Índice do Artigo
- Pontos Principais
- Campanha para entrar na história
- O peso do calendário e o desgaste físico
- Um resultado, duas leituras
- O que diz o regulamento do futebol feminino nos JEBs
- O futuro do futebol feminino acreano
- O impacto nas atletas e na comunidade escolar
- Perguntas Frequentes
- Onde aconteceu a final da Série Prata do futebol feminino nos JEBs Sub-18?
- Qual foi o placar da final entre Colégio Militar Dom Pedro II e EE Maria Leite Marcoski?
- Como foi a campanha do Colégio Militar Dom Pedro II até a final?
- A medalha de prata é um feito inédito para o futebol feminino do Acre nos JEBs Sub-18?
Pontos Principais
- Colégio Militar Dom Pedro II conquista a prata na Série Prata do futebol feminino nos JEBs Sub-18, feito inédito para o Acre.
- Na grande final, a equipe acreana foi superada pela EE Maria Leite Marcoski (MT) pelo placar de 10 a 0.
- Mesmo com o revés, a campanha histórica garantiu ao time o segundo lugar no pódio nacional e elevou o nome do estado no cenário esportivo escolar.
A temporada era de expectativa, o grupo estava pronto e o sonho parecia cada vez mais real. Quando a bola rolou na manhã desta terça-feira (25), no CT do Retrô, em Camaragibe (PE), o Colégio Militar Dom Pedro II fica com a prata na Série Prata do futebol feminino nos JEBs Sub-18, mas a forma como a decisão aconteceu deixou um gosto amargo. O time acreano, que já havia escrito seu nome na história do esporte escolar nacional, acabou goleado por 10 a 0 pela equipe mato-grossense — um resultado que não apaga a brilhante trajetória até a final, mas que expõe as enormes diferenças estruturais e físicas entre as delegações.
Para entender o que essa medalha de prata representa, é preciso enxergar além do placar. Estamos falando de uma delegação do Acre, um dos estados com menos tradição no futebol feminino de base, que chegou a uma decisão nacional enfrentando equipes de centros muito mais estruturados. Em nossa análise, o que se viu em campo foi um time exausto, castigado por uma sequência intensa de jogos e com o departamento médico operando no limite.
A equipe mato-grossense, por outro lado, contou com um elenco profundo e uma preparação física superior. Ainda no primeiro tempo, o placar já marcava 7 a 0, um reflexo da diferença de intensidade. Na etapa final, o rival completou o massacre com mais três gols, confirmando a vitória mais ampla da competição.
Mas a história deste time não pode ser resumida aos 90 minutos da decisão. Ela começa muito antes, na fase de grupos, passa por classificações dramáticas nos pênaltis e termina com a equipe de Rio Branco subindo ao pódio nacional. Uma goleada por 10 a 0, como a aplicada pelo São José em amistoso recente, sempre gera alertas, mas no caso do Acre, o revés tem contornos de aprendizado.
Campanha para entrar na história
A jornada do Colégio Militar Dom Pedro II nos JEBs Sub-18 foi marcada por superação e resiliência. Classificada no Grupo C, a equipe estreou com um empate em 1 a 1 contra a EE Mineko Hayashida (AP). Na sequência, veio uma dura derrota por 8 a 0 para a EE José Marcolino Eckert (SC). Longe de abalar o grupo, o resultado negativo serviu de combustível para a reação.
“A derrota na fase de grupos nos fez enxergar o quanto precisávamos ajustar. A partir daquele jogo, o time se uniu ainda mais”, comentou um dos membros da comissão técnica, que preferiu não se identificar.
Nas quartas de final, o adversário foi o Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães (BA). O empate em 1 a 1 no tempo normal levou a decisão para os pênaltis, onde a equipe acreana brilhou e venceu por 5 a 4. A classificação veio acompanhada de uma euforia que contagiou a pequena torcida presente no estádio pernambucano.
A semifinal repetiu o roteiro dramático. Diante do CEM Cícero Vieira Neto (RR), nova igualdade em 1 a 1. E novamente nos pênaltis o time demonstrou frieza e eficiência: 3 a 1, carimbando a vaga na final.
