Tite no Botafogo alcançou apenas 26,6% de aproveitamento nos cinco primeiros jogos, marca que iguala o início de Tiago Nunes e representa o pior desempenho de um técnico da era SAF. O recorte ganhou peso após a derrota por 3 a 0 para o Internacional, no sábado, no Beira-Rio: o clube soma 39 pontos no Brasileirão e busca chegar aos 45 para reduzir a preocupação com a parte de baixo da tabela.
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Tite no Botafogo repete o começo mais difícil da SAF
O resultado em Porto Alegre deixou um balanço inicial delicado para o treinador. Em cinco partidas à frente da equipe, Tite obteve uma vitória, um empate e três derrotas. Pela pontuação do Campeonato Brasileiro — três pontos por vitória e um por empate —, o time somou quatro de 15 pontos possíveis, o equivalente a 26,6% de aproveitamento.
O mesmo percentual marcou os primeiros cinco compromissos de Tiago Nunes, que empatou quatro vezes e perdeu uma. Os caminhos foram diferentes, mas a produção em pontos terminou igual. Para Tite, a sequência inclui três derrotas, um dado que torna o momento mais urgente, embora o recorte ainda seja curto para definir sozinho o rumo de uma passagem.
A derrota para o Internacional expôs dificuldades coletivas e individuais, como apontou a análise das atuações do Botafogo no Beira-Rio. O placar de 3 a 0 também aumentou a cobrança por uma resposta rápida, especialmente porque a equipe precisa somar pontos enquanto tenta se afastar da zona de risco.
O que mostram os primeiros cinco jogos de cada técnico
A comparação histórica ajuda a dimensionar o tamanho do desafio. Desde a implantação da SAF, o Botafogo teve dez treinadores considerados no levantamento dos cinco primeiros jogos. O desempenho de Tite fica na última faixa da tabela, ao lado de Tiago Nunes, enquanto Franclim Carvalho aparece no extremo oposto, com o melhor começo do período.
| Treinador | Resultados iniciais | Aproveitamento |
|---|---|---|
| Luís Castro | 2 vitórias, 2 empates e 1 derrota | 53,3% |
| Bruno Lage | 2 vitórias e 3 empates | 60% |
| Lúcio Flávio | 2 vitórias, 1 empate e 2 derrotas | 46,6% |
| Tiago Nunes | 4 empates e 1 derrota | 26,6% |
| Artur Jorge | 3 vitórias e 2 derrotas | 60% |
| Renato Paiva | 2 vitórias, 1 empate e 2 derrotas | 46,6% |
| Davide Ancelotti | 3 vitórias e 2 empates | 53,3% |
| Martín Anselmi | 2 vitórias e 3 derrotas | 40% |
| Franclim Carvalho | 3 vitórias e 2 empates | 73,3% |
| Tite | 1 vitória, 1 empate e 3 derrotas | 26,6% |
Os números não medem, por si só, a qualidade de um trabalho. Calendário, mando de campo, condição do elenco e contexto de cada partida podem alterar o grau de dificuldade. Ainda assim, a tabela funciona como um retrato objetivo do começo: Tite ainda não conseguiu transformar a equipe em uma fonte regular de pontos e terá de corrigir o rumo sem contar com uma sequência inicial favorável.
Também é preciso diferenciar aproveitamento de desempenho em campo. A porcentagem registra o resultado final, mas não explica se a equipe criou chances, sofreu por erros individuais ou teve dificuldade para controlar o jogo. No caso do Botafogo, a derrota por três gols para o Inter reforçou a percepção de fragilidade, mas a avaliação completa depende da análise dos lances e da evolução nas próximas rodadas.
A meta dos 45 pontos aumenta a pressão sobre o elenco
O Botafogo chegou a 39 pontos e trabalha com a referência de alcançar 45 para afastar o risco de rebaixamento. Essa marca é tratada pelo clube como objetivo de segurança, mas não representa garantia matemática de permanência: o cenário depende também dos resultados dos concorrentes e da pontuação necessária ao longo do campeonato.
Com a competição na 33ª rodada, cada partida tem efeito direto sobre a margem disponível. A equipe volta a campo na quarta-feira, fora de casa, diante do Remo. A viagem e o curto intervalo entre os jogos deixam pouco tempo para ajustes, o que torna decisiva a capacidade da comissão técnica de priorizar correções simples e cobrar maior consistência durante os 90 minutos.
O calendário também pesa na gestão de outros clubes que disputam objetivos relevantes. A sequência de decisões que coloca o Palmeiras sob alerta mostra como compromissos próximos podem exigir escolhas sobre descanso e disponibilidade de atletas. No caso do Botafogo, porém, a necessidade imediata é converter a próxima oportunidade em pontos e evitar que a pressão aumente ainda mais.
Transição administrativa acrescenta uma camada ao momento
A passagem de Tite começou em setembro, após a saída de Franclim Carvalho. O treinador, que comandou a Seleção Brasileira, é o décimo técnico da era SAF do Botafogo e o primeiro que não foi escolhido pelo antigo gestor norte-americano John Textor. O clube atravessa uma transição administrativa para a GDA Luma, ligada a Gabriel de Alba, circunstância que torna o período diferente de outras trocas no comando.
Esse contexto não altera a conta de pontos nem explica automaticamente os resultados, mas ajuda a compreender por que o trabalho ocorre em meio a mudanças mais amplas. Tite reconheceu que o clube vive uma fase de reestruturação e observou que há jogadores há pouco tempo no elenco. Em um campeonato de calendário apertado, integrar atletas e definir funções exige tempo; a tabela, por outro lado, não oferece uma pausa para esperar que o entrosamento apareça espontaneamente.
Para o treinador, o desafio passa por tornar a equipe mais competitiva, expressão que precisa se traduzir em comportamentos verificáveis: diminuir os espaços entre defesa e meio-campo, proteger melhor a área, reduzir perdas perigosas e sustentar intensidade mesmo quando o adversário pressiona. Esses são pontos de análise para as próximas partidas, não resultados já alcançados. A resposta contra o Remo poderá indicar se o time consegue corrigir problemas sem comprometer sua capacidade de atacar.
O que pode mudar a leitura do trabalho de Tite
Uma sequência positiva não apagaria o início ruim, mas teria impacto imediato na disputa por pontos e na confiança do grupo. Da mesma forma, uma nova derrota ampliaria o peso dos 26,6% e aproximaria ainda mais a equipe da obrigação de pontuar nas rodadas seguintes. Por isso, o indicador mais importante agora não é apenas a comparação com Tiago Nunes, mas a evolução concreta do Botafogo a cada jogo.
O recorte de cinco partidas serve como alerta, não como sentença definitiva. Tite precisa mostrar que consegue elevar o rendimento coletivo e obter resultados em um momento em que o clube tem pouco espaço para erros. Aos torcedores, a referência prática é acompanhar duas frentes: a distância para a meta de 45 pontos e a capacidade de a equipe competir melhor do que fez no Beira-Rio. A próxima partida contra o Remo será o primeiro teste imediato para essa reação.

