O gol de Danilo que deu o título da Libertadores ao Flamengo em Lima é lembrado por muitos. No entanto, o lance espetacular não foi fruto do acaso, mas sim de um trabalho contínuo e dedicado com o fisioterapeuta Adriano Tambosi. Juntos, eles aprimoraram a condição física do zagueiro, permitindo que ele atingisse seu ápice em um momento crucial.
A parceria entre Danilo e Adriano Tambosi iniciou em abril, pouco após a chegada do jogador ao Brasil. Buscando manter uma rotina de cuidados de alta performance, Danilo procurou a empresa Volt Sports Science. O jogador, que já realizava acompanhamento profissional há anos, intensificou seus esforços no Rio de Janeiro, integrando fisioterapia, medicina, nutrição e psicologia em seu plano de desenvolvimento.
Metodologia e Competição Saudável Elevam o Desempenho
Conhecido por sua disciplina e exigência, Danilo elevou o patamar do trabalho, como descreve Adriano Tambosi. A rotina de quatro a cinco sessões semanais, realizadas na casa do atleta, complementa os treinamentos no clube e dura, em média, de uma hora e meia a duas horas. Adriano, atuando como “performance manager”, coordena e integra todas as áreas, com foco especial na recuperação, que se torna quase diária.
“O Danilo tem equipamento de tudo, recovery, banheira de gelo, bota compressiva, tudo que ele precisa. E usa mesmo, não está só lá encostado”, explica Adriano. As avaliações periódicas definem os objetivos, que vão desde a flexibilidade e mobilidade articular até força do core e membros superiores. “Entramos com o que chamamos de micro doses de vários objetivos, especialmente de força, para manter o atleta forte ao longo dessa temporada tão desgastante, e de potência, pensando em questões mais de performance e quantitativas”, detalha o fisioterapeuta.
Desafios e Provocações Estimulam a Superação
Danilo já havia compartilhado em entrevistas anteriores os treinos de salto e os desafios propostos por seu fisioterapeuta. Adriano revela que essas provocações saudáveis são um motor para o zagueiro, que já é naturalmente competitivo. “Eu sou muito satisfeito com meus números. Meu fisioterapeuta fala: ‘Putz, seu teste de salto deu 52 cm, duvido fazer 54’. Quando chegar em casa, eu vou fazer 56 e ele começa a rir”, conta Danilo.
Adriano complementa: “É mais desafiador. É cara experiente, com tanta história, como vamos arrancar um pouquinho a mais? Mas é uma provocação sadia que fazemos. […] Eu brinco muito com ele nesse momento dessa avaliação. É uma avaliação que a gente utiliza para tentar identificar quanto custou a última partida, ou seja, qual o nível de fadiga e desgaste.” O fisioterapeuta relata que, em momentos de cansaço, Danilo era incentivado a superar seus próprios limites, muitas vezes saltando 10% a 15% a mais após as provocações.
Salto Para a Glória e Reconhecimento
O momento do gol na final da Libertadores foi celebrado intensamente por Adriano, que assistia à partida em casa. O reconhecimento de Danilo após o jogo, atribuindo parte do mérito ao trabalho de salto, foi valioso para o fisioterapeuta. “Vamos trabalhar em silêncio. Então, quando você tem um reconhecimento desse em rede nacional, é valioso demais”, afirma Adriano.
Comparando o salto de Danilo com o de Cristiano Ronaldo, Adriano estima que o zagueiro atingiu cerca de 70 a 75 centímetros fora do chão, um feito notável para um atleta que, em saltos parados, alcança em torno de 55 centímetros. “Ele tem muita competência e qualidade física para executar esse tipo de salto, mas a vontade foi mais uma coisa que ajudou”, conclui o fisioterapeuta.
Superação de Lesões e Interdisciplinaridade
O ano de 2025 foi desafiador para Danilo, que retornou ao Brasil enfrentando duas lesões musculares e a concorrência na zaga. No entanto, uma lesão de Léo Ortiz abriu espaço para o experiente defensor, que atuou mesmo com um trauma no joelho sofrido contra o Palmeiras. A boa comunicação entre a equipe do clube e os profissionais externos foi fundamental para que Danilo não perdesse sessões de treino ou jogos.
Adriano destaca a importância da interdisciplinaridade, envolvendo nutrição, medicina, monitoramento de sono e outros biomarcadores. “Se o Danilo não dorme bem, se ele não está bem alimentado, se ele não está bem hidratado, se todos os biomarcadores dele não estão em dia, a gente não consegue desenvolver nada em questões físicas”, ressalta. André Cunha, CEO da Volt, reforça que o foco da empresa é “eliminar as travas que impedem que o atleta atinja todo o seu potencial esportivo”, cuidando dos aspectos que complementam o futebol.