Essa campanha, com três empates e duas derrotas no tempo normal, pode parecer modesta — mas foi suficiente para garantir o segundo lugar. O Acre viu nascer ali uma geração que, até então, nunca havia experimentado uma final nacional.
O peso do calendário e o desgaste físico
Quem acompanha futebol de base sabe que a sequência de jogos em torneios de tiro curto é implacável. Em nossa observação prática, o desgaste não é apenas físico, mas também mental. As atletas do Colégio Militar Dom Pedro II disputaram cinco partidas em pouquíssimos dias, com jogos decisivos resolvidos nos pênaltis, exigindo entrega total em todos os confrontos.
O relato de dores e lesões no grupo, somado ao cansaço evidente em campo na final, levanta um ponto importante: para competir em igualdade de condições com equipes de outros estados, é preciso investir em estrutura de recuperação e preparação física de longo prazo. O Acre dá um passo importante ao chegar a uma decisão nacional, mas o próximo nível exige mais.
Se analisarmos os números gerais do torneio, a equipe marcou três gols e sofreu 21. Os números são duros, mas contam apenas parte da história. Nos momentos que mais importavam — as disputas por pênaltis — o time demonstrou uma personalidade que não aparece nas estatísticas.
Um resultado, duas leituras
A goleada sofrida na final pode ser lida de duas formas. A primeira, e mais imediata, é a constatação da disparidade técnica e física entre as equipes. A EE Maria Leite Marcoski (MT) construiu uma campanha avassaladora e chega ao título com a melhor campanha geral da Série Prata.
A segunda leitura, no entanto, é muito mais significativa para o futebol feminino do Acre. Pela primeira vez, um colégio do estado subiu ao pódio em uma competição de abrangência nacional. A medalha de prata é o reflexo de um trabalho que, mesmo com poucos recursos, conseguiu extrair o máximo de suas atletas.
O futebol feminino de base no Brasil tem crescido a passos largos, mas ainda Há uma enorme concentração de investimento nas regiões Sul e Sudeste. Histórias como a do atacante Jean Lucas, que virou artilheiro no Avaí após um gol inusitado, mostram que o futebol reserva surpresas — e a campanha do Colégio Militar Dom Pedro II é, sem dúvida, uma das grandes surpresas positivas da competição.
O que diz o regulamento do futebol feminino nos JEBs
Os Jogos Escolares Brasileiros são a maior competição estudantil do país, organizados pela Confederação Brasileira de Desporto Escolar (CBDE). A edição de 2026 reúne delegações de todos os estados e o Distrito Federal, com disputas no formato de grupos e eliminatórias simples na fase final.
| Fase da competição | Adversário | Placar (Tempo normal) | Resultado final |
|---|---|---|---|
| Fase de grupos | EE Mineko Hayashida (AP) | 1 a 1 | Empate |
| Fase de grupos | EE José Marcolino Eckert (SC) | 0 a 8 | Derrota |
| Quartas de final | Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães (BA) | 1 a 1 | Vitória nos pênaltis (5 a 4) |
| Semifinal | CEM Cícero Vieira Neto (RR) | 1 a 1 | Vitória nos pênaltis (3 a 1) |
| Final | EE Maria Leite Marcoski (MT) | 0 a 10 | Derrota |
“O Time do Acre” como passaram a ser chamadas nas redes sociais, acabou conquistando o coração dos torcedores mesmo com o placar elástico. Se no Brasileirão adulto a disputa pelo topo é acirrada, no escolar a emoção também não fica atrás — e o aperto no coração no final foi imenso.
A medalha de prata da Série Prata pode não ter o brilho do ouro, mas para um estado com pouca representatividade histórica no cenário nacional, ela pesa como um título. O Acre ganhou visibilidade, ganhou uma geração de atletas experientes e mostrou que o futebol feminino da região pode sonhar mais alto.
Na coletiva de imprensa após o jogo (que contou com poucos veículos presentes), a comissão técnica já projetava os próximos passos: buscar parcerias para melhorar a infraestrutura de treinos e garantir que a base continue sendo trabalhada durante todo o ano, não apenas na véspera das competições.
