O futebol reúne milhões de apaixonados pelo Brasil, mas poucos torcedores dedicam tanto amor e atenção a um clube quanto Vinícius Cazatti, pintor e fã do Clube Atlético Taquaritinga (CAT), que disputa atualmente a Série A4 do Campeonato Paulista.
Uma coleção que conta histórias
Vinícius não coleciona camisas de grandes clubes ou seleções mundialmente conhecidas. Ele possui, em sua casa, nada menos que 335 camisas do Taquaritinga, time da cidade homônima com pouco mais de 50 mil habitantes, no interior de São Paulo. O CAT não tem calendário nacional e está longe da elite paulista desde 1993, ano de nascimento do torcedor.
O amor pelo clube é um legado familiar. Avós e pai de Vinícius trabalharam por muitos anos no clube local: o avô foi zelador do antigo estádio, a avó lavadeira das camisas do CAT, e o pai, roupeiro da equipe. “Praticamente muitas das camisas que eu tenho passaram pela mão dela [avó] lavando”, relembra.
Paixão que ultrapassa o familiar
Apesar dessa forte relação, nenhuma das camisas da extensa coleção foi presente da família. Todas foram adquiridas por garimpos pessoais, em longas buscas pela internet, contatos com antigos atletas, colecionadores e até abordagens inesperadas nas ruas. Vinícius relata momentos curiosos, como o dia em que convenceu um senhor a doar uma camisa quase trocando por uma de suas próprias para que ele não ficasse sem a peça.
Peças raras e sonhos para o futuro
Dentre as 335 camisas, duas têm significado especial para Vinícius: os uniformes de 1982 e 1992, épocas em que o CAT alcançou acessos importantes no Paulistão. A camisa de 1982, por exemplo, levou mais de uma década para ser encontrada, incluindo a negociação com um colecionador de Santa Catarina.
O Taquaritinga disputou a primeira divisão paulista apenas em 1983, 1984 e 1993, e hoje luta para retornar aos grandes palcos do futebol estadual.
O vício que mantém viva a história
Para Vinícius, a coleção é mais que um hobby, é um vício e uma forma de preservar o legado familiar e histórico do clube. “A história está aqui, na coleção. O CAT sobrevive do amor e da tradição. É o sonho de todo mundo ver o time na primeira divisão novamente”, afirma.
Embora tenha um acervo extenso, Vinícius ainda deseja encontrar algumas peças raras, sobretudo camisas antigas das décadas de 40, 50 e 60, muitos dos quais dificilmente existem hoje. Ele pensa em encerrar essa jornada em breve, estimando que, se encontrar mais cerca de dez a quinze camisas, sua coleção estará completa para passar às futuras gerações.

