Índice do Artigo
- Pontos Principais
- Contexto da denúncia: a ligação entre Trump e a anulação do cartão vermelho
- A posição do COI: jurisdição limitada e independência das federações
- Repercussão e desdobramentos
- O que está por vir?
- Perguntas Frequentes
- O que motivou a denúncia contra Gianni Infantino no COI?
- Por que o COI rejeitou a denúncia?
- A decisão pode ser revista por outra instância?
Pontos Principais
- Comitê de Ética do COI rejeitou denúncia contra Gianni Infantino por suposta violação da neutralidade política
- Denúncia foi apresentada pela ONG FairSquare, que apontou vínculos entre Infantino e Donald Trump
- COI argumenta que as decisões da Fifa sobre governança e relações com governos estão fora de sua alçada ética
- Infantino admitiu conversa com Trump sobre cartão vermelho de Balogun, mas negou interferência política
O COI rejeita denúncia contra Infantino por supostas interferências de Trump na Copa do Mundo. A Comissão de Ética do Comitê Olímpico Internacional (COI) arquivou a representação da ONG FairSquare contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, acusado de romper a neutralidade política ao se aproximar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão, divulgada na última semana, baseia-se no argumento de que o código de ética do COI não se aplica a questões de governança interna da Fifa ou a suas relações com governos — ainda que Infantino seja membro do COI.
De forma direta: o Comitê de Ética do COI decidiu não abrir investigação contra Gianni Infantino porque a denúncia trata exclusivamente de decisões da Fifa sobre sua administração e vínculos políticos, matérias que fogem ao escopo do código de ética olímpico. A negativa ocorre apesar de Infantino ter assumido, ao ingressar no COI, o compromisso de agir de forma independente de interesses comerciais e políticos, conforme determina a Carta Olímpica. A FairSquare, que apresentou a queixa, foi informada do arquivamento.
Contexto da denúncia: a ligação entre Trump e a anulação do cartão vermelho
A denúncia ganhou contornos polêmicos durante a Copa do Mundo de 2026, quando o atacante americano Folarin Balogun recebeu cartão vermelho em partida contra a Bósnia. Horas depois, Donald Trump afirmou ter telefonado para Infantino e influenciado a anulação da punição. A declaração do presidente americano gerou suspeitas de interferência política direta em uma decisão disciplinar do futebol.
Infantino confirmou a ligação, mas negou que tenha havido intervenção. “Sim, discuto regularmente assuntos relacionados à Copa do Mundo da Fifa com o presidente dos Estados Unidos. Recebi uma ligação de Trump, assim como recebo ligações de chefes de Estado e autoridades de todo o mundo. Leio as decisões do Comitê Disciplinar da Fifa quando são emitidas. Às vezes concordo, outras discordo. Mas sempre respeito essas decisões e a autonomia dos órgãos que as tomam”, afirmou o dirigente em nota.
A ONG FairSquare, no entanto, enxergou um padrão de proximidade entre Infantino e Trump. Em fevereiro de 2026, o presidente da Fifa participou do chamado “Conselho da Paz” organizado por Trump, usando um boné com as inscrições “USA” e “45-47” — referência aos dois mandatos do republicano. Para a organização de direitos humanos, esse gesto e a ligação sobre o cartão vermelho configuram violação reiterada da neutralidade política que um membro do COI deve preservar.
A posição do COI: jurisdição limitada e independência das federações
O Comitê de Ética do COI analisou o caso e concluiu que não pode atuar. Segundo comunicado oficial, “a atual reclamação, no que diz respeito ao presidente da Fifa, refere-se apenas às decisões da federação internacional sobre sua governança e gestão, incluindo suas relações com o governo, e à implementação, por parte da federação, das regras de seu esporte; ambos os aspectos estão fora do escopo de aplicação do código de ética do COI”.
A decisão reforça a autonomia das federações internacionais perante o COI. A Carta Olímpica estabelece que cada federação mantém sua independência e autoridade em sua gestão. Dessa forma, mesmo que Infantino seja membro do COI, sua conduta como presidente da Fifa não está sujeita ao controle ético do comitê, a menos que haja impacto direto nas relações com o próprio COI — o que a comissão entendeu não ocorrer.
O caso reacende o debate sobre os limites da governança no esporte. Enquanto a Fifa opera com regras próprias, o COI afirma continuar seus esforços para fortalecer a boa governança em todo o Movimento Olímpico, promovendo maior clareza sobre papéis e responsabilidades das organizações que o compõem. Na recente Sessão do COI, o tema foi reafirmado, mas sem alterações práticas imediatas.
