O gramado do Maracanã que será instalado em 2027 foi apresentado nesta terça-feira, 3 de novembro, em um vídeo divulgado pelo canal oficial do estádio. O Consórcio Fla-Flu prepara a substituição da Bermuda Celebration pela Celebration Hydrid para tentar aumentar a resistência do campo, alvo de críticas de jogadores do Flamengo e do Fluminense durante a temporada de 2026.
Fatos centrais da notícia
- A nova grama foi mostrada em uma fazenda da empresa Itograss, em Patrocínio Paulista, no interior de São Paulo.
- A retirada do piso atual e o plantio estão previstos para depois da 38ª rodada do Campeonato Brasileiro, em dezembro.
- A troca afeta a programação do Jogo das Estrelas, que não poderá ocorrer na semana do Natal.
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Novo gramado do Maracanã já está em preparação
As imagens exibidas pela MaracaTV mostram a grama cultivada pela Itograss e permitem observar tanto a superfície quanto a região inferior das raízes. A apresentação dá uma primeira indicação visual do material que será levado ao estádio, mas não detalha parâmetros como composição completa do sistema, especificações de instalação ou resultados de testes de desempenho.
A mudança de variedade já havia sido anunciada em setembro pelo consórcio que administra o Maracanã. A Bermuda Celebration, usada atualmente, dará lugar à Celebration Hydrid, descrita como uma opção mais moderna e com melhor capacidade de recuperação. O objetivo declarado é melhorar a resistência do campo diante da sequência intensa de partidas e das condições climáticas que afetaram o piso em 2026.
O anúncio também se insere em um debate maior sobre o desgaste dos gramados brasileiros. Em estádios com calendário apertado, o intervalo entre jogos, a chuva e a disponibilidade de condições adequadas para manutenção interferem na recuperação da cobertura vegetal. A discussão sobre superfícies de jogo e carga de partidas aparece, por exemplo, no alerta sobre jogos em gramado sintético e desgaste no Vasco, embora o caso do Maracanã envolva a substituição de uma variedade de grama natural.
Troca começa após o fim do Campeonato Brasileiro
O cronograma informado prevê que os trabalhos comecem assim que terminar o Campeonato Brasileiro. A remoção do gramado atual deverá ocorrer depois da 38ª rodada, e o plantio da nova variedade está programado para dezembro. A sequência é decisiva: a instalação precisa ser coordenada com o calendário para que o estádio tenha condições de receber os compromissos previstos para a temporada seguinte.
O intervalo entre a retirada e a preparação do campo não é apenas uma questão de obra. A implantação de um gramado envolve a organização da superfície, o assentamento do material vegetal e o acompanhamento da adaptação antes de a área voltar a receber partidas. O consórcio não divulgou, no material apresentado, uma data específica para a conclusão nem um prazo detalhado de estabilização do piso.
Essa falta de datas mais precisas impede, por enquanto, calcular quanto tempo o Maracanã ficará indisponível ou em que momento a nova superfície estará pronta para jogos. O dado confirmado é a intenção de iniciar a troca após o encerramento do Brasileirão, em dezembro. A liberação efetiva dependerá do andamento do serviço e das condições do gramado depois do plantio.
Por que o campo perdeu qualidade em 2026
Na apresentação sobre o estado do gramado atual, o Maracanã apontou cinco fatores usados para acompanhar sua condição. Quatro deles tiveram piora na comparação entre 2025 e 2026, segundo os dados exibidos pelo estádio. Entre os indicadores citados estavam a densidade vegetal, a atividade fisiológica da grama, o intervalo entre partidas e a ocorrência de chuva no dia do jogo ou nas 24 horas anteriores.
O número de partidas com chuva no dia do evento ou na véspera aumentou 26%, conforme a apresentação. O Maracanã também associou a redução da qualidade a um inverno mais quente e a períodos de chuva intensa. Na avaliação divulgada, a combinação deixou a superfície mais úmida e menos densa, enquanto o pouco tempo entre compromissos limitou a possibilidade de recuperação.
Um ponto relevante é que a queda de qualidade ocorreu apesar de o número de jogos ter diminuído, segundo os dados apresentados pelo estádio. Isso indica que a contagem total de partidas, isoladamente, não explica o desgaste. O tipo de condição climática enfrentada e a distribuição dos jogos ao longo do calendário também pesam: duas sequências com quantidade semelhante de eventos podem impor demandas diferentes ao campo se uma delas tiver mais chuva ou menos tempo de descanso.
