Botafogo com Tite já tem novos protagonistas e jogadores que perderam espaço: Matheus Martins e Domingos Andrade ganharam oportunidades, enquanto Justino e Villalba ficaram para trás. Após cinco partidas, o treinador soma uma vitória, um empate e três derrotas, com três gols marcados e oito sofridos. As mudanças indicam uma nova disputa por vagas, mas ainda não produziram a reação esperada em campo.
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Botafogo com Tite: a defesa ganhou uma disputa inesperada
Uma das alterações mais evidentes aconteceu na zaga. Justino havia construído uma sequência relevante antes da chegada do novo técnico: participou de 23 jogos, sendo titular em 18. Mesmo assim, ainda não entrou em campo sob o comando de Tite, uma mudança significativa para um defensor que vinha sendo utilizado com frequência.
A ausência de Justino chama mais atenção porque o Botafogo também lidou com desfalques de Monzón e Arthur Chaves. Em vez de recorrer ao zagueiro, Tite optou por deslocar Marçal para o centro da defesa e formar dupla com Ferraresi. A escolha abriu espaço para o veterano, que começou as três partidas mais recentes.
Ferraresi, por sua vez, virou a peça mais estável do setor: foi o único zagueiro a iniciar como titular todos os cinco compromissos da comissão técnica. A sequência sugere que, neste momento, o venezuelano ocupa posição consolidada na defesa, enquanto as demais vagas seguem sujeitas a adaptações e concorrência.
A improvisação de Marçal pode ser entendida como uma resposta às opções disponíveis, mas também deixa uma pergunta prática para a sequência: quando os defensores ausentes estiverem novamente à disposição, Tite manterá o lateral na zaga ou devolverá espaço a Justino? Até lá, a utilização do elenco mostra que a experiência e a versatilidade pesaram mais do que a sequência anterior do defensor.
Botafogo com Tite abre espaço para Matheus Martins
No setor ofensivo, Matheus Martins aparece entre os beneficiados pela mudança de comando. Tite passou a escalá-lo pelo lado esquerdo, posição em que o atacante prefere atuar. A escolha dá ao jogador mais oportunidades de enfrentar o marcador no um contra um e explorar a velocidade em situações de ataque.
O posicionamento não é apenas uma troca de nome na escalação. Para um ponta, atuar no lado de maior conforto pode facilitar a condução, a aceleração e a tentativa de ultrapassar o defensor. Essa vantagem, porém, precisa aparecer em ações que ajudem a equipe a criar chances e finalizar melhor. O fato de Matheus ter recebido mais espaço é um sinal de confiança, não uma garantia de que a produção ofensiva já esteja resolvida.
Esse tipo de aposta também se relaciona com a discussão mais ampla sobre oportunidades para jovens jogadores no futebol brasileiro. O caso de Matheus no Botafogo é diferente, mas ajuda a observar como decisões de comissão técnica podem alterar o caminho de atletas em formação ou em busca de afirmação, como mostra a trajetória de Phillipe Gabriel no radar europeu.
Outra alteração relevante ocorreu no comando do ataque. Arthur Cabral começou o trabalho de Tite como titular, mas Tiquinho Soares ocupou a posição nos dois jogos mais recentes. A troca indica que o treinador está testando alternativas para tentar melhorar a presença ofensiva e a participação do centroavante no jogo coletivo.
Arthur Cabral atravessa um período de jejum de gols e tenta recuperar espaço. Para um atacante central, a avaliação não depende apenas de balançar a rede: também entram na conta a capacidade de sustentar a bola, atacar cruzamentos, pressionar a saída rival e conectar os companheiros. Ainda assim, quando a equipe marca pouco, a disputa entre os centroavantes tende a ficar mais exposta e cada oportunidade ganha peso.
Tiquinho, por outro lado, recebeu a chance de iniciar os dois compromissos mais recentes. A sequência pode representar uma tentativa de encontrar outro perfil para a função, mas não significa, por si só, que a hierarquia esteja definida para o restante da temporada. O rendimento nos jogos e a resposta do time no ataque devem influenciar as próximas escolhas.
Allan ganha sequência, enquanto Huguinho espera nova chance
No meio-campo, a disputa entre Allan e Huguinho também mudou de direção. Huguinho começou como titular contra Mirassol e Vasco, mas perdeu a vaga para Allan. O volante mais experiente passou a receber continuidade, enquanto o jovem, que esteve com a seleção brasileira sub-20 durante a Data Fifa, voltou a aparecer como opção no banco.
