Edenilson no Botafogo voltou a marcar após seis meses, mas o gol anotado diante do Remo, nesta quarta-feira, não impediu a derrota por 2 a 1 pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. De volta após lesão muscular, o meia entrou no segundo tempo e pode ampliar as opções de Tite para reorganizar um meio-campo que ainda busca respostas.
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Edenilson no Botafogo volta a aparecer no momento decisivo
O gol saiu aos 37 minutos da etapa final, quando o Botafogo tentava reagir fora de casa. A jogada começou com um cruzamento para a área: Tiquinho desviou de cabeça, Marçal direcionou a bola para o meio e Edenilson apareceu para finalizar e diminuir a diferença no placar.
A reação, porém, não foi suficiente para evitar o resultado negativo. Mesmo mantendo a pressão depois de marcar, o time carioca não encontrou o empate. O Remo venceu por 2 a 1, e o Botafogo permaneceu com 39 pontos, na 11ª colocação antes da conclusão dos demais jogos da rodada.
O tento encerrou um período de 18 partidas sem balançar as redes com a camisa alvinegra. A última vez havia sido em 18 de abril, quando Edenilson marcou duas vezes na vitória por 4 a 1 sobre a Chapecoense. A sequência sem gols terminou, mas o dado não apaga o contexto: o jogador ficou fora de parte do trabalho de Tite por causa de uma lesão.
O retorno acontece em uma fase na qual o treinador ainda avalia alternativas para o setor central. Por isso, a atuação de Edenilson ganha importância para além do placar individual. Ele voltou a ficar disponível, participou de uma jogada decisiva e mostrou que pode ser considerado na composição do meio-campo — sem que isso, por si só, garanta lugar entre os titulares.
Lesão afastou o meia no começo do trabalho de Tite
Edenilson sofreu uma lesão muscular na coxa direita na estreia de Tite no comando do Botafogo, diante do Mirassol. Naquela partida, o time foi derrotado por 2 a 0. O problema físico tirou o meia de compromissos seguintes e reduziu o tempo que ele teve para trabalhar com o novo treinador no início dessa etapa.
Na rodada anterior ao duelo com o Remo, o jogador já havia sido relacionado, mas não entrou em campo na derrota por 3 a 0 para o Internacional. Contra a equipe paraense, enfim voltou a atuar. A diferença entre estar disponível na lista e receber minutos em campo é relevante: depois de uma lesão, a comissão pode recuperar o atleta gradualmente, observando sua condição antes de ampliar a participação.
O gol também surgiu em uma situação de urgência, com o Botafogo atrás no placar. Isso oferece a Tite um registro recente do meia em ação, mas não basta para medir sua condição física ao longo de uma partida inteira. O treinador ainda precisa avaliar ritmo, resposta aos minutos disputados e encaixe com os demais jogadores do setor.
Essa cautela importa porque o meio-campo exige funções diferentes. Um volante mais posicional, por exemplo, tende a proteger a defesa e oferecer saída curta; um jogador com maior presença ofensiva pode aproximar-se dos atacantes e ocupar espaços perto da área. A escalação depende do plano para cada adversário, não apenas de quem marcou no jogo anterior.
Meio-campo segue como desafio para Tite
O treinador já testou alternativas para tentar ajustar o setor. Allan foi utilizado como primeiro volante, mas não convenceu nessa função. Diante do Remo, Tite escalou Domingos Andrade e Huguinho, sem que a mudança produzisse o efeito esperado no resultado. Os nomes e as combinações mostram que a equipe ainda procura uma formação capaz de equilibrar proteção defensiva e construção das jogadas.
Nesse cenário, a volta de Edenilson oferece mais uma possibilidade de escolha. A contribuição de um meia não se resume a gols: passe, movimentação, apoio à saída de bola e capacidade de ocupar zonas entre as linhas também influenciam o funcionamento coletivo. A partida contra o Remo mostrou um lance concreto de chegada à área, mas a definição do papel do jogador depende do que Tite pretende exigir dele e de como os outros atletas se complementam.
