Índice do Artigo
- Pontos Principais
- O abismo entre o futebol capixaba e o búlgaro
- Sonhos realizados graças ao contrato búlgaro
- Contexto: a sina dos jogadores capixabas
- Conclusão: o exemplo de Buá acende alerta no futebol brasileiro
- Perguntas Frequentes
- O Buá ainda joga na Bulgária? Qual clube?
- Por que Buá foi para a Bulgária?
- Quais clubes Buá defendeu no Brasil?
Pontos Principais
- Natural de Cariacica (ES), Buá trocou a vida de motorista de aplicativo por um contrato de dois anos e meio na Bulgária.
- No clube búlgaro, recebe salário em dia, moradia e assistência médica – algo raro no futebol capixaba.
- Já na elite local, pelo Spartak Varna, o meia-atacante realizou sonhos como conhecer a Disney e planejar o futuro.
Imagine ter que dirigir um carro por horas depois de um treino pesado para pagar as contas. Essa era a realidade de Buá, meia-atacante capixaba de 26 anos, até 2026. Hoje, viver só do futebol deixou de ser um sonho distante. O atleta, que atuava pelo Rio Branco-ES e complementava a renda como motorista de aplicativo, conseguiu um contrato na Bulgária e agora vive exclusivamente da bola. A virada de chave veio com uma proposta do Dobrudzha Dobrich, da segunda divisão local, e o jogador nunca mais olhou para trás.
Em entrevista ao ge, Buá revelou que a segurança financeira foi o principal motivo para aceitar o desafio europeu. “No Rio Branco, eu treinava e trabalhava como motorista de aplicativo para arcar com as despesas. O que mais me agradou na proposta foi a segurança do contrato. No Espírito Santo, a gente trabalha seis meses e, nos outros seis, fica desempregado. Quando me ofereceram dois anos e meio de contrato, eu não tinha como recusar. Hoje eu consigo viver só do futebol”, afirmou o jogador.
O abismo entre o futebol capixaba e o búlgaro
A diferença de tratamento entre Brasil e Bulgária é tão grande que chega a doer. Enquanto no Espírito Santo os jogadores são vistos como descartáveis – com contratos de três meses e salários atrasados –, no Leste Europeu Buá encontrou uma estrutura profissional que muitos atletas brasileiros só veem na televisão. “Aqui você recebe toda a estrutura: casa, médico, tudo à sua disposição. No Espírito Santo, a gente não é tratado da mesma forma. Só dão valor para quem vem de fora”, desabafou.
Os números do contraste podem ser vistos na tabela abaixo:
| Aspecto | Futebol Capixaba | Futebol Búlgaro (2ª divisão) |
|---|---|---|
| Duração do contrato | 3 a 6 meses | 2 a 5 anos |
| Salário em dia | Raramente | Sempre |
| Moradia fornecida | Não | Sim |
| Assistência médica | Básica | Completa |
| Planejamento de longo prazo | Impossível | Possível |
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Sonhos realizados graças ao contrato búlgaro
Com o dinheiro certo todo mês, Buá conseguiu realizar um sonho antigo: conhecer a Disney. “Eu tinha o sonho de conhecer a Disney e consegui por meio do meu contrato aqui na Bulgária, pela segurança e pelo dinheiro com que você pode contar todo mês. Não atrasam salário igual no Espírito Santo”. A frase mostra como o básico – ter o salário depositado na data certa – se tornou um privilégio para o atleta.
Recém-anunciado pelo Spartak Varna, da primeira divisão búlgara, Buá terá a chance de jogar em um nível ainda mais alto. Antes, passou pelo Dobrudzha e pelo Sportist Svoge, ambos da segunda divisão. Aos 26 anos, ele sente que está vivendo o ápice da carreira. “Estou vivendo meu sonho. O coração aperta um pouco em deixar a família, mas não posso levar isso como negativo, pois é o que minha família sempre fez por mim. Eles estão muito felizes com minha carreira”, completou.
Contexto: a sina dos jogadores capixabas
Buá é mais um capixaba que precisou sair do estado para ter dignidade na profissão. Revelado pela Desportiva Ferroviária na Copinha de 2019, passou por Serra, Rio Branco-ES e Estrela do Norte antes de aceitar a oferta búlgara. A falta de um calendário estável e de investimentos no futebol local faz com que muitos atletas abandonem a carreira ou se submetam a empregos paralelos.
No caso de Buá, a opção pela Bulgária foi uma decisão pragmática, mas também emocionante. “Se eu estivesse no Brasil, não poderia planejar nada. Imagina você programar algo com um contrato de só três meses, tendo que fazer um bom campeonato para não ficar desempregado?”, questionou. A pergunta fica no ar para todos os jovens talentos que sonham em viver do futebol no Brasil.
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Conclusão: o exemplo de Buá acende alerta no futebol brasileiro
A trajetória do meia-atacante capixaba não é apenas uma história de superação individual, mas um retrato cruel do descaso com o futebol de base em muitos estados brasileiros. Enquanto a Bulgária oferece contratos longos, estrutura e pontualidade, o Espírito Santo trata seus jogadores como mão de obra temporária. Buá, ao viver só do futebol em terras búlgaras, prova que o talento brasileiro é valorizado lá fora – mas aqui dentro, muitas vezes, tem que disputar vaga com o volante do carro de aplicativo.
Confira a reportagem original do ge.
Perguntas Frequentes
O Buá ainda joga na Bulgária? Qual clube?
Sim, Buá foi anunciado pelo Spartak Varna, da primeira divisão da Bulgária, em 2026. Antes, jogou por Dobrudzha Dobrich e Sportist Svoge, ambos da segunda divisão local.
Por que Buá foi para a Bulgária?
Por segurança financeira. No Espírito Santo, ele tinha contratos de curta duração e precisava trabalhar como motorista de aplicativo para se sustentar. Na Bulgária, recebeu um contrato de dois anos e meio com salário em dia, moradia e assistência médica.
Quais clubes Buá defendeu no Brasil?
Buá foi revelado pela Desportiva Ferroviária em 2019, na Copa São Paulo de Futebol Júnior. Depois, passou por Serra, Rio Branco-ES e Estrela do Norte antes de se transferir para a Europa.

