A lavagem de dinheiro está no centro do processo que pode levar Radja Nainggolan a uma condenação de dois anos de prisão na Bélgica. O Ministério Público também pede multa de 105 mil euros para o ex-volante de Roma e Inter, acusado de movimentar valores ligados a uma investigação sobre tráfico de cocaína. A decisão ainda não foi anunciada, e a defesa pretende pedir a absolvição.
O caso reúne acusações graves, transações em dinheiro vivo e uma disputa sobre o que Nainggolan sabia a respeito da origem dos recursos. A promotoria sustenta que o jogador ajudou a ocultar a devolução de valores recebidos de Nasr-Eddine Sekkaki. O atleta afirma que pegou o dinheiro emprestado e nega conhecer o histórico criminal da família.
Fatos centrais do processo
- O Ministério Público pede dois anos de prisão e multa de 105 mil euros para Nainggolan.
- A acusação não aponta o jogador como integrante da organização criminosa nem como participante direto do tráfico.
- As alegações finais da defesa estão previstas para 13 de novembro de 2026.
Índice do Artigo
Lavagem de dinheiro: o que a acusação atribui a Nainggolan
Segundo a promotoria, o meio-campista recebeu mais de 100 mil euros em espécie de Nasr-Eddine Sekkaki ao longo de alguns meses. Sekkaki é irmão de Ashraf Sekkaki, apontado como criminoso conhecido. Depois, o valor teria sido devolvido em parcelas para uma conta bancária pertencente à mãe de Nasr-Eddine.
O ponto mais delicado para a acusação está na forma como essas transferências teriam sido registradas. O Ministério Público afirma que Nainggolan descreveu os pagamentos como se fossem destinados a obras de construção que não existiam. Para os promotores, a descrição teria servido para disfarçar a natureza real das movimentações.
A promotoria também diz que dados extraídos do celular do jogador indicariam que ele compreendia a ilegalidade da operação e prestava um favor a Sekkaki. Essa interpretação é contestada pela defesa, que deverá apresentar suas alegações finais em audiência marcada para 13 de novembro.
O pedido de condenação, portanto, não significa que Nainggolan já tenha sido considerado culpado. Cabe ao tribunal avaliar as provas e os argumentos das partes. A diferença é relevante: neste momento, há uma acusação formal e uma pena solicitada pelo Ministério Público, mas o julgamento ainda precisa chegar a uma decisão.
Investigação começou com foco no tráfico pelo porto de Antuérpia
As autoridades belgas abriram a investigação em março de 2026 para apurar uma organização suspeita de importar grandes quantidades de cocaína da América do Sul para a Europa. O porto de Antuérpia, um dos principais pontos de entrada de cargas no continente, aparece como eixo da apuração sobre o tráfico internacional.
O trabalho policial incluiu escutas telefônicas e ações de vigilância. Em janeiro de 2026, uma operação levou à prisão de vários suspeitos. Nainggolan foi detido nessa ocasião e passou uma noite sob custódia antes de ser liberado.
O processo não se limita ao ex-jogador. Ao todo, 16 pessoas são rés, e as penas solicitadas variam de 12 meses a 14 anos de prisão. Para os líderes apontados pela investigação, a promotoria pede multas que podem chegar a 800 mil euros.
Há uma distinção importante entre o contexto geral da investigação e a acusação específica contra o atleta. O Ministério Público não afirma que Nainggolan tenha participado diretamente do tráfico de cocaína ou integrado a organização criminosa. A denúncia contra ele trata da suspeita de lavagem de dinheiro, relacionada ao recebimento e à devolução dos valores.
Lavagem de dinheiro e a explicação apresentada pelo jogador
Durante o interrogatório, Nainggolan explicou que não tinha dívidas, mas enfrentava restrições nas contas bancárias italianas em razão do divórcio com Claudia. Segundo a versão apresentada por ele, precisava de dinheiro em espécie para manter seu padrão de vida e pediu um empréstimo a Sekkaki.
O jogador também declarou que não conhecia o passado criminal da família. Essa afirmação será confrontada com os elementos reunidos pelos investigadores, incluindo as mensagens e demais dados do telefone que, segundo a promotoria, demonstrariam conhecimento sobre a operação.
A disputa jurídica envolve, assim, mais do que a confirmação de que houve circulação de dinheiro. O tribunal terá de avaliar se as operações foram empréstimos particulares, como sustenta o atleta, ou se as circunstâncias e os registros revelam uma tentativa consciente de ocultar a origem ou o destino dos valores.
Em casos dessa natureza, a intenção atribuída ao acusado e o conhecimento sobre a procedência do dinheiro são pontos centrais da análise. Uma transferência com descrição falsa pode ser interpretada pela acusação como indício de ocultação, mas a defesa pode contestar tanto o significado do registro quanto a conclusão de que o jogador sabia de uma eventual origem criminosa.
O pedido do Ministério Público também inclui uma multa de 105 mil euros, aproximadamente R$ 640 mil segundo a conversão divulgada na notícia. A sanção financeira solicitada está ligada ao caso de Nainggolan e não deve ser confundida com as multas mais elevadas requeridas para os supostos líderes da organização.
Do destaque na Bélgica à passagem por Roma e Inter
Nainggolan tem 36 anos e disputou 30 partidas pela seleção da Bélgica antes de encerrar sua trajetória internacional em 2018. No futebol italiano, ganhou projeção por suas passagens por Cagliari, Roma e Inter de Milão, clubes que marcaram diferentes etapas de sua carreira.
O vínculo com a Inter também ajuda a explicar por que o caso repercute além da Bélgica: Nainggolan foi uma figura conhecida do futebol europeu e vestiu a camisa de equipes de grande visibilidade. A transformação da casa dos dois rivais de Milão também segue em debate, como mostra a cobertura sobre o projeto do novo San Siro para Inter e Milan.
Atualmente, o volante atua pelo Patro Eisden, da segunda divisão belga. A situação judicial pode pesar sobre sua imagem e sobre a continuidade de sua carreira, mas qualquer consequência esportiva dependerá das decisões do clube e do andamento do processo. Até que haja sentença, a acusação deve ser tratada como uma alegação ainda sujeita à análise judicial.
A trajetória de jogadores experientes em clubes de diferentes níveis também pode mudar rapidamente quando surgem questões fora de campo. A cobertura sobre Renato Sanches e o retorno após meses sem clube mostra outro cenário de transição profissional, embora envolva circunstâncias distintas e não tenha relação com a investigação belga.
Próximo passo será a defesa no tribunal
A audiência de 13 de novembro de 2026 é o próximo marco informado para o caso de Nainggolan. Nela, os advogados devem apresentar os argumentos pela absolvição e contestar a interpretação da promotoria sobre os pagamentos, a descrição das transferências e o conteúdo encontrado no celular do atleta.
O desfecho dependerá de como o tribunal avaliará esses elementos e a versão de cada parte. Por enquanto, o fato confirmado é que o Ministério Público pediu dois anos de prisão e uma multa de 105 mil euros; a responsabilidade criminal do ex-jogador ainda não foi definida. Acompanhar a audiência e a decisão judicial é essencial para separar o pedido de condenação do resultado final do processo.