Para avaliar a mudança, portanto, não basta comparar os nomes das variedades. A resistência efetiva depende do desempenho do sistema instalado e da rotina de cuidados, além das condições de uso. Drenagem, manejo da superfície, disponibilidade de luz e intervalos para recuperação são aspectos técnicos que podem influenciar a conservação de um gramado, mas o material divulgado não apresentou medições específicas sobre esses itens para a nova área do Maracanã.
Novo gramado do Maracanã terá um calendário exigente
O estádio deverá enfrentar uma temporada de 2027 particularmente movimentada. Além dos jogos regulares de Flamengo e Fluminense, o Maracanã receberá nove partidas da Copa do Mundo Feminina, de acordo com as informações citadas pelo CEO Fred Nantes. O dirigente afirmou que a decisão de trocar a grama foi motivada pelas necessidades dos clubes que mantêm o estádio, e não por uma exigência da Fifa ou pela competição internacional.
A explicação aponta para um desafio prático: a nova superfície terá de atender a um calendário que combina partidas dos clubes e compromissos adicionais do torneio. Nantes também mencionou que o Maracanã recebe jogos decisivos, como semifinais e finais, sem necessariamente contar com longos períodos de descanso. Nesse cenário, a intenção é instalar uma variedade considerada mais resistente, mas o anúncio, por si só, não garante que o campo ficará imune a desgaste.
O futebol brasileiro tem exemplos recentes de como a agenda e a utilização dos estádios se cruzam com as preocupações de clubes e torcedores. A mobilização em torno de partidas decisivas também aparece na convocação do Botafogo para um confronto de grande público, em um contexto que evidencia a pressão para conciliar calendário, operação do estádio e experiência da torcida. No Maracanã, a questão central é manter o campo em condições adequadas mesmo com a concentração de eventos.
Para os clubes, a qualidade do piso afeta as condições em que a partida é disputada, mas qualquer avaliação sobre o resultado da troca exigirá observar o gramado depois da instalação. A apresentação da grama em uma fazenda mostra o material escolhido e sua preparação; ainda não permite verificar como ele responderá ao uso real, ao clima do Rio de Janeiro e à sequência de jogos prevista para o estádio.
Jogo das Estrelas terá de mudar de data
A intervenção também interfere em uma tradição de fim de ano. O Jogo das Estrelas, evento que costuma reunir nomes do futebol e tem participação de Zico, não poderá ser realizado na semana do Natal em 2026 por causa do cronograma da troca. A organização busca uma alternativa: antecipar a partida para antes da 38ª rodada ou transferi-la para o ano seguinte, após a mudança do campo.
A definição depende da compatibilidade entre o calendário do evento e o início dos trabalhos no gramado. Antecipar a partida pode exigir uma nova data antes do encerramento do Campeonato Brasileiro; adiá-la para 2027, por outro lado, depende da conclusão da instalação e da disponibilidade do estádio. Até que a organização anuncie uma decisão, não há confirmação sobre quando o jogo será realizado.
O caso mostra como uma obra voltada à manutenção do campo pode repercutir para além dos jogos oficiais. Eventos tradicionais também precisam ser considerados na programação de um estádio que recebe partidas de clubes, decisões e compromissos de grande porte. Em outras praças, a pressão por resultados e a relação da torcida com o mando de campo também ganham destaque, como no protesto da torcida do Fortaleza no Castelão; no Maracanã, a mudança agora exige conciliar a reforma do piso com as datas de uso.
O que ainda falta esclarecer sobre a mudança
O anúncio confirma a variedade escolhida e o período previsto para o início da substituição, mas deixa perguntas técnicas em aberto. Não foram apresentados no vídeo dados comparativos de desempenho, estimativas de duração do processo ou indicadores que permitam medir a recuperação da nova grama. Também não foi informado um calendário completo de manutenção após o plantio.
Esses detalhes serão importantes para acompanhar se a mudança entregará o resultado esperado. Uma análise consistente deverá considerar a condição visual e a densidade do gramado ao longo do tempo, a capacidade de recuperação entre partidas e a resposta em períodos de chuva. Sem esses parâmetros, qualquer promessa de que o campo não sofrerá novos problemas seria precipitada.
A decisão do Consórcio Fla-Flu é uma resposta direta às críticas recebidas em 2026 e aos fatores de desgaste apontados pelo próprio estádio. O próximo marco será o início da retirada do piso atual, após a última rodada do Brasileirão. Para torcedores, clubes e organização do Jogo das Estrelas, a recomendação prática é acompanhar os comunicados oficiais sobre o cronograma: eles definirão quando o novo campo estará disponível e como ficará a programação de dezembro.

