Índice do Artigo
- Pontos Principais
- A falsificação que abalou o Morumbi
- O documento falso e a manobra estatutária
- O pano de fundo: gastos de Casares e a SAF
- Reações e próximos passos
- Conclusão: um clube à beira do abismo
- Perguntas Frequentes
- O que exatamente levou ao indiciamento de Olten Ayres?
- Qual a pena prevista para o crime de falsidade ideológica?
- O escândalo pode atrapalhar a venda do São Paulo para uma SAF?
Pontos Principais
- Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, foi indiciado por falsidade ideológica pela Polícia Civil.
- Documento falso teria sido usado para aprovar reforma estatutária favorável à criação de SAF, sem discussão colegiada.
- Relatório da Comissão de Ética apontou que o parecer foi redigido por um advogado do clube, não pelos conselheiros.
- Investigacão segue para o Ministério Público, que pode denunciar ou arquivar o caso.
- Escândalo soma-se a gastos suspeitos do ex-presidente Julio Casares com cartão corporativo do clube.
O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres, foi indiciado por falsidade ideológica pela Polícia Civil em um caso que já sacode os alicerces do clube. A investigação, conduzida pelo delegado Tiago Fernando Correia, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), foi concluída nesta semana e aponta que um documento crucial para aprovar uma reforma estatutária foi forjado para beneficiar a criação de uma SAF. O inquérito agora segue para o Ministério Público, que decidirá se denuncia Ayres, oferece um acordo ou pede novas diligências.
Em resumo, as autoridades concluíram que um parecer datado de 17 de dezembro de 2026, assinado por dois membros do Conselho Consultivo do São Paulo — José Eduardo Mesquita Pimenta e Ives Granda — não passou por nenhum debate no colegiado. O documento, que defendia alterações no estatuto para viabilizar a venda do clube para investidores, foi redigido por um advogado do São Paulo e entregue já pronto para que os conselheiros apenas assinassem. A Comissão de Ética do clube, que já havia alertado para o indício de crime, enviou o caso à polícia em abril deste ano.
A falsificação que abalou o Morumbi
O escândalo começou a ganhar corpo quando a Comissão de Ética do São Paulo recebeu uma representação contra Olten Ayres, acusado de usar um documento falso para respaldar a proposta de reforma estatutária. De acordo com a investigação interna, o então presidente do clube, Julio Casares, iniciou em 2026 um processo de reforma estatutária com duas sugestões polêmicas: eliminar o quórum qualificado para aprovar a criação de uma SAF (hoje exige mais de dois terços dos votos) e separar o futebol do clube social. A proposta foi encaminhada ao Conselho Consultivo, que supostamente emitiu um parecer favorável.
O problema é que, como revelou a Comissão de Ética, não houve reunião do Conselho Consultivo, nem debate entre os membros. O e-mail de Ives Granda, obtido pelo colegiado, confirma que o relatório reflete “apenas conversas isoladas com alguns conselheiros” e foi redigido por um advogado do clube, não pelos signatários. “Se corporifica nesse documento um eventual falso ideológico, pois o teor não condiz com a realidade e a lealdade dos fatos”, concluiu a Comissão ao encaminhar o caso à polícia.
O documento falso e a manobra estatutária
O parecer falso afirmava, entre outras coisas, que a reforma era “vital para a salvaguarda e o crescimento futuro do São Paulo”. Assinado por Pimenta e Granda, o texto foi usado por Olten Ayres para justificar o envio da proposta à Comissão Legislativa. No entanto, a Comissão Legislativa emitiu um parecer contrário em 6 de abril, apontando riscos jurídicos e econômicos. Olten Ayres invalidou o parecer, alegando que a comissão havia extrapolado o prazo regimental de 30 dias. O presidente da Comissão, Harry Massis, contestou a decisão, argumentando que o descumprimento do prazo não anula o documento — e foi aí que a história desandou.
A representação de Massis levou a Comissão de Ética a ouvir os conselheiros, que confirmaram não ter participado de qualquer reunião. A conclusão foi clara: houve falsidade ideológica, crime previsto no Código Penal com pena de 1 a 5 anos de reclusão para documento público (como é o estatuto do clube). Confira também a análise de outros escândalos que movimentam o futebol brasileiro, como a reafirmação de Ancelotti com a seleção brasileira até 2030, em meio a especulações.
