Índice do Artigo
- Pontos Principais
- O modus operandi das retiradas
- A defesa de Casares: notas, contabilidade e ingressos
- Comparativo entre versões
- Contexto das investigações
- Repercussão e próximos passos
- Perguntas Frequentes
- Quem são as testemunhas que falaram sobre as retiradas de Casares?
- O que a defesa de Julio Casares alega sobre as acusações?
- Quais as possíveis consequências legais para Casares se as acusações forem comprovadas?
Pontos Principais
- Duas testemunhas-chave detalharam à Polícia Civil e ao Ministério Público que Julio Casares retirava, pelo menos uma vez por mês, cerca de R$ 100 mil em dinheiro vivo do cofre do São Paulo.
- Os valores, entregues em envelopes e sacolas, eram registrados como ‘adiantamento para ações promocionais’, mas sem prestação de contas formal em diversas ocasiões.
- Defesa do ex-presidente alega que toda a movimentação está contabilizada na contadoria do clube e se refere a despesas de 172 jogos, repudiando o vazamento seletivo das investigações.
Testemunhas afirmam que Casares retirava R$ 100 mil em espécie do São Paulo por mês — e os depoimentos obtidos com exclusividade pelo ge revelam um modus operandi que choca pelo volume e pela falta de formalidade. Durante toda a gestão de Julio Casares (janeiro de 2021 a janeiro de 2026), funcionários que trabalhavam lado a lado com o ex-presidente contam que o dinheiro era sacado regularmente, sem assinatura de recibos na maioria das vezes. O valor variava entre R$ 100 mil e R$ 120 mil mensais, sempre em espécie.
“Eu não sei se o presidente Julio assinou algum recibo, mas em algumas ocasiões eu assinei e depois falaram que não precisava mais. Não fazia sentido assinar recebimento de um valor que não ficava comigo”, disse uma das testemunhas, que atua no clube desde o início dos anos 2000. A outra testemunha complementou: “Fui comunicado que era R$ 100 mil, R$ 120 mil, R$ 118 mil… Dependia da ação que ele estava proposto a fazer. Saía como um adiantamento para ações promocionais.”
O modus operandi das retiradas
De acordo com os depoimentos, as retiradas aconteciam na sala da presidência. O dinheiro era colocado em cima da mesa, muitas vezes sem qualquer testemunha além do próprio Casares e do então superintendente geral, Márcio Carlomagno. A prática, segundo as testemunhas, era inédita na história recente do clube: nenhum outro ex-presidente havia feito movimentações tão vultosas em espécie.
“Antes do Casares, nunca intermediei nem presenciei entregas assim. Começou no início de 2021. Era todo mês, uma ou duas vezes, mas não sei precisar quantas”, afirmou uma das testemunhas. Leia também: Paulo Bracks expõe verdade nua e crua sobre estratégia do Atlético-MG no mercado
Os valores, embora próximos, variavam conforme o mês. Em alguns períodos batiam R$ 118 mil, em outros R$ 100 mil. A justificativa apresentada era de que o dinheiro seria usado para comprar ingressos de jogos e realizar ações promocionais. No entanto, as testemunhas afirmam que não viam a destinação final do montante e que a prestação de contas, quando acontecia, era feita de forma verbal.
A defesa de Casares: notas, contabilidade e ingressos
Procurada, a defesa de Julio Casares enviou uma nota em que afirma que “tudo se acha regularmente acautelado na Contadoria do Clube”. Segundo os advogados, o numerário transitou pela conta contábil do SPFC sob a rubrica “adiantamentos em jogos” e foi disponibilizado pela Diretoria Financeira para cobrir despesas de, no mínimo, 172 jogos do São Paulo em diversas competições.
“Tudo com destinação certa, específica e formalmente contabilizada”, diz a nota. A defesa também esclarece que os ingressos cortesia — supostamente adquiridos com o dinheiro — são parte da política do clube para diretores, conselheiros, atletas e familiares, e não possuem valor financeiro. Por fim, a nota repudia o “seletivo vazamento” do conteúdo sigiloso das investigações.
