O Presidente do Flamengo questiona empréstimo de ex-patrocinadora do Palmeiras ao Vasco, levantando preocupações sobre a integridade e transparência na construção de uma liga unificada no futebol brasileiro. Luiz Eduardo Baptista, o Bap, manifestou seu ceticismo em relação a acordos financeiros que podem, em sua visão, criar conflitos de interesse e abrir precedentes indesejáveis para a gestão esportiva.
Em sua participação no evento CBC & Clubes Expo, em Campinas, Bap utilizou a operação de crédito de R$ 80 milhões concedida pela Crefisa ao Vasco – empresa que já teve vínculo com o Palmeiras – como um exemplo emblemático dos perigos de uma estrutura de liga mal planejada. Segundo o dirigente, tais transações podem configurar uma forma de “propriedade cruzada” disfarçada, onde um mesmo detentor de capital poderia exercer influência sobre dois clubes distintos no cenário nacional, algo que, em sua opinião, é coibido por legislações internacionais.
A Metáfora do Casamento e a Integridade das Ligas
Bap comparou a formação de uma liga unificada a um casamento, utilizando a metáfora da comunhão parcial de bens. Ele explicou que, nesse regime, o que cada cônjuge possuía antes da união é individual, e o que é construído em conjunto é compartilhado. No entanto, ele alertou para o risco de um dos parceiros tentar “invadir” o patrimônio do outro, o que seria caracterizado como desapropriação ou invasão. O Flamengo, segundo ele, se posiciona contra essa tentativa de invasão, não por oposição à ideia de uma liga – que ele reconhece o potencial de multiplicar o valor do futebol brasileiro –, mas pela forma como ela está sendo estruturada.
“O Flamengo é a favor de uma liga nacional. Isso é bom que seja dito para todo mundo. O que acontece é que, quando você vai se juntar com alguém, quando vai casar, vou criar uma metáfora aqui para todo mundo entender, o casamento na comunhão parcial de bens funciona assim: o que você tem é seu, o que você vai construir de novo vai ser dividido de igual maneira. Quando você casa com alguém, e esse alguém quer invadir o que você tem, o nome disso é desapropriação ou invasão. O Flamengo é contra isso, é uma questão de princípio, nada contra ou a favor da liga”, declarou Bap.
Ele enfatizou que o diabo mora nos detalhes e que a forma como a liga será estabelecida é crucial. A preocupação central gira em torno da possibilidade de um único investidor ou entidade ter controle ou influência significativa sobre múltiplos clubes, o que violaria princípios de concorrência justa e poderia distorcer o equilíbrio competitivo.
Presidente do Flamengo questiona empréstimo de ex-patrocinadora do Palmeiras ao Vasco e o modelo SAF
A crítica de Bap não se limitou ao caso Crefisa/Vasco. Ele também abordou o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e sua aplicação prática, citando o caso do Botafogo. O dirigente questionou o aumento expressivo da dívida do clube após a reestruturação via SAF, levantando dúvidas sobre a eficácia e a responsabilidade dos modelos de gestão que resultam em endividamento ainda maior.
“Entendo que a gente não pode ficar olhando para trás. No videoteipe todo mundo é genial. Mas o modelo precisa ser revisto. Vamos pegar esse exemplo (Botafogo). Posso estar equivocado na ordem de grandeza dos números, mas quando essa SAF foi constituída eram R$ 700 milhões de dívidas. Talvez eu esteja equivocado no número exato. Hoje, pelo que se lê na mídia, o valor é três vezes e meia maior que o inicial. Aí você pega a recuperação judicial, e está incluso a primeira parte da dívida que você entrou em tese para cobrir. Aí não cobriu a dívida antiga, fez R$ 1 bilhão e pouco de dívida a mais e agora um pacote único de reformulação. É aprender com isso”, comentou.
Bap defendeu que, embora a SAF seja importante, ela precisa de limites e obrigações claras. Clubes que recebem capital e não cumprem com seus compromissos deveriam ser severamente punidos. Ele citou exemplos de SAFs bem-sucedidas, como Bragantino e Bahia, como modelos a serem seguidos quando o capital investido cumpre o seu papel de auxiliar e fortalecer os clubes.
O presidente do Flamengo também reiterou a posição do clube contra os gramados sintéticos, defendendo a grama natural como padrão para o futebol de alto nível, alinhado com as principais ligas europeias. A decisão sobre o tipo de gramado, segundo ele, cabe à CBF.
O Impacto da Reforma Tributária no Esporte
Em suas reflexões no evento, Bap também tocou em outro ponto sensível: a reforma tributária e seu impacto nos clubes associativos em comparação com as SAFs. Ele criticou a perspectiva de aumentar a carga tributária sobre entidades esportivas sem fins lucrativos, argumentando que isso é “absolutamente inaceitável” e que tirar dinheiro do esporte é um “tiro na cabeça” para o desenvolvimento nacional.
“O esporte nacional tem vivido de algumas esmolas, de esmolas há alguns anos. Vou dar os termos claros. Agora estão querendo tirar a esmola da gente achando que isso vai pagar a dívida. Sabe o que vai acontecer? Vai acabar com o esporte nacional, e ano que vem vão inventar outra taxação sobre outro segmento. Temos uma série de problemas no Brasil, e tenho a convicção de dizer que tirar dinheiro do esporte não é um tiro no pé, é um tiro na cabeça. O esporte contribui em todas as etapas de formação do atleta e do cidadão”, afirmou.
O dirigente defendeu que o esporte é fundamental na formação de atletas e cidadãos e que taxá-lo severamente compromete não apenas o presente, mas o futuro do país. Ele ressaltou que, apesar de décadas de discussões sobre problemas fiscais, a solução não passa por onerar ainda mais o setor esportivo, que já opera com recursos limitados.
A declaração do Presidente do Flamengo questiona empréstimo de ex-patrocinadora do Palmeiras ao Vasco e outros pontos levantados por Bap sublinham a complexidade do cenário do futebol brasileiro, que busca se modernizar e se profissionalizar, mas enfrenta desafios significativos relacionados à governança, transparência e sustentabilidade financeira. A discussão sobre a liga unificada e os modelos de gestão de clubes é fundamental para garantir um futuro mais justo e competitivo para o esporte nacional. Para aprofundar sobre os desafios da gestão de clubes, confira também como o Corinthians está lidando com a recuperação de seus jogadores.
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