O trabalho de Tite no Botafogo ainda está em fase inicial, mas os primeiros resultados acenderam um alerta: em cinco partidas, o time venceu uma vez, empatou uma e sofreu três derrotas. A sequência deixa a equipe com quatro pontos em 15 possíveis e na 11ª posição do Brasileirão, após o revés por 3 a 0 para o Internacional.
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Trabalho de Tite no Botafogo começa sob pressão
A passagem do treinador pelo clube tem uma amostra curta, mas já reúne resultados de sinais opostos. A vitória sobre a Chapecoense, no Nilton Santos, mostrou que o Botafogo conseguiu transformar uma partida em três pontos. O empate com o Coritiba também evitou uma derrota, embora não tenha alterado de forma expressiva a pontuação da equipe.
As derrotas para Mirassol, Vasco e Internacional, por outro lado, pesam na avaliação imediata. O resultado mais recente foi o mais duro: 3 a 0 para o Colorado no Beira-Rio. Além do placar, o revés interrompeu qualquer possibilidade de o time embalar após conquistar sua primeira vitória sob o comando de Tite.
Os números ajudam a dimensionar esse começo sem transformar cinco jogos em um diagnóstico definitivo. O Botafogo somou quatro pontos em 15 disputados, equivalente a 26,7% de aproveitamento. Nos placares registrados, marcou três gols e sofreu oito, saldo negativo de cinco.
Esse recorte aponta dificuldade para converter partidas em resultados e para proteger a própria meta, mas não explica sozinho as causas. Sem dados detalhados de finalizações, posse de bola, chances criadas ou escalações, não é possível atribuir o desempenho a um problema tático específico. O que os resultados permitem afirmar é que a equipe ainda não encontrou regularidade.
Uma vitória não apagou os tropeços anteriores
A ordem dos jogos também importa. Tite estreou com derrota por 2 a 0 para o Mirassol, viu o Botafogo perder por 2 a 1 para o Vasco e, depois, empatou por 1 a 1 com o Coritiba. A vitória por 1 a 0 sobre a Chapecoense foi o primeiro sinal concreto de reação, mas a goleada sofrida diante do Internacional voltou a expor a instabilidade dos resultados.
A sequência não deve ser lida como se cada partida tivesse o mesmo peso ou contexto. O placar informa o desfecho, mas não mostra, por si só, a atuação ao longo dos 90 minutos. Ainda assim, para um clube que precisa somar pontos no campeonato, a consequência prática é direta: derrotas seguidas reduzem a margem para recuperação e aumentam a pressão sobre os próximos compromissos.
O Botafogo permanece com 39 pontos e ocupa a 11ª colocação do Campeonato Brasileiro. A posição oferece uma fotografia da campanha até aqui, mas não resolve a discussão sobre o trabalho do treinador. Para avaliar a tendência, será necessário observar se a equipe consegue repetir a consistência que produziu contra a Chapecoense e reduzir os erros que acompanharam os reveses.
Em uma competição longa, a disputa por posições pode mudar com sequências curtas de vitórias ou tropeços. A diferença entre embalar e perder terreno costuma depender da capacidade de pontuar mesmo quando o desempenho não é dominante. Esse cenário de oscilação aparece também em outras leituras do campeonato, como no levantamento sobre sequências invictas no Brasileirão.
O que os cinco jogos revelam — e o que ainda não revelam
O balanço inicial permite separar três indicadores. O primeiro é a baixa pontuação: quatro pontos em cinco rodadas sob o comando de Tite. O segundo é o saldo de gols negativo, construído a partir de três gols marcados e oito sofridos. O terceiro é a ausência de uma sequência positiva, já que a vitória sobre a Chapecoense não foi seguida por novo resultado favorável.
Esses dados sustentam uma avaliação cautelosa, não uma sentença sobre o trabalho. Cinco partidas são insuficientes para definir com segurança a identidade de um time ou medir mudanças estruturais. Também não há, nas informações disponíveis, números de desempenho que permitam comparar a produção do Botafogo antes e depois da chegada do treinador.
Por isso, a discussão mais objetiva deve se concentrar no que vem a seguir: pontuação, reação após sofrer gols e capacidade de sustentar resultados de uma rodada para outra. Se o clube voltar a vencer, a leitura sobre o início pode mudar rapidamente. Se os tropeços continuarem, a pressão tende a crescer, sobretudo porque a classificação já mostra a equipe na metade inferior da tabela.
O debate sobre rendimento e cobrança não é exclusivo do Botafogo. Em outra equipe que enfrenta expectativas na briga por objetivos importantes, as oscilações de Ganso, Acosta e Savarino também foram tema de análise sobre pressão no Fluminense por vaga. A comparação serve apenas para situar o ambiente competitivo: em clubes de grande cobrança, sequência e regularidade costumam pesar tanto quanto um resultado isolado.
Remo x Botafogo pode dar novo rumo à avaliação
O próximo compromisso será contra o Remo, na quarta-feira, no Mangueirão, pela 33ª rodada do Brasileirão. Para Tite, a partida surge como oportunidade imediata de responder ao resultado diante do Internacional. Uma vitória não apagaria as três derrotas anteriores, mas poderia interromper a sequência negativa e devolver confiança ao elenco.
O empate também teria valor diferente conforme o desempenho e as circunstâncias do jogo, embora represente apenas mais um ponto na classificação. Já uma nova derrota ampliaria a preocupação porque manteria o aproveitamento baixo e deixaria o treinador com apenas uma vitória após seis partidas. Esse tipo de cenário torna o duelo relevante para a percepção pública, ainda que não seja suficiente, sozinho, para definir o futuro do trabalho.
O adversário e o local são fatores do confronto, mas não há informações suficientes para antecipar escalações, estratégia ou alterações no time. A avaliação mais responsável deve esperar o jogo e considerar o placar junto com a resposta coletiva, sem atribuir ao treinador mudanças que não tenham sido confirmadas.
Trabalho de Tite no Botafogo depende de reação
Até aqui, a resposta mais fiel aos números é que o começo de Tite no Botafogo é irregular e abaixo do que os resultados exigem: uma vitória, um empate e três derrotas, com quatro pontos conquistados. A amostra curta recomenda cautela, mas a posição na tabela e o revés por 3 a 0 aumentam a urgência por uma reação.
O jogo contra o Remo será o próximo teste concreto. Para mudar a avaliação, o Botafogo precisa transformar a partida em pontuação e mostrar que consegue dar sequência a um resultado positivo. Sem isso, a vitória sobre a Chapecoense continuará parecendo um episódio isolado em meio a um início marcado por oscilações.
A conclusão, portanto, não é que o trabalho esteja definido, mas que o treinador ainda precisa apresentar sinais mais consistentes. O torcedor pode avaliar esse começo com base no rendimento disponível: o aproveitamento é baixo, a defesa sofreu mais gols do que o ataque marcou e a equipe segue em 11º. O próximo resultado ajudará a indicar se o Botafogo começa a corrigir a rota ou prolonga o período de alerta.

