A seca de gols do Botafogo levou Tite a reforçar o trabalho de finalizações e testar alternativas ofensivas antes do duelo com o Atlético-MG, marcado para quarta-feira, às 21h30, no Nilton Santos. O time ocupa a 12ª posição do Brasileirão, com 39 pontos, e está a quatro da zona de rebaixamento. Nos últimos dez gols alvinegros, apenas um foi marcado por um atacante.
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Seca de gols do Botafogo expõe problema entre os atacantes
O dado que mais chama atenção é a baixa participação dos homens de frente nas conclusões convertidas. Tiquinho Soares foi o único atacante a balançar a rede nesse recorte, ao marcar o gol da vitória sobre a Chapecoense, na 31ª rodada. A estatística ajuda a dimensionar a dificuldade, embora não explique sozinha as causas da produção ofensiva irregular.
Arthur Cabral, que vinha como titular, atravessa uma sequência de 17 partidas sem marcar. Júnior Santos não faz gol desde abril, enquanto Matheus Martins e Danilo Pereira não balançam a rede desde agosto. São períodos diferentes e trajetórias distintas, mas a falta de gols dos atacantes aumenta a pressão sobre o setor e sobre as escolhas da comissão técnica.
O momento também se desenrola em uma zona delicada da tabela. Com quatro pontos de vantagem para a área de rebaixamento, cada rodada tem peso direto para o Botafogo. A equipe precisa transformar oportunidades em pontos, mas a urgência não elimina a necessidade de criar chances com organização, em vez de depender apenas de cruzamentos ou de uma reação nos minutos finais.
O contraste com equipes que conseguem sustentar desempenho defensivo também ajuda a entender como a consistência coletiva pode influenciar uma campanha. Em outro recorte do futebol brasileiro, o destaque defensivo do Palmeiras na rodada mostra uma dimensão diferente do jogo: controlar o risco sem a bola também pode oferecer base para atacar com mais segurança.
Treino de finalizações coloca cruzamentos e ocupação da área em foco
Em uma atividade parcialmente aberta à imprensa no sábado, Tite conduziu um exercício de finalizações ao lado do auxiliar Marcelo Salles. O trabalho envolveu combinações entre laterais, pontas e zagueiros, com avanço pelos lados e cruzamentos rasteiros ou pelo alto. Na área, Tiquinho, Arthur Cabral e os meias apareciam como opções para concluir.
O desenho do exercício oferece pistas sobre o que a comissão procura aprimorar: a conexão entre quem prepara a jogada e quem ocupa a zona de finalização. Um cruzamento pode gerar perigo, mas sua eficácia depende do tempo de chegada, da ocupação dos espaços e da capacidade de antecipar a marcação. Se os atacantes chegam isolados ou atrasados, o volume de bolas na área não se converte automaticamente em gols.
Há também uma diferença prática entre treinar a conclusão e resolver toda a construção ofensiva. A finalização é a etapa final de uma sequência que começa na recuperação ou na saída de bola, passa pela progressão e exige escolhas corretas perto da área. Por isso, o exercício observado ganha significado como parte de um trabalho mais amplo, mas não permite concluir, por si só, que o Botafogo encontrou uma solução definitiva.
Para avaliar se a melhora apareceu em campo, o volume de chutes precisa ser lido junto com a qualidade das chances. Finalizações de dentro da área, tentativas sem oposição e oportunidades criadas após combinações claras costumam oferecer sinais mais úteis do que a contagem isolada de arremates. A notícia não apresenta esses números, então o impacto do treino só poderá ser medido pelo desempenho nos próximos jogos.
Tiquinho fala em trabalho coletivo e tenta recuperar confiança
Autor do gol diante da Chapecoense, Tiquinho foi questionado sobre como pode ajudar Arthur Cabral a atravessar a fase sem marcar. O centroavante afirmou que a recuperação depende do grupo, citou a troca de informações e movimentos entre companheiros e demonstrou confiança de que o camisa 9 voltará a marcar. Também descreveu Cabral como um jogador que segue trabalhando e tentando contribuir.
A fala traduz uma questão recorrente para atacantes: a confiança pode ser afetada quando as oportunidades não terminam em gol, mas a resposta não costuma depender apenas de incentivo. Repetição de movimentos, leitura do espaço e participação nas jogadas ajudam a manter o centroavante conectado à partida enquanto a bola não entra. Para o treinador, a tarefa é equilibrar apoio ao jogador e concorrência por uma vaga.
