deriva: dívida bilionária e instabilidade política
Enquanto os jogadores celebram no gramado, a realidade extracampo é alarmante. O Corinthians acumula uma dívida superior a R$ 2,5 bilhões, um montante insustentável para o futebol brasileiro. A má gestão financeira, somada à permanente instabilidade política, com impeachment presidencial e investigações policiais, cria um ambiente onde o clube parece sabotar o próprio sucesso esportivo. A conquista do tetra, neste contexto, soa como um feito realizado apesar da diretoria, e não por causa dela.
A final: um jogo de superação e artimanhas
A decisão da Copa do Brasil, disputada contra o Vasco, outro time com dificuldades no Brasileirão, foi mais uma batalha de superação do que de futebol arte. O jogo foi marcado por muitas artimanhas e pouca bola rolando, com menos de 51 minutos de jogo efetivo. O Corinthians demonstrou superioridade em momentos específicos, explorando as fragilidades do Vasco na marcação e na transição defensiva. O gol de Yuri Alberto, originado de uma jogada bem trabalhada, e o gol da vitória de Memphis Depay, após um lance de genialidade de Breno Bidon, foram os lances decisivos.
O futuro incerto: entre a glória e a ruína
A conquista do tetracampeonato da Copa do Brasil coloca o Corinthians em uma encruzilhada. O clube pode se contentar com as taças de 2025 e seguir o caminho atual, ignorando os problemas estruturais. Ou, pode encarar a realidade, entender que os troféus foram conquistados apesar da gestão, e iniciar um processo doloroso, mas necessário, de reestruturação. A capacidade de se defender da pressão final do Vasco, assim como resistiu à pressão do clube, será crucial para definir o futuro do Timão.