O futuro do futebol feminino acreano
Quando olhamos para o resultado inédito, é impossível não pensar no que vem pela frente. O Colégio Militar Dom Pedro II não apenas revelou atletas para o cenário nacional, como também plantou uma semente. As jogadoras que disputaram essa final voltam para Rio Branco com a experiência de uma vida — e com a certeza de que é possível competir de igual para igual.
Para a próxima edição dos JEBs, a expectativa é de que o time volte ainda mais forte. O aprendizado técnico e tático adquirido em Pernambuco será fundamental para que o Acre se consolide como uma força emergente no futebol feminino escolar.
Outra frente importante é o incentivo às categorias de base nos clubes do estado. O futebol feminino ainda carece de calendário e investimento, mas resultados como este mostram que o potencial existe. Assim como o Nacional-AM se preparou para decidir classificação com o CSA, mostrando a força do futebol do Norte, o Acre quer provar que também tem espaço.
As federações estaduais de futebol e os órgãos de esporte escolar precisam enxergar o resultado alcançado em 2026 como um ponto de partida. Não adianta apenas comemorar a prata — é preciso criar condições para que essas atletas continuem evoluindo, com treinamentos regulares, apoio nutricional e acompanhamento médico ao longo de toda a temporada.
O impacto nas atletas e na comunidade escolar
Para muitos, a carreira esportiva começa no colégio. As Jogadoras do Colégio Militar Dom Pedro II agora carregam no peito o título de vice-campeãs da Série Prata. Essa conquista, ainda que amarga no dia da final, abre portas.
Universidades, clubes profissionais e olheiros de categorias de base geralmente voltam seus olhos para os grandes centros. Mas uma campanha histórica como esta coloca o Acre no mapa. O feito pode, literalmente, mudar a vida dessas jovens atletas, que em sua maioria não teriam a chance de mostrar seu futebol em palcos nacionais.
A torcida que acompanhou a campanha pelas redes sociais celebrou cada classificação. Quando a final acabou, a internet (embora com pequenas bolhas de grupos e comunidades) foi tomada por mensagens de apoio. Afinal, quem entende de futebol sabe: chegar a uma final nacional já é uma conquista monumental.
O técnico da equipe, embora visivelmente abatido com o placar, fez questão de destacar a honra de representar o estado. “Nós saímos daqui com a cabeça erguida. Poderíamos ter tido mais cuidado em alguns lances, mas o time se entregou por completo”, disse.
Agora, as atenções se voltam para as próximas edições. Que a prata de 2026 seja apenas o começo. A batalha decisiva de milhões na elite do Brasileirão desperta muita emoção, mas a luta no esporte escolar talvez seja ainda mais crucial para o futuro da modalidade — é ali que nascem os talentos e os ídolos.
Perguntas Frequentes
Onde aconteceu a final da Série Prata do futebol feminino nos JEBs Sub-18?
A decisão foi disputada no Centro de Treinamento do Retrô, localizado em Camaragibe, região metropolitana do Recife, em Pernambuco. O CT do clube pernambucano foi uma das sedes oficiais da competição escolar e recebeu as principais partidas do torneio.
Qual foi o placar da final entre Colégio Militar Dom Pedro II e EE Maria Leite Marcoski?
A equipe mato-grossense venceu por 10 a 0. O placar foi construído já no primeiro tempo, com sete gols, e consolidado com mais três na etapa final. Foi a maior goleada da fase decisiva da competição.
Como foi a campanha do Colégio Militar Dom Pedro II até a final?
O time do Acre começou a campanha na fase de grupos com um empate e uma derrota. Nas quartas de final, eliminou o Colégio Modelo da Bahia nos pênaltis. Na semifinal, repetiu o feito contra o CEM Cícero Vieira Neto, de Roraima, vencendo também nas penalidades e garantindo a vaga na final.
A medalha de prata é um feito inédito para o futebol feminino do Acre nos JEBs Sub-18?
Sim. Esta foi a primeira vez que uma delegação do Acre chegou a uma final nacional de futebol feminino na competição escolar. O segundo lugar coloca o estado, que possui pouca tradição na modalidade, em um novo patamar dentro do cenário esportivo escolar brasileiro.

