Drink de Messi virou combustível para um refrão que acompanha o Montevideo City Torque na Copa Sul-Americana: inspirado na combinação de vinho, refrigerante de limão e gelo associada ao craque argentino, o canto ganhou força após a vitória sobre o Tigre e voltou a circular depois da classificação sobre o Cienciano. Agora, embala o rival do Atlético-MG na semifinal, disputada nesta quarta-feira, às 19h (de Brasília), no Uruguai.
Índice do Artigo
- Drink de Messi virou canto de vestiário após vitória sobre o Tigre
- O que o drink de Messi tem a ver com o hit uruguaio
- Classificação sobre o Cienciano recolocou a música em evidência
- Atlético-MG encara um rival leve fora de campo, mas perigoso na disputa
- O refrão pode virar marca da campanha, mas o placar decide
Drink de Messi virou canto de vestiário após vitória sobre o Tigre
A música não nasceu de uma campanha planejada pelo clube. Segundo o atacante Nahuel da Silva, foi o zagueiro Jose Tarán quem começou a cantar o refrão durante a volta da equipe após o primeiro jogo das oitavas de final, contra o Tigre, na Argentina. O City Torque venceu aquela partida por 1 a 0, e a brincadeira iniciada por um jogador logo foi adotada pelo grupo.
O trecho que se espalhou diz: Vinho, sprite e gelo, é a turma de Marcelo. A referência mistura o hábito atribuído a Lionel Messi com uma provocação interna ligada ao treinador Marcelo. Da Silva contou ao veículo uruguaio El Espectador que Tarán começou sozinho e que, aos poucos, os companheiros aderiram. O atacante também disse não saber se o técnico aprecia a música, mas afirmou que Marcelo aceita as brincadeiras.
A diferença entre um canto espontâneo e um hino oficial é relevante: não há indicação de que o City Torque tenha organizado uma ação institucional para criar a música. O que os relatos apontam é uma manifestação surgida entre os atletas, repetida no vestiário e incorporada por torcedores. É justamente essa origem informal que ajuda a explicar por que o refrão funciona como marca de grupo, sem depender de uma produção elaborada.
O que o drink de Messi tem a ver com o hit uruguaio
No começo de 2026, Messi comentou que gosta da mistura de vinho com refrigerante de limão. Em países de língua espanhola, uma bebida nessa linha também é conhecida como tinto de verano. A associação com o camisa 10 argentino deu ao canto um elemento fácil de reconhecer e repetir, mas a música do City Torque não representa uma declaração oficial do jogador nem uma parceria comercial com ele.
Essa distinção evita uma leitura exagerada sobre a origem do fenômeno. A ligação está na referência cultural: uma bebida comentada por Messi virou o ponto de partida para uma rima sobre o elenco e seu treinador. O refrão traduz um assunto conhecido em uma expressão própria do clube. Para os jogadores, é uma brincadeira de vestiário; para quem acompanha a equipe, tornou-se uma forma simples de identificar o ambiente criado durante a campanha continental.
Também não há, nas informações divulgadas, detalhes sobre proporções, marcas ou uma receita específica adotada pelo elenco. O foco da história é a música, não o preparo da bebida. A conexão com Messi explica a curiosidade em torno do canto, enquanto a repetição pelos atletas e pelos torcedores é o que consolidou o hit como parte da narrativa do City Torque na competição.
Classificação sobre o Cienciano recolocou a música em evidência
Depois de surgir no caminho contra o Tigre, o refrão voltou a ser cantado quando o Montevideo City Torque eliminou o Cienciano nas quartas de final. A nova classificação deu outra dimensão à brincadeira: o canto deixou de ser apenas uma lembrança de uma vitória nas oitavas e passou a acompanhar uma equipe que alcançou a semifinal da Sul-Americana.
O retorno da música também coincidiu com sua circulação nas redes sociais. O clube publicou conteúdo fazendo referência ao drink, e a canção ganhou visibilidade para além do vestiário. Esse percurso — de um jogador puxando o refrão a uma postagem oficial e à repetição por torcedores — mostra como um momento interno pode se transformar em símbolo de uma campanha, mesmo sem que o canto tenha sido criado como estratégia de marketing.
