Alex Telles tornou a bola parada uma arma decisiva para o Botafogo em 2026: o capitão soma sete gols na temporada, incluindo duas cobranças de falta, e conta que o fundamento começou a ser trabalhado ainda na infância. A evolução chega em momento de pressão no Campeonato Brasileiro, antes do confronto com o Internacional, no Beira-Rio, tratado pelo lateral como uma decisão.
Fatos centrais da notícia
- Alex Telles marcou sete gols pelo Botafogo em 2026 e diversificou as formas de finalização.
- O lateral treina cobranças de falta e pênaltis depois das atividades com o elenco.
- O Botafogo ocupa a 11ª posição, com 39 pontos, e encara o Internacional fora de casa.
Índice do Artigo
Alex Telles recupera a confiança nas cobranças de falta
Os dois gols mais recentes de falta do lateral foram marcados em clássicos contra Fluminense e Vasco. Para o jogador, a sequência representa mais do que uma contribuição direta no placar: ela encerra um período de cobrança pessoal e devolve confiança a um recurso que ele acredita poder mudar o rumo de uma partida.
Alex contou que já imaginava que o primeiro gol de falta poderia destravar a confiança para tentar novamente. A expectativa se confirmou, e ele voltou a balançar as redes com uma cobrança. A leitura ajuda a entender por que o fundamento ganha peso em jogos equilibrados: uma bola parada pode oferecer uma oportunidade de finalização sem que a equipe precise construir uma longa sequência de passes.
O repertório do capitão, no entanto, não se limita às faltas. Em 2026, ele também marcou de pênalti, de fora da área, por cobertura e de cabeça. Essa variedade amplia as possibilidades ofensivas do Botafogo e torna o lateral uma ameaça em situações diferentes, tanto em lances trabalhados quanto em chegadas à área.
Com sete gols no ano, Alex está perto de completar 34 anos e vive uma temporada de produção ofensiva expressiva. O próprio histórico mostra uma marca superior: foram 13 gols pelo Porto na temporada 2019/20. O número atual, ainda abaixo daquele registro, evidencia que o lateral voltou a participar com frequência das ações de ataque sem deixar de lado as obrigações defensivas da posição.
Alex Telles transformou treino de infância em ferramenta de jogo
A origem do hábito está na infância, quando tinha cerca de nove ou dez anos. O pai, José Telles, levava o filho a um clube para passar tempo com a família e o incentivava a treinar no campo. A tarefa era acertar uma camisa colocada como alvo; se não conseguisse, Alex precisava continuar tentando antes de deixar o gramado.
O exercício, segundo o jogador, ajudou a desenvolver a busca por precisão e a percepção de onde colocar a bola. Não era apenas repetir o movimento de bater na bola: havia um alvo e a necessidade de ajustar a direção. Esse tipo de prática individual, iniciado cedo, foi criando familiaridade com o fundamento muito antes de ele se tornar uma responsabilidade importante no futebol profissional.
Já nas categorias profissionais, Alex passou a enxergar a bola parada como uma maneira de acrescentar algo ao seu jogo. Ele observa que os laterais costumam ser exigidos fisicamente, com ultrapassagens e cruzamentos. Nesse contexto, dominar cobranças pode criar uma diferença adicional, principalmente quando o jogo oferece poucas oportunidades em movimento.
O trabalho não se restringe a um lado do campo. Alex disse que costuma treinar cobranças de diferentes posições e que, embora alguns de seus gols em cruzamentos tenham vindo de um setor específico, procura praticar dos dois lados. A variação importa porque o ângulo, a distância, a posição da barreira e o posicionamento do goleiro mudam a decisão técnica exigida em cada lance.
Rotina curta e gestão de carga sustentam o fundamento
Aos 34 anos, que completa no fim do ano, Alex afirma que adapta o treinamento à própria condição física e à programação da equipe. Em geral, reserva um ou dois dias antes da partida para trabalhar bola parada com o grupo. Depois do treino, permanece no campo para executar aproximadamente dez ou 15 faltas e, no mínimo, quatro ou cinco pênaltis.
Esse volume descrito pelo jogador mostra uma rotina complementar, não uma sessão extensa que substitua o trabalho coletivo. A escolha de fazer repetições após o treino permite manter o foco no fundamento, enquanto a adaptação da carga ajuda a conciliar a preparação específica com as exigências de uma temporada. O próprio lateral reconhece que a experiência também o ajuda a ajustar o treinamento.