Contra o Internacional, Huguinho entrou no segundo tempo. A utilização mostra que ele segue no planejamento, embora não esteja, neste momento, entre as primeiras escolhas para iniciar as partidas. Para um atleta jovem, minutos como substituto podem ser importantes, mas não equivalem à sequência necessária para consolidar uma posição no time.
A decisão por Allan pode oferecer mais experiência e estabilidade ao setor, especialmente em uma equipe que tenta ajustar o equilíbrio entre proteção defensiva e construção das jogadas. O custo dessa escolha é reduzir, ao menos temporariamente, a participação de Huguinho desde o início. A disputa não se resume à idade: depende do papel tático que Tite espera de cada volante e das necessidades de cada confronto.
Domingos Andrade é outro meio-campista que ganhou presença. Ele saiu do banco nas três partidas mais recentes, diante de Coritiba, Chapecoense e Internacional. Antes desse período, sua única participação havia sido contra o Vitória, ainda no último jogo de Franclim Carvalho.
A sequência de entradas pode indicar que Tite está ampliando as opções consideradas para o meio, embora Domingos ainda não tenha começado uma partida como titular nesse recorte. Entrar durante o jogo permite ao treinador observar o atleta em diferentes cenários, mas a confirmação de uma mudança de hierarquia dependerá de novas oportunidades e de eventual presença entre os onze iniciais.
Villalba perde terreno em meio a resultados ruins
Na outra ponta da disputa está Villalba. O jogador atuou por apenas 29 minutos na estreia de Tite, contra o Mirassol, e depois só voltou a ser relacionado para o confronto com a Chapecoense. A diferença entre estar à disposição e efetivamente entrar em campo é importante: a convocação mantém o atleta entre as alternativas, mas o tempo reduzido aponta para uma participação menor.
O panorama do elenco, portanto, não é uma simples troca de titulares. Há jogadores que passaram a receber minutos, outros que perderam sequência e atletas cuja função ainda parece depender do adversário ou das circunstâncias do jogo. Matheus Martins e Domingos Andrade ganharam presença; Allan assumiu espaço de Huguinho; Tiquinho foi escolhido no lugar de Arthur Cabral; e Justino e Villalba tiveram menos participação.
Essas decisões acontecem em um momento de pressão sobre o desempenho coletivo. Nos cinco jogos analisados, o Botafogo venceu uma vez, empatou uma e perdeu três, além de marcar três gols e sofrer oito. A derrota por 3 a 0 para o Internacional reforçou a dificuldade de equilibrar os setores: a equipe precisa defender melhor sem deixar de construir oportunidades para seus atacantes.
O retrospecto ainda é curto para tratar cada escolha como definitiva. Cinco partidas permitem identificar tendências, mas não bastam para concluir que um jogador foi descartado ou que outro já se firmou. Lesões, condição física, características do adversário e desempenho nos treinos também interferem nas escalações — fatores que não podem ser medidos apenas pela lista de titulares.
O que a próxima partida pode revelar sobre o Botafogo com Tite
Depois da derrota para o Internacional, o próximo compromisso citado para Tite era contra o Remo, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida surge como uma nova oportunidade para o treinador ajustar a equipe e avaliar se as mudanças de peças conseguem melhorar a consistência. O principal sinal a observar não é apenas quem começa jogando, mas se o time consegue produzir mais no ataque e reduzir os espaços concedidos.
O contexto institucional do clube também ajuda a entender por que as decisões esportivas atraem atenção. O Clube Social passou a deter 99% das ações da SAF Botafogo, uma mudança de controle que corre em paralelo às discussões sobre o futuro do futebol alvinegro. O tema é detalhado nesta análise sobre a SAF do Botafogo e seus credores, embora a reorganização societária não explique, por si só, as escolhas de escalação.
Para Tite, o desafio imediato é transformar testes individuais em melhora coletiva. A equipe precisa encontrar uma defesa mais segura, definir combinações no meio e dar condições para que os atacantes participem com maior frequência das jogadas decisivas. Ao mesmo tempo, a disputa interna pode ser útil se elevar o nível de competição sem interromper a confiança dos atletas que perderam minutos.
O recado das primeiras cinco partidas é de uma hierarquia em movimento, não de uma revolução concluída. Matheus Martins e Domingos Andrade estão entre os que receberam novas chances; Allan e Tiquinho ganharam espaço nas disputas por posição; Justino, Huguinho, Arthur Cabral e Villalba buscam recuperar participação. O jogo contra o Remo representa uma oportunidade concreta para medir se essas escolhas começam a produzir respostas no placar e no desempenho.

