Cristian Medina voltou a ser titular do Botafogo na quarta-feira, mas não conseguiu ocupar com impacto a vaga de Montoro: na derrota por 2 a 1 para o Remo, o meio-campista atuou como camisa 10, trocou 26 passes e não finalizou. O resultado mantém o clube sob pressão na reta final do Brasileirão, enquanto o retorno de Montoro já se aproxima.
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Cristian Medina teve mais uma chance, mas não mudou o ataque
Suspenso, Montoro ficou fora da partida contra o Remo e abriu espaço para Medina na criação. A oportunidade era especialmente importante para o argentino, que ainda busca uma sequência convincente desde que chegou ao clube. A atuação, porém, não alterou a avaliação recente: ele participou pouco das ações ofensivas e acabou substituído aos 22 minutos do segundo tempo.
O Botafogo foi derrotado por 2 a 1, e os ataques da equipe se desenvolveram principalmente pelos lados do campo. Nesse desenho, Medina não conseguiu se firmar como o principal articulador pelo centro. Os 26 passes registrados mostram que esteve envolvido na circulação da bola, mas, isoladamente, esse número não revela influência na criação de oportunidades.
A ausência de finalizações também ajuda a dimensionar a noite discreta. Para um jogador escalado como camisa 10, não concluir a gol não é, por si só, prova de uma atuação ruim: a função envolve organizar, encontrar companheiros entre as linhas e acelerar a construção. Ainda assim, sem participação ofensiva mais evidente, Medina não aproveitou a abertura deixada pela suspensão de Montoro.
O dado mais direto é o resultado. O Botafogo precisava de uma resposta em uma fase delicada do campeonato, mas saiu derrotado. A contribuição de um meia não pode ser medida apenas pelo placar, porém a combinação de pouca presença no ataque, nenhuma finalização e substituição antes do fim reforçou a impressão de que o argentino ainda não se tornou uma solução confiável para a criação.
Medina no Botafogo: quatro treinadores e diferentes funções
Contratado em fevereiro, Medina chegou ao Rio de Janeiro depois de atuar pelo Estudiantes, então campeão argentino. O Botafogo o tratou como um dos principais alvos da janela de início de ano, expectativa que aumentou a atenção sobre cada oportunidade recebida. Desde então, o meia disputou 34 partidas e foi testado em diferentes posições sob o comando de quatro treinadores.
Martín Anselmi tentou utilizá-lo como primeiro volante, mais próximo da defesa e responsável por proteger a entrada da área. A experiência não funcionou. Medina não tem como característica principal a marcação, e a adaptação à função expôs limitações quando precisava recuperar a bola e sustentar a proteção do meio-campo. A escolha de posição, portanto, pesou na leitura de seu rendimento.
Com Franclim Carvalho e Rodrigo Bellão, o argentino encontrou condições mais favoráveis como meia de ligação e também apareceu como opção saindo do banco. Essa diferença importa: um jogador pode render melhor com liberdade para avançar do que encarregado de cobrir espaços e iniciar a saída sob pressão. O desafio para a comissão técnica é identificar uma função que aproveite suas qualidades sem exigir dele tarefas que não são seu ponto forte.
Os números defensivos ajudam a entender esse limite, embora não contem a história completa. Medina soma 45 desarmes, 27 faltas cometidas e 47 sofridas. O volume de faltas recebidas indica que também é alvo de contato durante as disputas, mas não permite concluir, sozinho, que esteja conseguindo controlar o ritmo ou superar a marcação. Para avaliar o desempenho, é necessário considerar onde recupera a bola e o que acontece depois da retomada.
Os números ofensivos ainda não sustentam a expectativa
Em 34 jogos pelo Botafogo, Medina marcou dois gols e distribuiu uma assistência. O último gol ocorreu em maio, enquanto o primeiro passe para gol pelo clube veio em outubro, no empate por 1 a 1 com o Coritiba. O intervalo até a assistência e a baixa participação em gols ajudam a explicar por que uma nova atuação apagada chama atenção, principalmente quando a equipe precisa de soluções no setor de criação.
O argentino tem ainda 35 finalizações e provocou 12 cartões amarelos para adversários. São indicadores de presença em disputas e tentativas de conclusão, mas não substituem dados sobre precisão, qualidade das chances ou criação de oportunidades claras. Os números disponíveis mostram que Medina já participou de ações ofensivas variadas; não demonstram, por si, regularidade suficiente para torná-lo o organizador central esperado.
