Criciúma de Louzer voltou a ganhar força na disputa pelo acesso à Série B depois de vencer a Ponte Preta por 2 a 0, resultado que deixa o time muito perto dos playoffs e mantém viva a possibilidade de alcançar o G2. Sob o comando do treinador, o Tigre combina bons resultados com uma defesa difícil de superar, mas ainda precisa aproveitar melhor as chances nas duas rodadas finais.
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Criciúma de Louzer ganha força com defesa consistente
A vitória sobre a Ponte, conquistada na 36ª rodada, reforçou uma característica que vem marcando a equipe desde a chegada de Umberto Louzer: o Criciúma não precisa transformar cada partida em uma atuação exuberante para somar pontos. O time tem conseguido competir, proteger a própria área e construir resultados suficientes para continuar na briga pelas primeiras posições.
Anunciado em 23 de setembro, Louzer comandou o Tigre em sete jogos até o triunfo mais recente. Foram cinco vitórias e duas derrotas, aproveitamento de 71,43%. É uma sequência expressiva para uma equipe que precisava recuperar terreno na reta decisiva e reduzir a margem para erros.
O dado defensivo chama atenção: nas cinco partidas vencidas pelo treinador, o Criciúma não sofreu gols. Isso não significa que o time tenha controlado todos os jogos do início ao fim, mas indica que, quando consegue abrir vantagem, tem sido capaz de preservar o placar e transformar a organização sem a bola em pontos concretos.
Os resultados ajudam a dimensionar o padrão. Na estreia de Louzer, o Criciúma venceu o Avaí por 3 a 0 no Heriberto Hülse. Depois, superou o Londrina fora de casa por 2 a 0, bateu o América-MG por 1 a 0 diante da torcida e ganhou do São Bernardo por 1 a 0 como visitante. Contra a Ponte Preta, fechou a conta em 2 a 0.
O Criciúma de Louzer não precisa encantar, mas precisa ser preciso
Os números apontam uma equipe pragmática: vence sem conceder gols e não depende de placares elásticos para avançar. Na reta final, esse modelo tem valor. Um jogo equilibrado pode ser decidido por uma bola parada, uma transição bem executada ou um erro do adversário; reduzir os espaços e proteger a vantagem diminui o risco de deixar escapar pontos importantes.
Há, porém, uma contrapartida. A análise do desempenho também identifica oportunidades desperdiçadas pelo ataque. Perder chances pode parecer secundário quando o resultado termina em vitória, mas o custo potencial aumenta contra adversários diretos e em partidas eliminatórias, nas quais uma ocasião clara pode ser decisiva.
Esse é o principal ponto de atenção para os compromissos contra Vila Nova e Novorizontino. Se o Criciúma criar e não converter, poderá manter o adversário vivo até os minutos finais. A defesa consistente ajuda a compensar esse problema, mas não elimina o risco: sofrer pressão por muito tempo aumenta a exigência sobre a última linha e reduz a margem para qualquer falha.
As duas derrotas da equipe com Louzer também oferecem uma medida útil. O Criciúma perdeu por 1 a 0 para o Ceará e por 2 a 1 para o Sport, sempre por diferença de um gol. O recorte não prova que o time tenha sido superior nesses confrontos, mas mostra que os reveses foram apertados, sem uma sequência de placares largos contra a equipe.
Vitória sobre a Ponte mantém o G2 no horizonte
Com a vitória no Majestoso, o Criciúma se aproximou da confirmação de uma vaga nos playoffs, conforme a avaliação da disputa nesta altura do campeonato. A equipe também conserva uma possibilidade de acesso direto pelo G2. Os confrontos diretos previstos nas duas rodadas restantes podem mexer com a configuração da tabela, embora o caminho dependa dos resultados e não esteja garantido apenas pelo desempenho recente.
Essa diferença entre estar perto e já ter assegurado uma classificação é essencial. O Tigre construiu uma posição favorável, mas ainda precisa tratar cada ponto como necessário. Em campeonato decidido nos detalhes, uma projeção otimista não substitui o resultado em campo — e um tropeço pode alterar o cenário antes da rodada final.
O momento também coloca em evidência a pressão que acompanha jogos decisivos. A presença de público costuma ampliar o peso emocional das partidas, como mostrou a mobilização registrada nas semifinais da Copa do Brasil com grandes públicos. No caso do Criciúma, jogar em casa no encerramento da fase regular pode ser um fator de apoio, mas a resposta esportiva ainda dependerá da execução em campo.
Vila Nova e Novorizontino são os testes finais
O próximo compromisso será contra o Vila Nova, no sábado, dia 7, às 20h (de Brasília), no estádio OBA. Depois, o Criciúma recebe o Novorizontino no dia 14, às 16h30, para fechar a temporada regular da Série B. São duas partidas que podem definir se a equipe chega aos playoffs ou se mantém chances de brigar por uma posição de acesso direto.
O duelo fora de casa exige atenção a dois aspectos: administrar os momentos sem a bola e não desperdiçar as oportunidades que surgirem. A fórmula das vitórias recentes — proteger a própria meta e fazer o suficiente no ataque — pode ser funcional, mas não deve virar passividade. Se o Tigre permitir que o rival dite o ritmo, a segurança defensiva será testada por mais tempo.
Contra o Novorizontino, o cenário será diferente por ser no Heriberto Hülse, mas a obrigação de pontuar pode aumentar a ansiedade. Uma equipe que precisa do resultado tende a se expor mais quando o relógio avança. Por isso, controlar o jogo não significa necessariamente atacar sem critério: significa reconhecer quando acelerar, quando conservar a posse e como evitar que a busca pelo gol abra espaços atrás.
O calendário apertado da reta final também exige gestão de energia e atenção às escolhas do treinador. A discussão sobre carga de jogos e manutenção do rendimento aparece em outros clubes, como no caso do Palmeiras pressionado pelo calendário e por três frentes. Para o Criciúma, o desafio imediato é transformar a sequência de bons resultados em consistência nas duas partidas que restam, sem perder de vista a necessidade de pontuar.
O que falta para transformar a reação em acesso
O trabalho de Louzer recuperou competitividade e devolveu ao Criciúma uma rota concreta para seguir na disputa. Cinco vitórias em sete jogos representam uma resposta forte, enquanto os resultados sem sofrer gols indicam que a equipe encontrou uma base defensiva confiável. Ainda assim, a campanha recente não resolve sozinha a classificação: a confirmação depende do que ocorrer nas rodadas finais.
Para dar o passo seguinte, o Tigre precisa preservar o que já funciona e corrigir o desperdício ofensivo. A defesa pode manter partidas equilibradas, mas aproveitar melhor as chances reduz a dependência de um placar mínimo e ajuda a controlar a reta final. Contra rivais que também disputam posições importantes, eficiência pode ser tão decisiva quanto volume de jogo.
A vitória sobre a Ponte foi, portanto, mais do que três pontos: deixou o Criciúma perto dos playoffs e manteve o sonho do G2 em aberto. Agora, o caminho é direto e sem espaço para cálculo prematuro: buscar um resultado em Goiânia, voltar a pontuar diante do Novorizontino e converter a solidez construída por Louzer em classificação confirmada.

