Índice do Artigo
- Pontos Principais
- O dia em que o sonho quase virou rotina
- Os números que ninguém contesta
- O problema que trava o esquema de Jardim
- Nem as lesões explicam tudo
- O que os jogos mostram sobre o potencial da formação
- O treinador que testou e calou
- Tabela: o desempenho completo do quarteto
- O que esperar da reta final?
- Perguntas Frequentes
- O quarteto Pulgar, Jorginho, Paquetá e Arrascaeta já jogou junto?
- Por que Leonardo Jardim não usa os quatro juntos?
- Qual o desempenho do Flamengo com o quarteto em campo?
Pontos Principais
- O quarteto Pulgar, Jorginho, Paquetá e Arrascaeta não entra em campo junto desde março, há cinco meses.
- Nas raras vezes em que atuaram juntos, o Flamengo venceu quatro dos cinco jogos — a única derrota veio contra o Cruzeiro.
- Lesões e a dificuldade de encaixar Paquetá como meia aberto são os principais obstáculos para a formação voltar.
- Leonardo Jardim tem a missão de decidir se o quarteto terá uma nova chance na reta final da temporada.
O Flamengo tem em mãos um meio-campo que faria qualquer torcida sonhar, mas o quarteto Pulgar, Jorginho, Paquetá e Arrascaeta não é usado no Flamengo desde março — e o mistério (ou teimosia) já dura cinco meses. A pergunta que não sai da cabeça do rubro-negro é simples de fazer e difícil de responder: por que uma formação tão empolgante simplesmente foi engavetada?
A resposta curta para a pergunta que todo torcedor faz: sim, eles podem jogar juntos, e os números provam isso. Foram apenas cinco partidas com os quatro em campo, com quatro vitórias e um empate. A única derrota veio justamente no último encontro, contra o Cruzeiro. O que falta não é talento nem entrosamento — é uma decisão ousada do treinador.
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O dia em que o sonho quase virou rotina
Para entender o tamanho do enigma, é preciso voltar ao dia 11 de março. Naquela noite, o Flamengo venceu o Cruzeiro por 2 a 0, na quinta rodada do Brasileirão, com o quarteto atuando como titular. Foi a única vez que Pulgar, Jorginho, Paquetá e Arrascaeta começaram uma partida juntos. Paquetá saiu aos 27 minutos do segundo tempo, e ainda assim o time construiu um triunfo sólido, com um gol marcado e nenhum sofrido no período em que estiveram em campo.
O que parecia o início de uma formação de respeito, no entanto, virou um caso raro. Desde então, o técnico Leonardo Jardim — que sucedeu Filipe Luís — parece ter colocado o quarteto na gaveta das ideias descartadas. Mas será que é só uma questão tática? Ou existe algo mais profundo por trás dessa decisão?
Os números que ninguém contesta
Ao todo, o quarteto somou apenas 175 minutos juntos, o equivalente a menos de duas partidas completas. Em jogos que aconteceram entre fevereiro e março, sob diferentes cenários e contextos, o time marcou dois gols e sofreu outros dois. Vamos aos fatos:
- Supercopa do Brasil: 11 minutos juntos na derrota por 2 a 0 para o Corinthians. Paquetá entrou no segundo tempo, mas Arrascaeta saiu logo depois.
- Recopa Sul-Americana: 66 minutos na derrota por 3 a 2 para o Lanús. O Flamengo fez um gol, mas sofreu dois com o quarteto em campo.
- Final do Carioca: 21 minutos no empate em 0 a 0 com o Fluminense. Sem gols, mas com título nos pênaltis.
- Brasileirão: 77 minutos na vitória por 2 a 0 sobre o Cruzeiro, com um gol marcado e nenhum sofrido.
Somando tudo: quatro vitórias, um empate e apenas uma derrota. Em cinco jogos, o time não tomou sufoco coletivo, entregou resultado e ainda mostrou repertório para furar bloqueios. Para aprofundar: Drama e glória na reta final: como a Série C define primeiros classificados e rebaixa um na penúltima rodada.
O problema que trava o esquema de Jardim
Se os números são tão favoráveis, por que o treinador insiste em não repetir a formação? A resposta mais clara — e que qualquer analista de futebol enxerga — está no encaixe de Paquetá. Quando atua pelo lado direito, o camisa 20 rende abaixo do que mostra como segundo volante. Mas é justamente essa posição que pertence a Jorginho, que recuperou o bom futebol nos confrontos contra o Cruzeiro pela Libertadores. O quebra-cabeça tem duas peças que disputam o mesmo espaço, e a solução não é óbvia.
Antes do último jogo contra o Cruzeiro, aliás, Jardim vinha alternando Paquetá e Arrascaeta, um entrando na vaga do outro. O treinador testou o quarteto como titular apenas uma vez e parece não ter gostado do resultado coletivo que viu em outras partidas. Mas a ausência completa, inclusive como substituição, acende um alerta: será que a formação foi descartada de vez?
Nem as lesões explicam tudo
É verdade que o departamento médico também entra na conta. Jorginho desfalcou o time em seis jogos por uma lesão na coxa esquerda, em fevereiro, e depois ficou mais quatro partidas ausente em abril, com uma contusão na panturrilha direita. Pulgar, por sua vez, passou um mês afastado por machucar o ombro direito, perdendo 13 compromissos. Arrascaeta quebrou a clavícula no fim de abril e amargou o restante do semestre inteiro fora. Paquetá também teve uma lesão na coxa esquerda após a Copa do Mundo, ficando de fora por quatro jogos.
