Riquelmes do Vasco são dois laterais formados nas categorias de base do clube, mas com trajetórias diferentes: Riquelme Carvalho Araújo Viana está fora dos planos do time principal, enquanto Riquelme Avellar da Silva Fortes integra o sub-20 e já teve oportunidades entre os profissionais. Os nomes dos jogadores remetem a Juan Román Riquelme, ídolo e presidente do Boca Juniors.
Índice do Artigo
- Riquelmes do Vasco: dois nomes ligados a um ídolo argentino
- Riquelme Carvalho: formado no clube, mas fora dos planos
- A escolha do nome de Avellar começou na família
- O caminho de Avellar aproxima a base do time principal
- O duelo com o Boca colocou a coincidência sob os holofotes
- O que as histórias dizem sobre identidade e formação
Riquelmes do Vasco: dois nomes ligados a um ídolo argentino
A coincidência chama atenção justamente em um confronto carregado de simbolismo. Na ocasião da publicação da notícia, o Vasco se preparava para receber o Boca Juniors no Maracanã, pela volta da semifinal da Copa Sul-Americana. A equipe cruz-maltina havia vencido o primeiro jogo por 1 a 0, na Argentina, e poderia avançar à decisão com um empate.
Do outro lado estava Juan Román Riquelme, figura central da história recente do Boca. O meia argentino marcou época com atuações que ficaram na memória de torcedores brasileiros durante os anos 2000. Hoje presidente do clube de Buenos Aires, ele continua sendo uma referência para quem acompanhou os duelos sul-americanos daquele período.
A ligação entre o nome e o futebol não aparece apenas nos dois jogadores vascaínos. Segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 30 mil pessoas no Brasil tinham o nome Riquelme, considerando possíveis variações. A década de 2000 a 2009 concentrou o pico de registros, período em que o meia ganhou projeção no país com o Boca Juniors.
O ambiente de um clube também ajuda a explicar como histórias individuais se cruzam com a identidade de uma equipe. Em outro contexto vascaíno, a iniciativa de Seedorf no Corinthians mostra como referências do esporte podem ser usadas para tentar influenciar o clima e a cultura de um elenco.
Riquelme Carvalho: formado no clube, mas fora dos planos
Riquelme Carvalho Araújo Viana nasceu em 28 de agosto de 2002. Naquele mesmo ano, Juan Román Riquelme deixou o Boca Juniors para jogar pelo Barcelona. A coincidência de datas aproxima ainda mais as histórias, embora o lateral vascaíno tenha construído sua trajetória longe dos holofotes do craque argentino.
Cria das categorias de base do Vasco, Carvalho atua como lateral-esquerdo. No momento retratado pela notícia, porém, ele estava fora dos planos da comissão técnica e não treinava com o elenco principal comandado por Pedro Emanuel. A informação diferencia sua situação da de Avellar, que seguia integrado às atividades do sub-20 e tinha contato frequente com os profissionais.
Esse contraste evidencia um aspecto importante da formação no futebol: chegar à equipe principal não depende apenas de ter sido desenvolvido dentro do clube. A passagem da base para o profissional envolve concorrência por posição, planejamento da comissão técnica e oportunidades de jogo. Para um lateral, a disputa por minutos pode ser especialmente sensível, já que o atleta precisa atender a tarefas defensivas e participar da construção ofensiva pelos lados.
No caso de Carvalho, os dados disponíveis apontam que ele não estava treinando com o grupo principal. Isso não permite concluir qual será o próximo passo de sua carreira, mas mostra que sua situação era diferente da de outros jovens do clube que já recebiam oportunidades em partidas oficiais. A distinção evita tratar os dois jogadores como se ocupassem o mesmo estágio de desenvolvimento.
A escolha do nome de Avellar começou na família
Riquelme Avellar da Silva Fortes nasceu em 8 de março de 2006. A escolha do nome, segundo o pai, Ricardo, foi resultado de um acordo familiar feito antes do nascimento dos filhos: se viesse um menino, ele escolheria o nome; se fosse menina, a decisão caberia à mãe, Tânia.
Ricardo acompanhava futebol e admirava as qualidades que via no jogador argentino. A personalidade, a técnica e a disposição de atuar tanto para si quanto para o coletivo foram os elementos que o convenceram a escolher Riquelme. Para apresentar a ideia à companheira, ele mostrou vídeos e lances do meia. Tânia não acompanhava o esporte com a mesma intensidade, mas, depois de conhecer o jogador, aceitou a escolha.
A história também mostra como a popularidade de um atleta pode atravessar gerações e chegar a decisões íntimas, como a escolha de um nome. O pai não escolheu apenas uma referência conhecida: associou o nome a um estilo de jogo e a características que admirava. Anos depois, o filho passou a atuar profissionalmente justamente no futebol, transformando a homenagem familiar em parte de uma trajetória esportiva.