Repercussão e desdobramentos
A FairSquare criticou a decisão, argumentando que ela cria um “vácuo de responsabilidade” para dirigentes que acumulam cargos em organismos internacionais. A ONG já havia denunciado Infantino anteriormente por suposta violação dos direitos humanos na organização da Copa do Catar. Agora, com o arquivamento, a entidade estuda encaminhar a queixa a outras instâncias, como o Conselho de Arbitragem Esportiva (CAS) ou a própria Fifa.
Internamente, a Fifa não se manifestou oficialmente, mas fontes ligadas à entidade indicam que Infantino vê a decisão como uma validação de sua postura. Enquanto isso, Donald Trump celebrou o arquivamento em suas redes sociais, chamando-o de “vitória para o esporte e para a liberdade”. Já setores da imprensa internacional questionam se o episódio não abala a credibilidade do COI como guardião da ética esportiva.
O arquivamento também coloca em xeque a efetividade dos mecanismos de controle do COI sobre seus próprios membros. Para especialistas em direito esportivo, o caso demonstra que as regras atuais permitem que presidentes de federações ajam com ampla margem política, desde que não comprometam diretamente o COI. Confira também como a Fifa busca seis mil voluntários para a Copa do Mundo Feminina, um reflexo de sua constante expansão em meio a controvérsias.
Outro ponto levantado é a necessidade de revisão do código de ética para incluir condutas de membros que, mesmo fora do âmbito olímpico, possam macular a imagem do movimento. Enquanto isso, a Fifa segue com seu calendário de competições, incluindo a Copa do Mundo de 2026, cujo regulamento disciplinar segue sob holofotes. Para aprofundar, veja a análise sobre a trajetória do árbitro que se aposentou dias após apitar a final da Copa do Mundo — uma história que ilustra a pressão sobre os oficiais em meio a polêmicas.
O que está por vir?
A decisão do COI não encerra a discussão. Organizações de direitos humanos e parte da imprensa continuam a acompanhar os vínculos entre Infantino e figuras políticas ao redor do mundo. A promessa de fortalecer a governança olímpica, reiterada pelo COI, dependerá de ações concretas — como a criação de canais independentes para denúncias e a ampliação da jurisdição ética para abranger atos de membros mesmo fora do contexto olímpico.
Enquanto isso, a Fifa prepara a próxima edição da Copa do Mundo Masculina, em 2030, com Infantino à frente. O episódio com Trump e o cartão vermelho de Balogun já entrou para a história dos bastidores do futebol, mas pode servir de alerta para futuros casos de interferência política. Descubra mais sobre a condição para liberação de Ferran Torres ao PSG e como o futebol brasileiro acompanha essas movimentações.
Por ora, a mensagem do COI é clara: a responsabilidade ética sobre a Fifa e seus dirigentes cabe à própria Fifa. Cabe agora à comunidade esportiva decidir se esse modelo de autorregulação é suficiente.
Perguntas Frequentes
O que motivou a denúncia contra Gianni Infantino no COI?
A denúncia foi apresentada pela ONG FairSquare, que acusou Infantino de violar a neutralidade política ao se aproximar de Donald Trump. O principal fato foi a ligação telefônica entre ambos durante a Copa do Mundo, depois da qual o cartão vermelho do atacante americano Folarin Balogun foi anulado. A ONG apontou ainda a participação de Infantino no “Conselho da Paz” de Trump usando um boné com referências aos mandatos do presidente americano.
Por que o COI rejeitou a denúncia?
O Comitê de Ética do COI entendeu que a denúncia trata de decisões da Fifa sobre sua governança e relações com governos, além da aplicação das regras do futebol — aspectos que estão fora do escopo do código de ética do COI. Segundo a Carta Olímpica, cada federação internacional mantém independência em sua gestão, e o código só se aplica quando há impacto direto nas relações com o COI.
A decisão pode ser revista por outra instância?
A decisão do COI é interna e não cabe recurso dentro da estrutura olímpica. No entanto, a ONG FairSquare pode levar a denúncia a outras instâncias, como o Conselho de Arbitragem Esportiva (CAS) ou entidades de direitos humanos internacionais. Também é possível que a própria Fifa seja pressionada a investigar a conduta de seu presidente, embora não haja previsão de um órgão independente para isso.