O debate sobre encaixe e momento individual aparece em diferentes clubes, embora cada situação tenha suas particularidades. No futebol mineiro, a expectativa em torno de Reinier e Kaio Jorge antes do clássico também evidencia como a condição dos jogadores pode alterar as opções e o desenho de uma equipe, como mostra a análise sobre Reinier e Kaio Jorge em alta. No caso do Botafogo, a questão imediata é saber se Edenilson pode oferecer continuidade ao meio, e não apenas uma aparição pontual.
O contexto da derrota também limita a leitura positiva do gol. O Botafogo voltou a sofrer gols que, segundo a avaliação do próprio elenco, poderiam ter sido evitados. Edenilson apontou a necessidade de correções coletivas e mencionou que a equipe precisa trabalhar em conjunto para superar o momento. A observação combina com o desafio de Tite: encontrar uma estrutura que reduza os erros atrás sem diminuir a capacidade de avançar.
Gol encerra jejum, mas não muda o tamanho da pressão
A distância para a zona de rebaixamento segue como um dado central da campanha. O Botafogo está cinco pontos acima do Z-4, margem que mantém o time fora da faixa de queda, mas exige atenção nas rodadas restantes. Como a classificação ainda poderia mudar com os jogos pendentes, os 39 pontos e a 11ª posição eram o retrato do clube naquele momento, não uma garantia sobre a colocação final.
O próprio Edenilson descreveu o cenário como uma dificuldade criada pelo grupo e que só pode ser revertida por quem trabalha no clube. A fala não transforma o meia em porta-voz de uma solução individual: coloca a responsabilidade no conjunto, num momento em que a equipe precisa corrigir falhas defensivas e recuperar resultados.
O próximo compromisso será contra o Atlético-MG, na quarta-feira, às 21h30, no estádio do Botafogo. A equipe chega ao confronto sem vencer como visitante há três meses e voltará a atuar em casa. O mando oferece um ambiente diferente do duelo em Belém, mas não elimina a necessidade de melhorar o desempenho: os pontos em disputa têm peso direto na distância para os últimos colocados.
Para Tite, a preparação passa por duas decisões relacionadas. A primeira é escolher uma formação de meio-campo que responda às características do adversário. A segunda é definir quanto Edenilson pode contribuir depois do retorno. Se começar jogando ou voltar a sair do banco, sua utilização dependerá da avaliação técnica e física; o gol contra o Remo fortalece sua candidatura, mas não resolve sozinho a disputa por posições.
A montagem de um elenco também envolve administrar funções, disponibilidade e continuidade, temas que aparecem em diferentes clubes do país. O impasse sobre a renovação de Jair no Vasco, por exemplo, mostra outro tipo de decisão de gestão de jogadores, discutida na reportagem sobre Jair e a renovação no Vasco. No Botafogo, entretanto, o foco imediato é esportivo: fazer as opções disponíveis funcionarem em campo e evitar que a proximidade do Z-4 aumente a pressão.
Edenilson no Botafogo pode ganhar espaço, sem garantia de titularidade
O retorno de Edenilson entrega a Tite uma alternativa que esteve ausente durante parte do começo de seu trabalho. O gol encerrou um jejum de seis meses e demonstrou presença na área em uma jogada construída por Tiquinho e Marçal. Ainda assim, o resultado contra o Remo reforçou que a equipe precisa de respostas coletivas, não apenas de um lance decisivo.
A próxima partida será um teste importante para observar se o meia recebe mais minutos e como o treinador distribui as funções no setor central. Para o Botafogo, a decisão prática é equilibrar recuperação física, desempenho e necessidade de pontuar. Edenilson volta à disputa por espaço; a vaga, porém, terá de ser conquistada dentro de um meio-campo que ainda busca estabilidade.