Avellar não é o único filho da família que joga futebol. Seu irmão, Richardson, é atacante, tem 26 anos e atua pelo São Cristóvão. Formado no Vila Nova, ele também passou por equipes de divisões inferiores do futebol do Rio de Janeiro. A família, portanto, acompanha de perto mais de uma carreira nos gramados, embora cada jogador tenha seguido um caminho diferente.
O caminho de Avellar aproxima a base do time principal
Naquele momento, Avellar era titular do sub-20 vascaíno e havia conquistado o Campeonato Brasileiro da categoria na temporada. Ele também treinava com frequência com o elenco profissional. A diferença entre essa rotina e a situação de Carvalho ajuda a dimensionar como dois atletas com o mesmo nome e posição podem estar em etapas distintas dentro de uma mesma estrutura.
O lateral já havia entrado em campo pela equipe principal. Sua estreia ocorreu contra o Palmeiras, no Nubank Parque, quando participou do segundo tempo. Na Copa Sul-Americana, também somou minutos em partidas contra o Olimpia, em dois jogos, além de confrontos com Audax Italiano e Barracas Central.
Essas aparições não significam que o jovem tenha assegurado espaço permanente entre os profissionais. Em termos de desenvolvimento, contudo, treinar com o grupo principal e participar de jogos oficiais oferece experiências diferentes das competições de base: o ritmo, a tomada de decisão sob pressão e a adaptação às exigências táticas passam a ser observados em outro nível. A sequência de oportunidades dependeria das escolhas da comissão e das necessidades do elenco.
Para o Vasco, a presença de um jogador do sub-20 em partidas de torneio continental também representa uma ponte entre formação e competição adulta. O caso de Avellar não apaga os desafios enfrentados por Carvalho, mas ilustra por que acompanhar o percurso de cada atleta exige olhar para além do nome na escalação ou da posição em campo.
O duelo com o Boca colocou a coincidência sob os holofotes
A proximidade do confronto entre Vasco e Boca Juniors deu à história um componente especial. A equipe carioca enfrentava o clube associado ao jogador que inspirou os nomes de dois atletas de sua base, enquanto buscava confirmar a vantagem construída na partida de ida. Para os familiares de Avellar, a situação tinha ainda uma dimensão pessoal: Ricardo contou que ficou muito emocionado ao acompanhar o jogo contra o Boca.
O pai demonstrava confiança na possibilidade de o Vasco chegar à decisão e orgulho por ver o filho atuando em um esporte que ele próprio admira. A emoção, nesse caso, não vinha apenas do resultado. Ver Avellar em campo, diante de um adversário ligado à origem de seu nome, aproximava a memória familiar da trajetória concreta do jogador.
O momento também se insere em uma temporada de discussões sobre o elenco e os caminhos para reforçar o time. As notícias sobre a negociação do Vasco por Richarlison refletem outra dimensão do planejamento: a busca por alternativas para o grupo principal. Já a situação dos jovens da base envolve avaliação de potencial, espaço e continuidade, questões que não se resolvem apenas com contratações.
Embora sejam assuntos diferentes, a comparação ajuda a enxergar duas frentes de trabalho de um clube: observar oportunidades no mercado e criar condições para que jogadores formados internamente avancem. No caso de Avellar, os minutos com os profissionais indicavam uma possibilidade de integração, sem garantir titularidade. Para Carvalho, a notícia apontava um cenário mais distante do grupo principal naquele período.
O que as histórias dizem sobre identidade e formação
Os dois Riquelmes têm em comum a formação no Vasco, a posição de lateral-esquerdo e a referência ao craque argentino. As semelhanças terminam aí. Carvalho, nascido em 2002, estava fora dos planos do elenco principal descrito na notícia; Avellar, de 2006, era titular do sub-20, campeão brasileiro da categoria e já havia estreado entre os profissionais.
Essa diferença importa para torcedores que acompanham a base. Um nome conhecido pode despertar curiosidade, mas não informa, por si só, o estágio de carreira, o rendimento ou as perspectivas de cada atleta. Para entender o cenário, é mais útil observar dados concretos: participação em treinos, presença em partidas, competição disputada e posição da comissão técnica em relação ao jogador.
A história de Avellar acrescenta uma camada familiar à coincidência esportiva, enquanto a trajetória de Carvalho mostra que a associação com um ídolo não define o destino de quem recebe o nome. Juan Román Riquelme atravessou a fronteira argentina por meio de sua influência no futebol e chegou a registros brasileiros, a conversas dentro de casa e, neste caso, a dois jogadores das categorias de base vascaínas.
Para acompanhar o desenvolvimento dos jovens, o critério mais seguro é separar homenagem de desempenho e observar a evolução de cada um em campo. O nome aproxima os dois atletas do ídolo do Boca; são os minutos, a função tática e as decisões do clube que mostram o lugar de cada lateral no projeto do Vasco. A história familiar de Avellar e o percurso distinto de Carvalho dão à coincidência um significado que vai além da camisa.

