A reeleição de Infantino ganhou novo impulso em 23 de outubro, quando Salman bin Ibrahim Al-Khalifa, presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), declarou apoio ao atual chefe da Fifa durante um congresso extraordinário em Tóquio. A mudança ocorre após meses de divergências sobre uma proposta comercial da entidade, posteriormente abandonada, e reposiciona a Ásia no cenário da eleição presidencial.
Fatos centrais da notícia
- Salman bin Ibrahim confirmou que a AFC apoiará Infantino em sua busca por um novo mandato.
- A confederação asiática havia criticado a gestão da Fifa após a proposta de criar uma empresa para administrar competições.
- As eleições estão previstas para março do próximo ano, e Infantino era o único candidato declarado no momento da notícia.
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Reeleição de Infantino recupera um aliado importante
A declaração de Salman marca uma inflexão política relevante. Dois meses antes, a AFC havia se unido à Uefa e à Concacaf em críticas à condução da Fifa. Na ocasião, as confederações defenderam que o desenvolvimento do futebol era resultado do trabalho coletivo e pediram uma liderança voltada ao esporte, não à concentração de poder.
Agora, em Tóquio, o dirigente asiático afirmou que a entidade está comprometida com a liderança de Infantino e com sua tentativa de conquistar outro mandato. Ele reconheceu que houve problemas discutidos anteriormente, mas sustentou que essas divergências não deveriam ser misturadas à decisão de apoiar a candidatura.
O episódio resume o movimento central da notícia: o presidente da Confederação Asiática volta atrás e apoia a reeleição de Infantino depois de uma crise provocada por uma proposta de reorganização comercial da Fifa. A mudança não apaga as críticas anteriores, mas indica que a relação entre as partes foi recomposta o suficiente para produzir um apoio público.
O endosso também tem uma dimensão recíproca. Salman busca a reeleição para um quarto mandato à frente da AFC, e Infantino manifestou apoio a ele no mesmo congresso. A aproximação, portanto, acontece em um momento em que os dois dirigentes têm interesses eleitorais próprios e precisam consolidar respaldo entre as associações que representam.
A proposta que provocou o afastamento da AFC
O ponto de atrito foi a Fifa Forward Enterprise, estrutura que Infantino propôs criar para controlar competições organizadas pela entidade. O plano previa a venda de parte das ações da empresa e a possibilidade de levantar até US$ 4,2 bilhões, valor apresentado na notícia como equivalente a cerca de R$ 21,5 bilhões.
A ideia abriu uma discussão que ultrapassava a busca por novos recursos. Para as confederações críticas, a questão envolvia quem teria influência sobre as competições e como seriam tomadas decisões comerciais de grande alcance. A possibilidade de participação de capital privado também levantou preocupações sobre a governança e a distribuição de controle em uma organização que administra torneios globais.
A Uefa reagiu com especial contundência e anunciou um boicote a torneios da Fifa enquanto a proposta não fosse cancelada. Infantino acabou desistindo do projeto, que, segundo a própria notícia, havia criado divisões. A retirada reduziu a tensão em torno da iniciativa, mas não restaurou automaticamente os vínculos com todas as confederações que haviam criticado a entidade.
O debate sobre a expansão de torneios ajuda a entender por que decisões comerciais da Fifa provocam repercussões em diferentes regiões. A entidade anunciou, por exemplo, a criação da Copa de Clubes Feminina da Fifa, uma competição que amplia o calendário internacional. Projetos desse tipo reforçam a importância de regras claras sobre organização, receitas e participação das confederações, embora sejam iniciativas distintas da empresa que Infantino decidiu abandonar.
O apoio asiático muda o equilíbrio, mas não encerra a disputa
A volta da AFC fortalece politicamente o presidente da Fifa, mas não significa que a eleição esteja decidida. O voto presidencial é distribuído entre as 211 associações nacionais filiadas, com direito a um voto para cada uma. Nesse formato, o apoio de uma confederação continental ajuda a demonstrar articulação regional, mas não substitui a necessidade de construir respaldo entre as federações individuais.
Também é necessário separar declarações de apoio de compromissos eleitorais formalizados. A fala de Salman foi explícita sobre a posição da AFC, mas o cenário ainda poderia mudar conforme o prazo de candidaturas avançasse. Na data da notícia, as inscrições permaneciam abertas até 18 de novembro, e Infantino era o único nome apresentado como candidato à presidência.
