Vini Jr. Volta a Ser Alvo de Racismo em Jogo do Real Madrid; Figuras Históricas do Futebol Prestam Solidariedade
Em mais um episódio lamentável que mancha o esporte bretão, o atacante brasileiro Vinícius Júnior foi vítima de insultos racistas durante a partida entre Real Madrid e Benfica, realizada nesta terça-feira no Estádio da Luz. O lance ocorreu após um gol marcado por Vini Jr., que decidiu o placar em 1 a 0 para a equipe espanhola, em jogo válido pela fase de playoffs da Champions League. A denúncia do jogador ativou o protocolo de combate ao racismo, mas a repercussão do caso ultrapassou as quatro linhas, mobilizando personalidades de renome internacional que exigem ações mais contundentes contra o preconceito.
A acusação de Vini Jr. aponta o jogador argentino Prestianni, do Benfica, como autor dos xingamentos, que teriam sido reproduzidos com um gesto de cobrir a boca, simulando um macaco. O episódio gerou reações imediatas e contundentes de ex-jogadores que marcaram época em diferentes clubes e seleções.
Luisão, Ídolo do Benfica, Expressa Vergonha e Desaprova Nota do Clube
Um dos primeiros a se manifestar foi Luisão, ex-zagueiro e ídolo histórico do Benfica, que demonstrou profunda decepção com o ocorrido. Em publicação nas redes sociais, o brasileiro, que também teve passagens pela diretoria do clube português, declarou sentir vergonha e criticou a postura do Benfica em relação ao caso.
“Essa camisa é muito grande. Eu amo o Benfica, é minha segunda pele. Tem que ser digno para vestir o manto sagrado. Esse texto (do clube defendendo o Prestianni) piora porque é mentira. Futebol se ganha na raça, a luta… Foi ato racista sim e eu estou envergonhado com isso”, desabafou Luisão, em sua conta no Instagram. A declaração do ex-defensor ressalta a gravidade da situação e a necessidade de uma postura mais firme por parte das instituições esportivas.
Thierry Henry: “Não se Sabe Mais o Que Fazer”
A lenda francesa Thierry Henry, conhecido por sua postura firme em relação ao racismo, também manifestou sua solidariedade a Vini Jr. O ex-atacante destacou a sensação de impotência que muitos jogadores sentem ao serem alvo de preconceito, especialmente quando a palavra do ofensor é colocada em dúvida.
“Sou solidário a Vinícius. Às vezes você se sente sozinho porque sabe que vai ser sua palavra contra a dele. Porque Prestianni foi muito ‘corajoso’ ao colocar a camisa na boca… e a reação de Vini já me mostra que algo errado tinha acontecido. Não se sabe mais o que fazer. Eu já estive nesta situação, Vini já esteve nesta situação, muitos jogadores já estiveram nesta situação”, disse Henry em entrevista à CBS Sports. Ele questionou a postura do árbitro em não conseguir identificar a ação de Prestianni e lamentou que, em 2026, o debate ainda gire em torno de racismo e não apenas sobre feitos esportivos como o gol de Vini Jr.
Henry criticou a desculpa de Prestianni de que não teria dito nada, questionando o motivo de ter cobrido a boca. “Como assim, não disse nada? Você tampou sua boca por que? Estava com frio?”, ironizou o ex-jogador.
Clarence Seedorf: “Não Há Justificativa para Abusos Racistas”
O holandês Clarence Seedorf, multicampeão e ícone do futebol mundial, também se pronunciou sobre o caso, criticando as declarações que, segundo ele, minimizam a gravidade do racismo. Seedorf fez referência a comentários que sugerem que incidentes como esses são recorrentes e, por isso, aceitáveis.
“Ele (José Mourinho) mencionou que Vinicius, onde quer que vá, essas coisas acontecem. Então, na verdade, ele está dizendo que é aceitável quando Vinicius o provoca, que é aceitável ser abusivo e racista. E eu acho isso muito errado. Acho que o fato de Vini estar sendo atormentado há muitos anos de uma forma muito ruim na Espanha é algo que não podemos esconder. Precisamos deixar claro que não há justificativa para abusos racistas. Não há espaço para isso”, afirmou Seedorf em entrevista à Prime Video Sport. Ele enfatizou que a persistência do racismo contra Vini Jr. na Espanha é um problema que não pode ser ignorado e que não existe justificativa para tais atos.
Contexto e o Papel das Instituições
A denúncia de Vini Jr. não é um caso isolado. O atacante brasileiro tem sido alvo frequente de ataques racistas em diversos estádios da Espanha e em outras competições. Apesar das repetidas ocorrências e das campanhas de conscientização, a sensação de impunidade ainda paira sobre o futebol.
A UEFA já abriu investigação sobre o incidente, um passo necessário, mas que muitos consideram insuficiente diante da recorrência do problema. A lentidão e, por vezes, a fragilidade das punições aplicadas a clubes e torcedores envolvidos em atos de racismo são pontos frequentemente criticados por jogadores, treinadores e especialistas.
A postura de alguns clubes em tentar minimizar ou justificar os atos de seus jogadores ou torcedores também é um ponto de atenção. A nota do Benfica, que inicialmente tentou desvincular o ato de Prestianni de conotação racista, gerou ainda mais indignação, reforçando a necessidade de um posicionamento claro e inequívoco contra todas as formas de preconceito.
A Luta Continua: Um Chamado à Ação
O apoio de figuras como Henry, Seedorf e Luisão a Vinícius Júnior demonstra que a luta contra o racismo no futebol é uma causa que une grandes nomes do esporte. As declarações desses ídolos não são apenas manifestações de solidariedade, mas um forte chamado à reflexão e à ação por parte das entidades máximas do futebol, dos clubes e da sociedade em geral.
Enquanto o talento de Vini Jr. brilha em campo, sua coragem em denunciar o racismo serve de inspiração para muitos. No entanto, é fundamental que o esporte responda com medidas efetivas e punições rigorosas para que episódios como este se tornem, de fato, parte do passado. A esperança é que, com o apoio de ídolos e a pressão pública, o futebol possa se tornar um ambiente verdadeiramente livre de preconceitos, onde o talento e o respeito prevaleçam.