O pano de fundo: gastos de Casares e a SAF
Este indiciamento não acontece no vácuo. O nome de Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, já estava manchado por um escândalo de gastos no cartão corporativo do clube, que ultrapassaram R$ 1 milhão em lojas de grife e casas de charutos, conforme revelado pelo GE. Embora a investigação sobre a falsidade ideológica não esteja diretamente ligada a essa força-tarefa, os dois casos expõem uma gestão marcada por suspeitas de irregularidades financeiras e administrativas.
A criação de uma SAF é vista por muitos torcedores como a única saída para a crise financeira do São Paulo, que acumula dívidas de mais de R$ 500 milhões. Mas a manobra para aprovar a reforma estatutária sem o debate necessário levanta dúvidas sobre a transparência do processo. Enquanto isso, movimentações em outros clubes chamam a atenção — como a negociação bilionária do Manchester City por Eliott Anderson, que coloca o volante entre os mais caros do mundo.
Reações e próximos passos
A torcida tricolor reagiu com indignação. Nas redes sociais, grupos organizados cobram a saída imediata de Olten Ayres e até mesmo uma intervenção judicial no Conselho Deliberativo. A diretoria do clube, por sua vez, manteve silêncio oficial, mas fontes internas indicam que o presidente do Conselho já tenta articular um acordo com o Ministério Público para evitar uma denúncia formal. Caso o MP ofereça um acordo de não persecução penal, Ayres poderia escapar da prisão, mas ficaria obrigado a cumprir restrições como pagamento de multa e prestação de serviços à comunidade.
Do outro lado, os conselheiros signatários do documento falso, Pimenta e Granda, também estão sob investigação. Embora não tenham sido indiciados, a polícia pode pedir novas diligências para apurar se eles agiram com dolo ou foram coagidos. Afinal, como afirmou a Comissão de Ética, “o documento não refletia a realidade”. Para aprofundar, veja o caso do golaço de Pedro que o recolocou na artilharia do Brasileirão, um exemplo de superação, enquanto o São Paulo tenta superar seus próprios erros.
Conclusão: um clube à beira do abismo
O indiciamento de Olten Ayres por falsidade ideológica é mais um capítulo na novela que afasta o São Paulo de sua grandeza histórica. Se antes o clube se destacava por títulos e revelações, agora amarga escândalos administrativos que minam a confiança de torcedores e investidores. A reforma estatutária, que poderia abrir as portas para uma SAF bilionária, segue travada — e o futuro do clube depende de decisões judiciais e da capacidade de seus dirigentes de provarem que ainda há ética no Morumbi. Descubra também como o Palmeiras prepara uma joia de R$ 290 milhões para o profissional, mostrando que no futebol brasileiro, a gestão transparente ainda pode render frutos.
Perguntas Frequentes
O que exatamente levou ao indiciamento de Olten Ayres?
Ayres foi indiciado por falsidade ideológica porque utilizou um parecer do Conselho Consultivo que não foi debatido pelo colegiado, redigido por um advogado do clube e apenas assinado por dois conselheiros. Esse documento foi usado como justificativa para encaminhar uma reforma estatutária polêmica, enganando as instâncias internas do São Paulo.
Qual a pena prevista para o crime de falsidade ideológica?
O Código Penal brasileiro prevê, para falsidade ideológica em documento público, reclusão de 1 a 5 anos e multa. Se o documento for particular, a pena é de 1 a 3 anos de reclusão, também com multa. No caso do São Paulo, o parecer integrava o processo estatutário, tratado como documento público.
O escândalo pode atrapalhar a venda do São Paulo para uma SAF?
Sim. A reforma estatutária que facilitaria a criação da SAF está sob suspeita e pode ser anulada judicialmente. Além disso, a crise de confiança gerada pelo indiciamento pode afastar potenciais investidores, que exigem transparência. O Ministério Público poderá inclusive pedir a nulidade de qualquer ato baseado no documento falso.

