Da desconfiança à idolatria: A ascensão de Fábio no Fluminense
Aos 45 anos, o goleiro Fábio coleciona feitos notáveis com a camisa do Fluminense. Inicialmente recebido com ceticismo pela sua idade, o jogador não apenas conquistou seu espaço no time titular, mas também se mantém em altíssimo nível, tornando-se uma peça fundamental na equipe. Para aqueles que acompanham o dia a dia do arqueiro, seu desempenho excepcional é um reflexo direto de uma dedicação incansável e um trabalho rigoroso.
O segredo por trás da longevidade: Rotina e mentalidade de um atleta de elite
André Carvalho, preparador de goleiros do Fluminense, concedeu uma entrevista ao ge, onde detalhou a rotina peculiar de Fábio e revelou curiosidades que explicam a impressionante longevidade do atleta. A desconfiança inicial, comum no mercado quando um jogador de idade avançada é contratado, era palpável. Carvalho relembra a conversa com o presidente Mário Bittencourt antes da chegada de Fábio, após sua longa passagem pelo Cruzeiro.
“Surgiu no mercado o nome do Fábio. Ele (Mário Bittencourt) me chamou na sala dele e disse: ‘Fábio. Vou trazer ele’. E eu fiquei: ‘Como assim, presidente?’ 41 anos… Preocupa qualquer pessoa. Na intensidade do futebol hoje, ainda mais o meu trabalho que é com intensidade. Na época eu fiquei preocupado. O presidente trouxe, ele chegou e conversei com ele. Uma semana depois eu chamei o presidente na sala: ‘Quero te dizer que o cara é um fenômeno e tem lenha para caramba para queimar. Se você quiser renovar com ele pode renovar’”, contou Carvalho.
Um profissional exemplar: Dedicação que inspira
Com a convivência, a admiração de Carvalho por Fábio só aumentou. Mesmo aos 45 anos, após quatro temporadas no clube carioca e a conquista da Libertadores, não há previsão para a aposentadoria do goleiro. Fábio é um exemplo diário, desde sua pontualidade até a sua presença nos treinos no dia seguinte às partidas, quando os titulares geralmente descansam. Ele faz questão de estar em campo, mesmo sem a necessidade de fisioterapia, massagem ou musculação, focando exclusivamente nos treinos de campo.
“Ele nunca ficou fora de um treino pós-jogo e o engraçado é que ele não vai na fisioterapia, não faz massagem, não vai na musculação, é só treino de campo. É um profissional que tem que ser estudado. O mental dele é muito forte, o nível de concentração… Não imaginava um cara de 41 anos assim. Para mim é sobrenatural e, agora, aos 45, fazer o que ele faz hoje… Mas tem muita dedicação, foco, cara de muita fé, que se cobra muito. O dia a dia dele aqui é muito bom porque ele me ajuda a corrigir essa integração que a gente faz entre base e profissional. Ele faz a gente evoluir no dia a dia em relação a tudo. Ele treina mais que o atleta da base que vem aqui. Não é normal. Por isso também que deu liga, junta o útil ao agradável”, comentou o treinador sobre o ritmo intenso de treino.
Hábitos incomuns: Sono reduzido e treinos em jejum
Uma das curiosidades da rotina de Fábio é que ele dorme pouco, cerca de metade do tempo recomendado pela ciência. Mesmo após apenas quatro horas de sono, é comum vê-lo no clube no dia seguinte, como um atleta em plena forma. Mais surpreendente ainda é o fato de que, por propósito de fé ou por motivos religiosos, Fábio não raramente treina em jejum.
“Tem o grupo dos goleiros aqui (em aplicativo de mensagens) e, às vezes, três horas e meia da manhã ele está mandando mensagem. Fico pensando: ‘esse cara é fora do normal, nesse horário quer conversar’. Aí dorme um pouquinho e oito horas está aqui igual um louco”, brincou o treinador. “Tem o grupo dos goleiros aqui (em aplicativo de mensagens) e, às vezes, três horas e meia da manhã ele está mandando mensagem. Fico pensando: ‘esse cara é fora do normal, nesse horário quer conversar’. Aí dorme um pouquinho e oito horas está aqui igual um louco”, brincou o treinador. André garantiu que, apesar desses hábitos incomuns, o rendimento de Fábio sob as traves nunca foi afetado.
Liderança e leveza: O Fábio fora de campo
Contrariando a imagem que se tem em campo ou pela televisão, Fábio é conhecido pela leveza e bom humor no dia a dia. Ele leva a rotina com descontração, mas mantém o respeito de todos. No vestiário, é frequentemente o líder em momentos cruciais, como nas conversas antes das partidas. Sua capacidade de inspirar confiança e passar mensagens motivadoras aos companheiros é um diferencial.
“O diferencial dele é que além de ter muita fé, família, comprometimento é muito competitivo e vencedor. O que deixa mais motivado é quando ele pega a palavra no vestiário. Ele passa muita confiança, com palavras que entram na nossa mente. Ele usa a palavra certa para que os jogadores entrem confiantes nos jogo. Antes do Fla-Flu eu saí todo arrepiado”, concluiu Carvalho. Fábio e seus companheiros se preparam agora para mais um clássico, desta vez contra o Botafogo, pelo Campeonato Carioca.

