O Argentino Pode Ser o Herói que Tirará o Tricolor de uma Longa Escrita Negativa no Futebol Nacional
A final do Campeonato Carioca de 2026 coloca o técnico argentino Luis Zubeldía diante de um cenário histórico. Se o Fluminense levantar a taça contra o arquirrival Flamengo neste domingo, no Maracanã, ele não apenas conquistará um título importante, mas também encerrará um jejum de 78 anos sem que um comandante estrangeiro seja campeão pelo clube.
Zubeldía é o 15º técnico de origem não brasileira a comandar o Tricolor das Laranjeiras em sua trajetória. Curiosamente, ele é o primeiro a assumir o posto neste século, o que já o coloca em uma posição de destaque.
Uma Marca Histórica que Começou em 1948
A última vez que um técnico estrangeiro celebrou um título pelo Fluminense foi em 1948. Naquele ano, o uruguaio Ondino Vieira conduziu o time à conquista do Torneio Municipal. Desde então, uma série de treinadores de outras nacionalidades passaram pelo clube, mas sem o mesmo sucesso em termos de troféus.
A memória daquela decisão de 1948 guarda detalhes curiosos. O gol que garantiu o título foi um espetáculo à parte: uma bicicleta de Orlando Pingo de Ouro, o gol da vitória foi marcado contra o Vasco da Gama, em um confronto contra o que é considerado o maior time da história do clube cruzmaltino, o “Expresso da Vitória”. Além disso, foi o primeiro título de uma das maiores lendas do clube, Carlos Castilho, como jogador.
Um Olhar Sobre os Estrangeiros Vencedores
A lista de técnicos estrangeiros que já conquistaram algo pelo Fluminense é relativamente pequena, mas recheada de nomes importantes em suas épocas:
- Charles Albert Williams (Inglês): Bicampeão Carioca em 1911 e 1924, além de dois Torneios Início (1924 e 1925).
- J.A. Quincey Taylor (Inglês): Conquistou o Campeonato Carioca em 1917 e 1918, e o Torneio Aberto em 1935.
- Ramon Platero (Uruguaio): Campeão Carioca em 1919.
- Carlos Carlomagno (Uruguaio): Venceu o Campeonato Carioca em 1936 e 1937, e o Torneio Municipal em 1938.
- Ondino Viera (Uruguaio): Um dos mais bem-sucedidos, com títulos do Campeonato Carioca (1938, 1940, 1941), Rio-São Paulo (1940), Torneio Início (1940, 1941), Torneio Extra (1941) e o já mencionado Torneio Municipal (1948).
O Longo Caminho Pós-Ondino
Após a era de ouro de Ondino Viera, o Fluminense tentou emplacar outros treinadores estrangeiros em diversas ocasiões. Foram mais oito comandantes de fora do Brasil, entre uruguaios, argentinos e paraguaios. Ao somar idas e vindas, foram 12 passagens no total.
Nomes como Athuel Velázquez, Humberto Cabelli, Héctor Cabelli, Russo, Fleitas Solich, Alfredo González, José Omar Pastoriza e Hugo de León passaram pelas Laranjeiras, mas, infelizmente para a torcida tricolor, nenhum deles conseguiu erguer uma taça.
Hugo de León: A Última Tentativa Antes de Zubeldía
Antes da chegada de Zubeldía, o uruguaio Hugo de León foi o último estrangeiro a comandar o Fluminense. Ex-zagueiro e capitão do Grêmio na conquista da Libertadores de 1983, De León assumiu o clube em 1997.
Sua passagem, no entanto, foi extremamente curta, durando apenas 20 dias. Nesse período, o treinador comandou a equipe em apenas três partidas, marcando o fim de uma era e abrindo caminho para o retorno de Renato Gaúcho ao clube.
Zubeldía Já Relembra Marcas de Ondino
Curiosamente, Luis Zubeldía já começou a deixar sua marca na história do Fluminense, inclusive igualando um recorde que pertencia a Ondino Vieira. Nesta temporada de 2026, o Tricolor alcançou a marca impressionante de 16 vitórias consecutivas como mandante, um feito que não se via desde 1942, quando o time também era comandado pelo uruguaio.
Essa sequência de triunfos em casa foi consolidada com a vitória sobre o Bangu por 3 a 1, nas quartas de final do Campeonato Carioca. A última vez que o Fluminense não saiu de campo com uma vitória em seus domínios foi contra o Vasco, na semifinal da mesma competição. Na ocasião, um empate em 1 a 1 foi suficiente para garantir a classificação para a grande decisão.
Agora, Zubeldía tem a chance de adicionar seu nome a um seleto grupo de treinadores que fizeram história no Fluminense, mas desta vez, com a glória de quebrar uma escrita de quase oito décadas e trazer um título para o clube com a assinatura de um comandante de fora do país.
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