Em determinado momento, simplesmente não havia como testar a formação porque faltavam jogadores. Mas isso não explica por que, com todos disponíveis, o quarteto não recebeu uma nova chance sequer como opção durante as partidas. O sinal de alerta é claro: quando todos estiveram à disposição, Jardim preferiu outras soluções.
Nós analisamos os padrões do time ao longo da temporada e notamos que, nos jogos de maior pressão, o treinador opta por uma estrutura mais cadenciada, com dois volantes de marcação e um meia criativo. A impressão é que o quarteto, embora bonito no papel, exige mais compactação defensiva do que Jardim está disposto a sacrificar.
O que os jogos mostram sobre o potencial da formação
Pelo que observamos na prática, o quarteto funciona quando o Flamengo precisa de intensidade ofensiva com posse de bola. Contra o Cruzeiro, na única atuação completa, o time criou chances em velocidade e não se expôs. O problema é que, diante de adversários que se fecham, a ausência de um marcador natural de ofício pode deixar a defesa vulnerável. É um risco calculado, mas que Jardim parece não querer correr.
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A torcida, claro, não perdoa. Nas redes sociais, o pedido por uma escalação com os quatro é uma constante. O Corinthians, por exemplo, viveu situação parecida em anos recentes e demorou a encontrar o equilíbrio entre talento e marcação. A diferença é que, no caso rubro-negro, o tempo para experimentos está acabando. A reta final do Brasileirão é curta, e cada ponto perdido pode ser fatal na briga pelo título.
O treinador que testou e calou
É bom lembrar que Filipe Luís, atual campeão carioca, usou o quarteto em dois jogos, ambos com vitória. Jardim também o utilizou em duas ocasiões, incluindo a derrota para o Lanús, na Recopa. O cartaz não é de uma formação fracassada — é de uma ideia incompleta. O próprio Paquetá, quando questionado, já demonstrou conforto jogando ao lado de Arrascaeta, mas a decisão final cabe ao técnico.
Enquanto isso, o Flamengo segue dependendo apenas de si para conquistar o título do Brasileirão. O ge calculou o cenário, e o time não precisa de tropeços de ninguém — basta vencer. A ironia é que uma formação que empolgou no início do ano, chamada de “quarteto mágico” por parte da imprensa, virou peça de museu justamente quando o time mais precisa de soluções ofensivas. Entenda melhor no contexto da disputa: Vasco é atropelado pelo Palmeiras e Pedro Emanuel dispara: ‘Futebol é gol’.
Tabela: o desempenho completo do quarteto
| Jogo | Competição | Minutos juntos | Resultado | Gols do time com o quarteto | Gols sofridos com o quarteto |
|---|---|---|---|---|---|
| Flamengo 2 x 0 Cruzeiro | Brasileirão | 77 | Vitória | 1 | 0 |
| Flamengo 0 x 0 Fluminense | Carioca | 21 | Empate (título nos pênaltis) | 0 | 0 |
| Flamengo 2 x 3 Lanús | Recopa | 66 | Derrota | 1 | 2 |
| Flamengo 0 x 2 Corinthians | Supercopa | 11 | Derrota | 0 | 0 |
| Flamengo 1 x 0 Independiente Medellín | Libertadores | — | Vitória | — | — |
O que esperar da reta final?
A resposta sobre o “quarteto de novo” pode vir nos próximos jogos. Jardim não é de fazer mistério injustificado; ele escala conforme o planejamento, e a tendência é que, com o elenco quase completo, ele finalmente tenha condições de testar a formação em uma sequência de partidas. Mas há um risco embutido: se a tentativa der errado em um jogo de briga direta pelo título, a cobrança será implacável.
Do outro lado, a torcida pergunta: e se der certo? Um meio-campo com Pulgar de âncora, Jorginho como cérebro, Paquetá como motor e Arrascaeta como a lâmina final pode transformar qualquer defesa adversária em um campo minado. É o tipo de escalação que não precisa ser jogada todas as rodadas, mas que pode ser a chave para destravar partidas contra times retrancados — algo que o Flamengo enfrenta quase todo fim de semana.
Em um futebol cada vez mais preocupado com a compactação, abrir mão de um jogador de marcação para colocar um criador é um ato de coragem. Em 2026, o Flamengo precisa mais de coragem do que de receita pronta. A pergunta “podem jogar juntos?” continua no ar, mas agora com um adendo: “podem jogar juntos… a tempo de salvar a temporada?”.
O Campeonato Brasileiro não perdoa hesitação, e o relógio corre contra a paciência de quem sonha em ver o quarteto mágico em campo novamente. Se Jardim vai usar essa carta, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: com cinco meses de espera, a torcida não aguenta mais assistir de longe ao que poderia ser um dos meios-campos mais vibrantes do futebol brasileiro.
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Perguntas Frequentes
O quarteto Pulgar, Jorginho, Paquetá e Arrascaeta já jogou junto?
Sim, mas apenas cinco vezes. A última foi em 11 de março, na vitória por 2 a 0 sobre o Cruzeiro, pelo Brasileirão. Desde então, não entraram mais juntos em campo. A formação tem quatro vitórias e um empate no histórico.
Por que Leonardo Jardim não usa os quatro juntos?
O principal motivo é o encaixe de Paquetá. Quando atua aberto pela direita, ele rende menos do que jogando como segundo volante, função que hoje pertence a Jorginho. Além disso, lesões atrapalharam qualquer sequência com o grupo completo, mas mesmo com todos disponíveis o treinador não repetiu a escalação.
Qual o desempenho do Flamengo com o quarteto em campo?
Em 175 minutos juntos, o time marcou dois gols e sofreu dois. Foi titular apenas uma vez, justamente na melhor atuação, contra o Cruzeiro. Nos demais jogos, as entradas aconteceram durante as partidas, em contextos diferentes de placar.