Na cobrança de falta, repetir o gesto é apenas parte da preparação. O jogador precisa controlar a força e a direção, considerar a distância até o gol e avaliar a barreira e o posicionamento do goleiro. Um treino que contempla diferentes ângulos e lados do campo pode preparar o cobrador para mais cenários do que a repetição de um único movimento em condições iguais.
As cobranças de pênalti exigem outro tipo de execução e de decisão. A rotina mencionada por Alex mantém esse recurso em seu repertório, mas os gols recentes de falta chamaram atenção justamente por mostrarem uma alternativa que, segundo ele, estava sem aparecer havia alguns anos. A sequência bem-sucedida pode influenciar a confiança, mas não elimina a necessidade de continuar treinando.
O impacto coletivo também vai além de marcar diretamente. Uma equipe com cobradores capazes de ameaçar o gol pode obrigar o adversário a defender com mais cuidado perto da área, evitando faltas em posições perigosas. Alex, por sua vez, afirmou que os gols variados lhe dão mais confiança para avançar e contribuir também no ataque, sem reduzir a importância de suas tarefas defensivas.
Botafogo encara o Internacional sob pressão na tabela
O momento individual de Alex coincide com uma fase em que cada resultado pesa na classificação. O Botafogo aparece em 11º lugar no Campeonato Brasileiro, com 39 pontos. Segundo o capitão, a disputa entre equipes que ocupam posições do meio para a parte inferior da tabela está concentrada em poucos pontos, cenário que torna cada rodada capaz de alterar o quadro.
O próximo compromisso informado pelo clube é contra o Internacional, no Beira-Rio, às 16h30 de sábado. Alex descreveu a partida como decisiva para os dois lados e reconheceu a força do adversário em casa. A estratégia que ele defendeu combina respeito ao Inter com intensidade: competir com firmeza e buscar os pontos, em vez de apenas proteger o resultado.
O lateral também apontou que o técnico Tite vive um bom momento para ajustar o que a equipe precisa corrigir. A experiência do treinador, na avaliação de Alex, pode ser relevante numa disputa em que a margem entre diferentes posições é pequena. O jogador ainda recordou sua relação positiva com Tite na Seleção Brasileira, a quem considera um dos treinadores mais humanos com quem trabalhou.
A pressão por pontos não é exclusiva do Botafogo. A rodada e a tabela mantêm diferentes equipes envolvidas em confrontos de alto impacto, como o duelo entre Chapecoense e Fluminense, que coloca em alerta interesses distintos na classificação. Esse quadro ajuda a dimensionar a afirmação de Alex de que os jogos do campeonato passaram a ser encarados como finais.
Em outro cenário da competição, o resultado e o desempenho também podem produzir leituras diferentes, como ocorreu na vitória do Cruzeiro sobre o Remo, acompanhada de questionamentos sobre a atuação antes de um clássico. A análise está em vitória do Cruzeiro e alerta antes do clássico. Para o Botafogo, o ponto prático é claro: pontuar fora de casa pode ser determinante, mas a equipe terá de responder ao nível de exigência do adversário.
O que a bola parada pode mudar na reta do campeonato
O valor de Alex para o Botafogo está na combinação de funções. Como lateral, precisa manter capacidade de recomposição, defender o corredor e apoiar as jogadas pelos lados. Como cobrador, acrescenta uma opção de finalização que pode ser decisiva quando a construção ofensiva encontra dificuldades. A contribuição não depende apenas de quantos gols ele marca, mas também da ameaça que representa quando se aproxima da bola.
Para o próprio jogador, a sequência recente confirma que a cobrança de falta pode voltar a ser um diferencial. Mas os gols não garantem que toda tentativa futura terminará da mesma forma, nem substituem a organização coletiva. O fundamento funciona como recurso complementar: em partidas apertadas, uma execução precisa pode resolver; quando a oportunidade não aparece, a equipe ainda precisa criar por outros caminhos.
O Botafogo chega ao duelo com o Internacional apoiado na experiência do capitão e na possibilidade de explorar diferentes formas de ataque. A trajetória da bola parada de Alex começou com cobranças repetidas na infância e hoje integra sua preparação profissional, ajustada à carga e ao calendário. Para transformar essa confiança em pontos, a equipe precisará manter equilíbrio defensivo e aproveitar as chances que surgirem no Beira-Rio.
Com sete gols na temporada e duas cobranças de falta recentes, Alex Telles oferece ao Botafogo uma alternativa concreta em um campeonato de margens estreitas. O próximo passo é levar essa ameaça para um jogo que o próprio elenco trata como decisão: enfrentar o Internacional com intensidade, preservar a consistência coletiva e converter as oportunidades em resultado.


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