O empate com o Coritiba ofereceu um sinal de que ele pode contribuir em uma estrutura diferente. Naquela partida, Medina e Danilo avançaram, enquanto Allan dava sustentação atrás. A composição permitiu que os dois meias ocupassem zonas mais ofensivas sem deixar o setor central desprotegido. É um exemplo concreto de como o posicionamento e as funções dos companheiros podem influenciar o desempenho do argentino.
Isso não significa que a mesma solução possa ser repetida automaticamente em todos os jogos. O adversário, a disponibilidade de jogadores e o estado da partida alteram as necessidades do meio-campo. Se Medina for escalado novamente como articulador, o time precisará aproximar opções de passe e oferecer movimentação entre as linhas; caso seja cobrado para proteger a defesa, a limitação já observada como volante volta a ser um ponto de atenção.
O retorno de Montoro muda as opções para a próxima rodada
Montoro cumpriu suspensão e volta a ficar à disposição de Tite para o compromisso contra o Atlético-MG, marcado para a próxima quarta-feira, às 21h30, no Estádio Nilton Santos. A volta do meia oferece à comissão técnica uma alternativa que esteve ausente diante do Remo e reduz a necessidade de repetir exatamente a mesma configuração usada na última partida.
Para Medina, o cenário pode significar menos espaço imediato entre os titulares, mas também uma oportunidade de atuar em uma função mais adequada. A disputa não precisa ser tratada apenas como uma escolha entre dois nomes: a comissão pode avaliar combinações, desenho de meio-campo e o papel de cada jogador conforme o plano de jogo. O que a partida contra o Remo mostrou é que substituir Montoro na camisa 10 não garantiu, por si só, a mesma capacidade de articulação.
A próxima rodada ganha peso porque o Botafogo tem cinco jogos restantes, ocupa o 11º lugar e soma 39 pontos. A posição e a pontuação mantêm a luta contra o rebaixamento no centro das preocupações do clube. Em uma sequência curta, cada partida reduz a margem para corrigir erros, e a utilização dos jogadores precisa responder tanto à necessidade de criar quanto à de proteger a equipe.
A definição do calendário também interfere na preparação e na pressão sobre os clubes na reta decisiva. A cobertura sobre a agenda de jogos decisivos do Brasileirão mostra como datas e sequência de partidas entram no debate sobre o momento das equipes, embora cada clube enfrente circunstâncias próprias.
Pressão contra a queda aumenta o peso de cada escolha
Quando a tabela aperta, a cobrança sobre contratações de destaque e decisões de escalação cresce. Medina chegou cercado de expectativa, mas a passagem pelo Botafogo tem sido marcada por mudanças de função e por uma produção ofensiva que ainda não se converteu em protagonismo constante. A avaliação precisa levar em conta esse contexto, sem transformar uma partida em veredito definitivo sobre o jogador.
Ao mesmo tempo, o clube não dispõe de muitas rodadas para esperar que uma adaptação aconteça sem impacto imediato. O retorno de Montoro amplia as alternativas, e a comissão técnica terá de decidir se mantém Medina em uma função mais adiantada, se o utiliza como opção durante o jogo ou se prioriza outra formação. A resposta depende do equilíbrio entre criação, ocupação dos espaços e proteção defensiva.
O Botafogo não é o único time submetido à tensão de uma disputa contra o Z-4, embora os cenários e as pontuações sejam diferentes. A situação do Vasco diante da luta para evitar a queda oferece outro retrato da pressão que acompanha clubes envolvidos nessa faixa da tabela. Para o Botafogo, o foco imediato permanece no duelo com o Atlético-MG e na necessidade de transformar as próximas oportunidades em pontos.
Medina ainda pode contribuir, especialmente se jogar em uma posição compatível com suas características, mas a atuação contra o Remo não fortaleceu sua candidatura para substituir Montoro como articulador. Com o titular de volta e cinco partidas pela frente, a decisão mais urgente é encontrar uma formação que produza mais sem comprometer o meio-campo. O desempenho e o resultado contra o Atlético-MG serão os próximos parâmetros para medir se o Botafogo encontrou uma resposta.
Na prática, a comissão técnica precisa separar expectativa de rendimento demonstrado: a contratação e a versatilidade não bastam sem participação efetiva na construção ofensiva. Medina pode ganhar espaço ao mostrar influência além da circulação de passes; Montoro, por sua vez, retorna como alternativa em um momento no qual cada escolha afeta a luta do Botafogo para permanecer fora da zona de rebaixamento.