Tiquinho assumiu a posição contra a Chapecoense e marcou, mas começou no banco no compromisso seguinte, diante do Remo. Na reta final da derrota por 2 a 1, ele e Cabral atuaram juntos enquanto o Botafogo tentava buscar o empate. Edenilson descontou, porém a reação não foi suficiente para evitar o resultado negativo.
O próprio Tiquinho descreveu a dupla utilização como uma resposta à situação da partida, quando a equipe estava atrás no placar e precisava aumentar a presença ofensiva. Isso não confirma que os dois começarão juntos contra o Atlético-MG. A decisão depende do plano de Tite, do equilíbrio entre ataque e recomposição e de como a equipe pretende ocupar a área desde o início.
Testes nas pontas ampliam as alternativas de Tite
As mudanças não se limitaram aos centroavantes. Contra o Remo, Matheus Martins foi substituído no intervalo por Kauan Toledo, que deixou boa impressão com algumas jogadas. Ziyech começou aberto pela direita e passou a atuar por dentro na segunda etapa, mas a alteração não produziu o efeito esperado. As experiências indicam que a comissão busca combinações capazes de aproximar a equipe do gol.
O posicionamento de um jogador aberto ou centralizado altera a forma de atacar. Um ponta pode esticar o campo e oferecer profundidade, enquanto um meia por dentro pode aproximar os setores e participar da criação. A escolha, no entanto, exige que laterais e meio-campistas ajustem seus movimentos: se todos ocupam a mesma faixa, a equipe perde espaço; se ficam distantes, o portador da bola encontra poucas opções de passe.
Medina atuou como camisa 10 contra o Remo, ocupando a vaga de Montoro, que estava suspenso. A expectativa era de que o jovem argentino voltasse contra o Atlético-MG. Danilo, por sua vez, treinou separado no sábado depois de sentir desconforto muscular. A informação disponível não confirma se ele estará à disposição para a partida, o que mantém uma dúvida na preparação.
O caso de Danilo é relevante porque alterações no meio podem afetar tanto a chegada ao ataque quanto a proteção na perda da bola. Ainda assim, não há confirmação de diagnóstico ou prazo de retorno. Tratar o treino separado como garantia de ausência seria antecipar uma decisão que cabe à comissão e depende da evolução do jogador.
Pressão aumenta antes da partida contra o Atlético-MG
O próximo jogo reúne duas necessidades para o Botafogo: pontuar para preservar distância da zona de rebaixamento e mostrar sinais de recuperação no ataque. A equipe recebe o Atlético-MG no Nilton Santos às 21h30 de quarta-feira. Nesse cenário, a pressão por resultado pode levar a mudanças, mas uma escalação mais ofensiva também precisa manter equilíbrio para não abrir espaços ao adversário.
O desafio de Tite é decidir se prioriza a continuidade de uma estrutura ou se altera peças para buscar resposta imediata. A entrada de um segundo centroavante, por exemplo, pode aumentar a presença na área, mas também exige abastecimento pelos lados e cobertura adequada no meio. Já uma formação com pontas pode oferecer velocidade e amplitude, desde que os jogadores consigam transformar essas características em chegadas perigosas.
O futebol brasileiro tem outros exemplos recentes de como o resultado muda o ambiente em torno de uma equipe e de seu treinador. A vitória do Grêmio sobre o Atlético por 2 a 0, que aproximou o clube da final da Copa do Brasil, ilustra o peso de uma atuação decisiva em uma disputa de alta pressão. Para o Botafogo, o contexto é diferente, mas a necessidade imediata também é converter o trabalho da semana em resposta competitiva.
O treino de finalizações não apaga a sequência negativa nem assegura uma mudança instantânea. Ele revela, porém, uma tentativa concreta de melhorar a conexão entre os lados do campo e os jogadores que atacam a área. A partida contra o Atlético-MG será o primeiro teste para observar se Tite mantém as experiências recentes, recupera peças ou aposta em uma dupla de centroavantes.
Com Arthur Cabral pressionado pela longa seca, Tiquinho respaldando o companheiro e outras opções sendo observadas nas pontas, o Botafogo precisa transformar insistência em chances mais limpas. A medida decisiva será a produção coletiva: criar oportunidades de qualidade, ocupar a área com critério e evitar que a urgência por marcar desorganize a equipe. O resultado no Nilton Santos pode aliviar a pressão ou tornar a cobrança ainda maior.

