De volta às origens e em nova forma física
Aos 36 anos e com uma carreira consolidada, o atacante Walter está de volta à Bahia para defender o Atlético de Alagoinhas. Em entrevista ao Globo Esporte, o jogador fez um balanço de sua trajetória, celebrando a nova fase após perder mais de 50 kg e reencontrar a alegria de jogar futebol. Walter, que iniciou sua carreira nas categorias de base do Vitória em 2004, sente-se feliz e mais próximo do fim da carreira, mas com a mesma paixão de sempre.
A superação da obesidade e os perigos do doping
Walter não esconde que passou grande parte da carreira acima do peso, chegando a 145 kg. A virada de chave aconteceu em 2023, quando a saúde começou a dar sinais de alerta. “Eu vi meu vídeo jogando e pensei: ‘Cara, não posso’. Estava muito acima do peso. Entendi que tinha que mudar minha vida, era pela minha saúde”, relata. A perda de 53 kg, chegando a 92 kg, foi conquistada de forma natural, com dieta e exercícios. Essa mudança também o afastou de um fantasma do passado: o doping. Em 2019, o jogador foi suspenso por um ano após ser flagrado com substâncias encontradas em remédios para emagrecer. “Eu sofri demais. Como eu usei coisas proibidas (no passado), fui punido. Naqueles anos de doping eu aprendi muito”, confessa.
Infância humilde e a relação com a comida
O atacante também abriu o jogo sobre a relação com a comida, que por vezes se tornou compulsiva. Walter atribui esse comportamento às dificuldades da infância, em um lar humilde onde a comida nem sempre estava garantida. “Antigamente eu não tinha condição nenhuma. Ia para a escola, não era nem para estudar, era para comer. Minha mãe saía para trabalhar, e eu não tinha condição de comer em casa”, relembra. Essa carência do passado o levou a compensar na vida adulta, com um vício em bolacha recheada, que agora tem mais controle. “Antes eu comia um pacote, hoje eu como uma, e olhe lá”, afirma, orgulhoso de sua disciplina.
Legado, gratidão e planos para o futuro
Olhando para trás, Walter se sente realizado. Com passagens por grandes clubes como Internacional, Porto, Cruzeiro, Fluminense e Athletico, o jogador não se arrepende de nada. “Do lugar que eu saí, e o lugar que eu cheguei é para poucos. Sou muito grato a Deus por tudo na minha vida”, declara. Mesmo com a aposentadoria se aproximando, Walter já pensa em continuar no futebol, seja como treinador ou olheiro. A meta é jogar por mais duas temporadas, aproveitando cada segundo em campo com a camisa do Atlético de Alagoinhas no Campeonato Baiano.