O alcance, porém, não deve ser confundido com o tamanho da torcida ou com uma vantagem esportiva. O próprio relato aponta que o City Torque tem poucos torcedores presentes. A música pode fortalecer a identidade do grupo e chamar atenção nas redes, mas não muda os critérios que decidem uma semifinal: desempenho, controle emocional e execução durante os 90 minutos, além do que for necessário caso o confronto avance.
Atlético-MG encara um rival leve fora de campo, mas perigoso na disputa
O contraste dá um ingrediente curioso ao confronto. De um lado, o Atlético-MG carrega a conhecida mobilização do Eu acredito, canto associado à sua torcida em momentos decisivos. Do outro, o City Torque chega com um refrão bem-humorado, nascido entre jogadores e ligado a uma referência pop do futebol. As músicas ajudam a contar o clima das equipes, mas não antecipam o resultado nem substituem a análise do jogo.
Para o Galo, o dado esportivo central é a vantagem que leva para a partida de volta: conforme o cenário informado antes do duelo, o Atlético pode perder por até dois gols de diferença e ainda avançar à decisão. Isso não elimina a pressão. Uma margem favorável pode permitir uma abordagem mais cautelosa, mas também exige atenção para não entregar iniciativa ao adversário ou transformar a partida em uma sequência prolongada de defesa.
O City Torque, por sua vez, precisa fazer valer o mando de campo e converter energia em ações efetivas. O canto pode ajudar a criar união no grupo, mas a equipe uruguaia terá de encontrar caminhos para atacar e lidar com a responsabilidade de buscar a classificação. Em confrontos eliminatórios, a diferença entre entusiasmo e controle aparece na tomada de decisão: acelerar quando há espaço, proteger a bola sob pressão e evitar que a ansiedade provoque erros.
As semifinais sul-americanas costumam concentrar esse tipo de dilema tático. Em outra disputa por vaga na decisão, a análise sobre o trio defensivo do Palmeiras contra o Fluminense mostra como a organização sem a bola pode ser decisiva diante de um adversário que precisa propor o jogo. A situação não é idêntica à do Atlético e do City Torque, mas reforça um ponto aplicável às eliminatórias: administrar vantagem exige mais do que recuar e esperar o tempo passar.
O refrão pode virar marca da campanha, mas o placar decide
A história do drink e da música oferece ao Montevideo City Torque uma narrativa singular para a semifinal. O canto nasceu com Tarán na viagem de volta de um jogo contra o Tigre, foi adotado pelos companheiros, reapareceu após a classificação sobre o Cienciano e alcançou as redes. A sequência ajuda a explicar por que o refrão se tornou recorrente, sem transformar uma brincadeira em algo maior do que os fatos indicam.
Para o Atlético-MG, o desafio é não deixar que o ambiente descontraído do adversário esconda a importância da partida. A vantagem permite ao Galo administrar diferentes cenários, mas a equipe precisa manter concentração e responder às mudanças do jogo. O retrospecto da partida de ida, a estratégia escolhida e a capacidade de neutralizar os ataques do time uruguaio terão impacto muito mais direto do que a popularidade de uma canção.
O avanço do City Torque também mostra como o futebol cria símbolos particulares em cada campanha. Enquanto alguns clubes recorrem a cantos históricos e outros a ações de torcida, o time uruguaio encontrou uma frase curta, de fácil repetição e ligada a um assunto reconhecível. Em uma semifinal, esse tipo de identidade dá cor à disputa, mas sua relevância termina onde começa a decisão dentro de campo.
O confronto desta quarta-feira, às 19h de Brasília, definirá quem segue para a final da Sul-Americana. O Atlético entra com a margem que pode administrar; o City Torque tenta transformar a campanha e o apoio local em uma reação. O drink associado a Messi já garantiu ao rival do Galo um refrão próprio. Para que a música continue depois da semifinal, porém, o time uruguaio precisa sustentar a busca pela classificação no placar.

