O vestiário do Fluminense terminou em profunda tristeza na madrugada desta quinta-feira, 22 de outubro, após a eliminação para o Palmeiras na semifinal da Libertadores. Mesmo vencendo por 1 a 0 no Nubank Parque, o Tricolor perdeu a disputa por pênaltis por 5 a 3. Nonato, único jogador da equipe a desperdiçar a cobrança, recebeu o apoio dos companheiros e ouviu de Thiago Silva um pedido para manter a cabeça erguida.
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Vestiário do Fluminense transforma a dor em apoio a Nonato
A frustração tomou conta dos jogadores depois da definição da vaga nos pênaltis. Nonato deixou o gramado chorando, ainda abalado por ter sido o único tricolor a errar sua cobrança. Antes de seguir para o vestiário, ele já havia pedido desculpas aos torcedores e recebido um longo abraço de Jhon Arias.
O acolhimento continuou entre os próprios atletas. Os companheiros procuraram o volante para lembrá-lo de que o erro não apagava a atuação construída ao longo da partida. O pedido coletivo foi para que ele levantasse a cabeça, em uma tentativa de impedir que a cobrança perdida resumisse a participação do jogador na semifinal.
Na zona mista, Thiago Silva contou que Nonato também se desculpou com o elenco. O zagueiro respondeu que não havia motivo para isso: em uma disputa desse tipo, qualquer atleta pode falhar, e o erro não acontece por vontade própria. A mensagem, segundo ele, foi também um reconhecimento da boa partida do meio-campista.
Thiago Silva dividiu o peso da eliminação com o companheiro. Ao falar sobre a própria relação com a competição, afirmou que aquela era sua última Libertadores e que não voltaria a disputar o torneio. Por isso, pediu a Nonato que compartilhasse com ele a dor do resultado, mas também se sentisse orgulhoso pelo que havia feito em campo.
Vestiário do Fluminense recebe discurso de orgulho
O técnico Marcão conversou com o grupo antes de conceder entrevista coletiva. A avaliação apresentada aos jogadores não ignorou a derrota, mas procurou equilibrar o resultado frustrante com a atuação da equipe nos dois confrontos da semifinal. O treinador destacou a postura tricolor tanto no Maracanã quanto no estádio do Palmeiras.
A orientação foi para que o elenco não confundisse eliminação com falta de entrega. O Fluminense saiu de campo com a vitória por 1 a 0 no tempo normal, mas acabou superado por 5 a 3 nas cobranças. A diferença entre deixar a disputa em aberto durante a partida e avançar de fase ficou concentrada na decisão por pênaltis, um formato em que uma cobrança desperdiçada pode definir uma campanha inteira.
Esse detalhe ajuda a entender por que a reação dos jogadores foi tão intensa. O resultado não veio de uma derrota ampla no tempo regulamentar: o Tricolor ganhou o jogo da noite, mas não conseguiu converter essa vantagem em classificação. Nos pênaltis, o Palmeiras foi mais eficiente e garantiu a vaga, enquanto o elenco carioca precisou lidar com a frustração de ter ficado a um passo da decisão.
O episódio também reforça como o grupo tentou separar responsabilidade individual e desempenho coletivo. Nonato errou a cobrança, mas os colegas não o trataram como responsável isolado pela eliminação. Em uma disputa decidida por poucos lances, a conversão ou o desperdício de um pênalti ganha enorme visibilidade; ainda assim, a campanha e os dois jogos da semifinal não se resumem a esse instante.
A ordem dos cobradores também entrou em debate
Depois da partida, a escolha dos atletas para as cobranças passou a ser um dos assuntos ligados à eliminação. Marcão explicou por que Nonato bateu antes de Hulk, enquanto o próprio Hulk afirmou que a definição de que seria o quinto cobrador do Fluminense partiu da comissão técnica. As explicações colocaram a estratégia da equipe sob atenção, sem alterar o desfecho do confronto.
A ordem dos batedores costuma ser observada com lupa depois de uma disputa perdida, porque a sequência pode influenciar a pressão enfrentada por cada jogador. Mas avaliar a decisão apenas pelo resultado final é limitado: o desempenho de um cobrador depende da execução naquele momento, e a informação disponível sobre a escolha não permite atribuir à comissão uma intenção além da decisão relatada por Hulk.
O tema dos pênaltis também aparece em outras histórias do futebol continental. Em uma partida de peso diferente, Carlos Miguel e a pressão dos pênaltis foram o centro de uma classificação do Palmeiras. A comparação não apaga as particularidades de cada jogo, mas mostra como uma disputa da marca da cal pode transformar jogadores em heróis ou deixar uma cobrança perdida no centro das atenções.
Eliminação interrompe o descanso e mantém o Brasileirão no radar
A delegação tricolor deixou o estádio do Palmeiras por volta de 1h45 e seguiu para o aeroporto de Guarulhos. De lá, embarcou em um voo fretado de volta ao Rio de Janeiro. O grupo desembarcou durante a madrugada de quinta-feira, e os jogadores foram para suas casas depois de uma noite marcada pelo desgaste físico e emocional.
O intervalo para absorver a queda será curto. A reapresentação estava prevista para a tarde de quinta-feira, e Marcão teria apenas o treino de sexta antes da viagem para Chapecó. No sábado, 24 de outubro, o Fluminense enfrenta a Chapecoense às 19h30, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro.
A sequência obriga o clube a mudar rapidamente o foco, sem que isso signifique que a eliminação deixou de pesar. A preparação precisa conciliar a recuperação dos atletas com o trabalho tático para o próximo compromisso. Com pouco tempo entre o retorno da viagem e a partida, a comissão terá uma janela reduzida para reorganizar a equipe e decidir como administrar o desgaste acumulado.
Enquanto o time masculino tenta virar a página depois da semifinal, a agenda continental também inclui outras disputas e equipes. A cobertura de Belgrano e Universitario na Libertadores Feminina acompanha outro torneio, com escalações e imagens próprias. É uma competição distinta, mas que ajuda a dimensionar a presença da Libertadores em diferentes categorias do futebol sul-americano.
O que fica para o Fluminense depois da queda
O vestiário deixou uma imagem de luto esportivo, mas também de solidariedade. Nonato foi amparado por Arias, Thiago Silva e outros companheiros, enquanto Marcão procurou destacar o orgulho pela resposta do time nos dois jogos. A derrota nos pênaltis encerrou o caminho tricolor na competição, sem apagar a vitória obtida no tempo normal no Nubank Parque.
Para o elenco, o desafio imediato é converter o apoio interno em recuperação para o compromisso contra a Chapecoense. A cobrança perdida deve ser entendida dentro do contexto de uma disputa coletiva, e não como medida definitiva da qualidade de Nonato ou da campanha. O recado transmitido pelos próprios jogadores foi direto: reconhecer a dor, preservar o companheiro e voltar ao trabalho.
A noite da eliminação também mostrou o custo emocional de uma semifinal decidida no detalhe. O Palmeiras avançou após vencer a disputa por 5 a 3, e o Fluminense precisou deixar o estádio sem a vaga que buscava. Agora, com o Brasileirão à frente e poucos dias para se preparar, a resposta mais concreta virá em campo: recuperar o grupo e competir novamente, sem transformar um erro individual em sentença sobre toda a equipe.