As eleições estavam marcadas para março do ano seguinte. Com a candidatura de Infantino voltada a um quarto mandato, o período até a votação seria decisivo para medir se as declarações públicas se converteriam em apoio efetivo das associações. A contagem de votos só ocorre no processo eleitoral; comunicados e discursos, por si sós, não revelam como cada federação votará.
O histórico recente deixa esse quadro mais complexo. Em agosto, AFC, Uefa e Concacaf participaram de uma manifestação conjunta que contestava a forma de condução da Fifa. Depois da desistência da Fifa Forward Enterprise, a Ásia voltou a apoiar Infantino, enquanto a Uefa e as federações da Concacaf continuaram afastadas do presidente, conforme o relato publicado.
Essa diferença mostra que o cancelamento da proposta não produziu uma resposta uniforme. Cada confederação pode avaliar de maneira distinta a relação entre gestão, autonomia e desenvolvimento do futebol. A África manteve apoio a Infantino, enquanto a Conmebol criticou a ideia da nova empresa, mas se posicionou contra o afastamento do dirigente. O mapa político, portanto, não se resume a dois blocos perfeitamente alinhados.
Salman também disputa poder dentro da confederação
O contexto da eleição da AFC merece atenção porque o presidente da entidade também está em campanha para permanecer no cargo. Salman recebeu o apoio de Infantino durante o congresso, criando uma aproximação pública entre duas disputas eleitorais. Isso não comprova uma troca formal de votos, mas evidencia que a relação entre lideranças continentais e a presidência da Fifa faz parte do cálculo político.
Na prática, o apoio mútuo pode ajudar os dois dirigentes a projetar estabilidade e unidade diante de suas bases. Ao dizer que a família asiática está pronta para seguir unida em apoio a Infantino, Salman apresentou a posição como uma decisão regional. Ainda assim, a fala não detalha como cada associação asiática se manifestará individualmente na votação presidencial da Fifa.
Essa distinção importa porque uma confederação reúne interesses diversos. Federações nacionais podem ter prioridades diferentes sobre calendário, financiamento, competições e representação. Por isso, a declaração do presidente da AFC tem peso político e simbólico, mas não elimina a necessidade de acompanhar as manifestações das associações que compõem o colégio eleitoral.
Competições e governança seguem no centro da discussão
A disputa não se limita à permanência de um dirigente. O caso da Fifa Forward Enterprise expôs questões sobre o modelo de gestão das competições, a entrada de capital privado e os limites da autoridade da presidência. Mesmo com o plano retirado, as divergências sobre participação das confederações e transparência nas decisões podem continuar influenciando a campanha.
O calendário internacional também concentra interesses comerciais e esportivos. A definição do Catar como sede da Copa Intercontinental, assunto detalhado na reportagem sobre a sede da Copa Intercontinental, ilustra a escala das decisões que a Fifa administra. Escolhas de sede e formato afetam clubes, torcedores, patrocinadores e federações, e ajudam a explicar por que as confederações cobram participação na condução do futebol global.
Não há, porém, base para tratar a desistência da empresa como solução definitiva para todas as críticas. O recuo resolveu o impasse específico que cercava a proposta de venda de ações, mas as declarações anteriores apontavam também para uma disputa mais ampla sobre liderança e poder. A campanha eleitoral será um teste para saber se a reconciliação com a AFC se traduz em uma coalizão duradoura ou permanece restrita ao gesto anunciado em Tóquio.
O que observar até a votação
Os próximos sinais concretos serão o encerramento do prazo de candidaturas, novas declarações de confederações e a confirmação do apoio das associações nacionais. A manutenção da distância entre Infantino e parte da Uefa e da Concacaf, somada ao apoio da AFC e da CAF, mantém a eleição em movimento. A posição da Conmebol também merece atenção, já que a entidade criticou a proposta comercial, mas não defendeu a saída do atual presidente.
Para avaliar o peso real da reaproximação, o indicador mais útil será a composição efetiva dos apoios, não apenas o tom dos discursos. A AFC devolveu a Infantino uma parceria de grande visibilidade e Salman obteve o respaldo do dirigente em sua própria disputa. Mas, com 211 votos nacionais e candidaturas ainda abertas no momento da notícia, o resultado continuava dependente das articulações que ocorreriam até março.
O apoio asiático recoloca Infantino em posição mais confortável, sem apagar as divergências que abalaram sua relação com outras regiões. A decisão da AFC sinaliza que a retirada do plano empresarial abriu espaço para uma reconciliação, mas a disputa pela presidência da Fifa seguirá condicionada à adesão das federações. Até a votação, o melhor termômetro será acompanhar quem transforma declarações públicas em compromissos eleitorais claros.

