Salários atrasados foram informados por 20 dos 40 clubes das Séries A e B até 30 de junho, segundo dados da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf). O levantamento reúne nove equipes da elite e 11 da segunda divisão. A situação considera salários em carteira, direitos de imagem e bônus previstos em contrato, mas não inclui atrasos ocorridos depois da data de corte.
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Salários atrasados: veja os 20 clubes citados
O painel divulgado pela Anresf nesta quarta-feira reúne informações financeiras declaradas pelos participantes das duas principais divisões do futebol nacional. Na Série A, nove clubes informaram pendências relacionadas a pagamentos de jogadores ou funcionários:
- Atlético-MG;
- Botafogo;
- Corinthians;
- Fluminense;
- Grêmio;
- Internacional;
- Santos;
- São Paulo;
- Vitória.
Na Série B, outros 11 clubes apareceram no levantamento:
- América-MG;
- Atlético-GO;
- Avaí;
- Ceará;
- Criciúma;
- Cuiabá;
- Fortaleza;
- Náutico;
- Ponte Preta;
- Sport;
- Vila Nova.
O número chama atenção porque representa exatamente metade dos 40 clubes que disputam as Séries A e B. Ainda assim, a lista não deve ser interpretada como um retrato de todas as obrigações financeiras atuais dessas equipes: o recorte se limita às informações declaradas até o fim de junho.
O que a Anresf considera como salários atrasados
A apuração não se restringe ao salário registrado em carteira. O critério também abrange direitos de imagem e bônus estabelecidos em contrato. Assim, a existência de pendência em uma dessas categorias pode levar o clube a informar atraso, mesmo que outra parte da remuneração esteja sendo paga normalmente.
Essa diferença é central para compreender os casos. A situação financeira de um elenco pode envolver obrigações com naturezas distintas, e a declaração registrada no painel não detalha, por si só, o valor devido, o número de atletas afetados ou a duração de cada atraso. Portanto, os dados mostram a presença de pendências declaradas, mas não permitem concluir que todos os clubes listados enfrentavam problemas idênticos.
Também é necessário separar o atraso informado da consequência disciplinar. A inclusão no painel não significa automaticamente que o clube tenha recebido multa ou outra punição. As decisões dependem da análise do caso e da comprovação de que os pagamentos foram regularizados dentro dos prazos concedidos.
A movimentação de clubes em competições e na tabela também não substitui essa análise financeira. O duelo entre Fortaleza e Ponte Preta pelo G-6, por exemplo, coloca frente a frente duas equipes citadas no levantamento, mas o desempenho esportivo e a situação de pagamentos são dimensões diferentes da gestão de um clube.
Grêmio, Inter e Náutico receberam decisões diferentes
Na segunda-feira anterior à divulgação do painel, a Anresf tornou públicas decisões sobre equipes com pagamentos em atraso. Grêmio e Internacional receberam prazo de 15 dias para apresentar comprovação de quitação. Caso não comprovem o pagamento, poderão ser multados em R$ 100 mil cada.
O Náutico recebeu uma multa de R$ 50 mil, mas a cobrança depende de o clube não comprovar a regularização em até dez dias. A diferença entre os encaminhamentos evidencia que a resposta da agência pode variar de acordo com a etapa de análise e com os documentos apresentados pelo clube.
Segundo informações apuradas pelo ge, outras equipes também foram notificadas por irregularidades, mas demonstraram que haviam pago os valores dentro do prazo de dez dias aberto para defesa. Como a comprovação ocorreu antes do julgamento, esses casos não terminaram em decisões semelhantes às anunciadas para Grêmio, Internacional e Náutico.
Na prática, notificação, defesa e julgamento são momentos distintos. Um clube pode ser chamado a explicar uma pendência e, depois, apresentar documentos que indiquem a quitação. Por isso, a simples presença de uma ocorrência em determinado estágio não deve ser confundida com uma sanção definitiva ou com a confirmação de que o débito permanece aberto.
O corte de junho não mostra os atrasos mais recentes
As decisões divulgadas pela agência partiram de autodeclarações feitas pelos clubes no fim de julho, com informações financeiras referentes até 30 de junho. Esse intervalo é importante: o painel é uma fotografia de um período específico, e não uma atualização diária da folha de pagamentos das equipes.
O próprio caso do Corinthians ilustra a diferença entre o recorte do levantamento e os acontecimentos posteriores. Conforme informação publicada pelo ge na terça-feira, o clube chegou a três meses de atraso — julho, agosto e setembro — no pagamento de direitos de imagem dos jogadores. Os salários registrados em carteira, segundo a mesma apuração, estavam em dia.
Esses meses não alteram retroativamente o dado informado até junho. Eles apontam para uma situação posterior, que deverá ser considerada em outra declaração. A próxima janela prevista para os clubes comunicarem atrasos da temporada está marcada para 30 de novembro, data que poderá trazer um quadro mais recente sobre os pagamentos.
O Grêmio também sofreu um transfer ban preventivo relacionado às regras de fair play financeiro, conforme o material divulgado. A medida reforça que o acompanhamento da Anresf pode envolver efeitos diferentes, mas não deve ser confundida com as decisões de prazo e multa relativas aos pagamentos em atraso. Cada procedimento tem seu próprio fundamento e etapa de apuração.
Por que o levantamento acende um alerta para o futebol
A informação de que 20 clubes declararam pendências não permite medir o tamanho total das dívidas nem estabelecer qual equipe deve mais. O painel apresentado reúne ocorrências de atraso, não um ranking de valores. Para avaliar a dimensão financeira de cada caso, seriam necessários dados adicionais, como montantes, duração, número de contratos envolvidos e situação atual de cada obrigação.
Mesmo com essa limitação, o dado tem relevância para o acompanhamento do futebol brasileiro. Salários, direitos de imagem e bônus fazem parte dos compromissos assumidos com atletas e funcionários. Quando esses pagamentos atrasam, a questão deixa de ser apenas contábil: envolve cumprimento contratual e pode gerar notificações, prazos para defesa e possíveis penalidades previstas no sistema de regulação.
Para torcedores e credores, o principal cuidado é observar a data a que cada informação se refere. Uma notícia baseada no corte de junho não responde se a pendência continuava aberta meses depois; da mesma forma, uma regularização posterior não apaga o fato de que o atraso foi declarado no período analisado. A linha do tempo e a documentação apresentada são decisivas para entender cada episódio.
O futebol também oferece exemplos de como resultados em campo e obrigações administrativas coexistem sem se confundirem. O confronto entre Palmeiras e Fluminense decidido nos pênaltis pertence ao noticiário esportivo, enquanto a presença do Fluminense entre os clubes que declararam atrasos pertence ao acompanhamento financeiro. Uma dimensão não explica automaticamente a outra.
O alerta mais imediato é, portanto, de transparência e acompanhamento: metade dos clubes das duas divisões informou atrasos até o fim de junho, mas as situações individuais podem ter evoluído desde então. A próxima declaração, prevista para 30 de novembro, será o marco para verificar novos registros; até lá, qualquer avaliação precisa distinguir pendência declarada, pagamento comprovado e punição efetivamente aplicada.