No entanto, os depoimentos colhidos pela Força Tarefa indicam que, na prática, os recibos eram dispensados e que o controle sobre o dinheiro era frágil. Confira também: O prazo de Memphis no Corinthians e a proposta que pode definir seu futuro
Comparativo entre versões
| Aspecto | Versão das testemunhas | Versão da defesa |
|---|---|---|
| Valor médio mensal | R$ 100 mil a R$ 120 mil | Não informado numericamente, mas justificado por 172 jogos |
| Forma de retirada | Em espécie, em envelopes e sacolas, sem recibos | Movimentações contabilizadas formalmente |
| Destinação | Ações promocionais e compra de ingressos, sem comprovação | Despesas recorrentes de jogos, com registros na contadoria |
| Prazo de prestação de contas | Verbal, muitas vezes sem documento | Regularmente acautelada |
Contexto das investigações
Julio Casares é um dos alvos de uma Força Tarefa composta pela Polícia Civil e Ministério Público que apura possíveis irregularidades na gestão do São Paulo entre 2021 e 2026. Três inquéritos policiais correm em sigilo. As testemunhas ouvidas — cujas identidades foram preservadas — trabalharam diretamente com o ex-presidente e prestaram depoimento sob compromisso de dizer a verdade.
A investigação ganhou força após denúncias anônimas e documentos internos do clube indicarem movimentações financeiras atípicas. A prática de retiradas em espécie, especialmente de valores tão altos, levanta suspeitas de possíveis desvios ou falta de transparência. Descubra: O segredo por trás da maior invencibilidade da Série B que faz o Criciúma voar
Além de Casares, outros ex-dirigentes também são investigados, mas as testemunhas afirmam que apenas durante a gestão do ex-presidente as retiradas em espécie ocorriam de forma tão frequente. “Antes dele, nunca vi isso”, repetiu uma das fontes.
Repercussão e próximos passos
O caso já repercute nos bastidores do Morumbi. Conselheiros do clube cobram explicações formais da diretoria atual, enquanto torcedores manifestam indignação nas redes sociais. A Polícia Civil deve ouvir novos envolvidos nas próximas semanas, incluindo o ex-superintendente Márcio Carlomagno, apontado como braço direito de Casares.
Se confirmadas as irregularidades, Casares pode responder por crimes como apropriação indébita, lavagem de dinheiro ou gestão fraudulenta. A defesa, porém, mantém a confiança na seriedade das instituições e nas provas contábeis que apresentará. Entenda melhor: Explosão de Wallace Yan e Lorran coloca pressão em Jardim no Flamengo
O ge segue acompanhando o desenrolar dos inquéritos e trará novas informações assim que o sigilo for levantado ou novas testemunhas forem ouvidas.
Fonte original da notícia: reportagem do ge
Perguntas Frequentes
Quem são as testemunhas que falaram sobre as retiradas de Casares?
As identidades foram preservadas pela Polícia Civil e Ministério Público para garantir a segurança dos depoentes. Sabe-se que ambas trabalharam diretamente com Julio Casares durante toda a sua gestão no São Paulo, desde 2021 até 2026, e tinham acesso próximo às movimentações financeiras.
O que a defesa de Julio Casares alega sobre as acusações?
A defesa afirma que todas as retiradas em espécie foram feitas dentro da legalidade e estão registradas na contadoria do clube. O dinheiro, segundo eles, era destinado a despesas operacionais de 172 jogos do São Paulo, e os ingressos cortesia seguem a política interna do clube. Eles também criticam o vazamento seletivo de informações sigilosas.
Quais as possíveis consequências legais para Casares se as acusações forem comprovadas?
Dependendo do resultado da investigação, Casares pode responder por crimes como apropriação indébita, lavagem de dinheiro ou gestão fraudulenta. As penas variam de reclusão a multas, além de inelegibilidade para cargos em clubes. O caso está em andamento e novas testemunhas serão ouvidas.

