Índice do Artigo
- Pontos Principais
- O banco que virou mola propulsora
- O barulho da desconfiança
- Os números que provam a reviravolta
- O duelo pessoal contra a França
- O que está em jogo para Laporte
- Perguntas Frequentes
- Por que Laporte escolheu a Espanha em vez da França?
- Laporte ainda se incomoda com a falta de chances na França?
- Qual o impacto da troca de seleção na carreira de Laporte?
Pontos Principais
- Aymeric Laporte trocou a França pela Espanha em 2021 por falta de chances e por se sentir perseguido por Deschamps.
- Hoje titular absoluto da Fúria, o zagueiro enfrenta os ex-companheiros franceses em uma semifinal de Copa do Mundo cheia de simbolismo.
- Laporte afirma estar feliz com a decisão, mas admitiu que o processo foi doloroso e cercado de desconfiança.
Laporte titular Espanha na semifinal contra a França não é apenas um fato tático: é uma história de vingança, mágoa e recomeço. O zagueiro franco-espanhol, que ficou anos no banco da seleção francesa sem uma única chance real, agora é o pilar defensivo da Espanha e, nesta terça-feira, em Dallas, terá a chance de calar para sempre os críticos que questionaram sua naturalização.
“Estou feliz”, disse Laporte à Rádio Marca, com um sorriso que esconde anos de frustração. Mas a felicidade só veio depois de uma decisão difícil, que ele mesmo classifica como “dura”. E que desencadeou uma polêmica que ainda ecoa nos vestiários da Copa do Mundo de 2026.
O banco que virou mola propulsora
Nascido em Agen, no sul da França, Laporte foi cria do Athletic Bilbao graças à ascendência basca. Nas categorias de base francesas, ele era capitão, liderava, usava a braçadeira. Foram 51 jogos pelas seleções menores, ao lado de nomes como Maignan e Rabiot – ambos agora adversários na semi. Em 2016, Didier Deschamps finalmente o chamou para a equipe principal. Mas o chamado não passou de um convite para observar de perto o banco de reservas. Seis convocações. Zero minutos em campo.
“Na época, cheguei a pensar que o técnico tinha um problema pessoal comigo”, revelou Laporte, em 2018, já demonstrando o incômodo que o consumia. Enquanto isso, zagueiros como Umtiti, Lenglet e Kimpembe ganhavam chances. Laporte, não. Confira também: Konaté detona a França como ‘malvada’ na Copa: “Mentalidade vencedora que assusta rivais!”
A gota d’água veio em 2021. Sem perspectiva de estrear pela França, Laporte aceitou o convite da Espanha – país onde já vivia havia uma década. A naturalização foi rápida: seus bisavós bascos abriram a porta, e Luis Enrique, então técnico da Fúria, não hesitou. “Tomei a decisão e estou super feliz de ter tomado”, repete o zagueiro, agora com a autoridade de quem é titular absoluto e peça-chave no sistema defensivo espanhol.
O barulho da desconfiança
A troca de seleção não passou despercebida. Na França, a imprensa tratou o caso como “traição”. Laporte rebate: “Não fizeram o mesmo barulho para jogadores que passaram por algo parecido antes de mim”. Ele cita casos como o de Karim Benzema, que ficou anos sem ser convocado, e de outros franco-argelinos que migraram. Mas a verdade é que a pressão foi tanta que o jogador precisou blindar a mente.
Em campo, a resposta veio rápida. Desde que estreou pela Espanha, Laporte se firmou como um dos melhores zagueiros do mundo. Na Copa de 2022, já era titular. Em 2026, é o líder da defesa que só sofreu dois gols em todo o torneio até a semi. Para aprofundar: Copa do Mundo com 64 seleções vira piada na web: “Vai ter grupo A ao Z e figurinhas infinitas”
Os números que provam a reviravolta
| Período | Seleção | Jogos | Minutos em campo |
|---|---|---|---|
| 2016-2017 (França principal) | França | 0 (seis convocações) | 0 |
| 2013-2016 (França sub-21) | França | 51 | +4.500 |
| 2021-2026 (Espanha) | Espanha | 48 | 4.320 |
Os dados não mentem: enquanto Deschamps o ignorava, Luis Enrique e agora Luis de la Fuente fizeram de Laporte o dono da zaga. E o mais irônico? O zagueiro que a França desperdiçou é o mesmo que pode eliminar os franceses na semifinal desta Copa do Mundo.
O duelo pessoal contra a França
Agora, Laporte terá pela frente atacantes como Mbappé, Dembélé e o velho conhecido Rabiot. Será um jogo carregado de emoção. “Não é vingança, é futebol”, tenta amenizar o zagueiro, mas o brilho nos olhos denuncia o oposto. Leia também: A dor de Onana: volante da Bélgica desaba após lesão no joelho que o tirou da Copa do Mundo
A França busca o tricampeonato mundial. A Espanha quer o bi. E no meio disso, um jogador que poderia estar do outro lado – se tivesse recebido uma chance. “Foi um momento duro para mim”, repete Laporte, agora mais aliviado. A semi será na terça, às 16h (de Brasília), no estádio de Dallas. O vencedor encara Argentina ou Inglaterra na final, dia 19, em Nova Jersey.
O que está em jogo para Laporte
Mais do que uma vaga na final, esta partida representa o fechamento de um ciclo. Laporte pode se tornar o símbolo da eficiência espanhola em aproveitar talentos rejeitados por outros países. Descubra: Bellingham faz a Inglaterra sonhar: dois gols, vaga na semi e coroa de Craque do Dia no Cartola
A torcida espanhola já abraçou o zagueiro como um dos seus. Afinal, ele fala castelhano com sotaque basco, casou-se com uma espanhola e seus filhos são registrados em Bilbao. A camisa vermelha lhe caiu bem. A pergunta que não quer calar: será que a França se arrepende? Laporte, diplomático, apenas sorri. E prepara a resposta dentro das quatro linhas.
Perguntas Frequentes
Por que Laporte escolheu a Espanha em vez da França?
Laporte se sentiu preterido por Didier Deschamps, que o convocou seis vezes entre 2016 e 2017 sem dar um minuto de jogo. Sem perspectivas de estrear pela seleção principal francesa, ele aceitou a naturalização espanhola em 2021, amparado pela ascendência basca de seus bisavós. Desde então, virou titular absoluto da Fúria.
Laporte ainda se incomoda com a falta de chances na França?
Públicamente, o zagueiro diz estar feliz com a decisão e foca no presente. No entanto, em entrevistas passadas, ele admitiu que o técnico francês parecia ter um problema pessoal com ele. O incômodo ainda existe, mas Laporte canaliza essa energia dentro de campo – e a semifinal contra a França é a chance perfeita para provar seu valor.
Qual o impacto da troca de seleção na carreira de Laporte?
Foi um divisor de águas. Na França, ele seria apenas mais um nome na fila; na Espanha, tornou-se líder defensivo e referência tática. Desde 2021, são 48 jogos pela seleção espanhola, com atuações consistentes em duas Copas do Mundo. A troca alavancou sua carreira e o consolidou entre os melhores zagueiros do planeta.
Nota: Este artigo foi escrito com base em declarações oficiais do jogador à Rádio Marca e informações do ge.globo. Para mais detalhes, acesse a matéria original do ge.

