Pontos Principais
- A Comissão de Ética do São Paulo votou, de forma unânime, pela expulsão de Julio Casares do quadro associativo.
- Investigação interna aponta R$ 7 milhões em saques sem documentação e R$ 1 milhão em gastos no cartão corporativo.
- O Conselho Deliberativo terá a palavra final e precisa marcar reunião para julgar o relatório.
- Casares já devolveu R$ 560 mil aos cofres do clube, mas pode ter que pagar indenização integral.
A expulsão de Julio Casares virou o assunto mais quente nos bastidores do Morumbis. A Comissão de Ética do São Paulo protocolou um relatório arrasador contra o ex-presidente, sugerindo que ele seja banido do quadro associativo do clube. A votação foi unânime entre os cinco membros do colegiado, e agora o Conselho Deliberativo precisa bater o martelo. Em resumo: a Comissão de Ética do São Paulo sugere a expulsão de Julio Casares, e a decisão final será dos conselheiros, que podem aprovar ou rejeitar o parecer.
O relatório, que corre em sigilo interno, aponta para uma gestão marcada por rombos, saques suspeitos e um cartão corporativo usado como se fosse extensão do cartão de crédito pessoal do dirigente. Não é exagero dizer que o caso tem cheiro de escândalo de grandes proporções — e estamos falando de um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro.
A gente acompanha de perto as movimentações políticas do São Paulo, e o que vimos nos últimos meses é um verdadeiro terremoto institucional. Casares, que comandou o clube entre 2021 e janeiro de 2026, sofreu impeachment e renunciou antes da decisão final em Assembleia Geral. Agora, a sombra da expulsão paira sobre ele. Para entender melhor o cenário, confira também o impacto disso na crise do time dentro de campo, que segue mantendo Dorival Júnior no comando apesar do risco de rebaixamento.
O que diz o relatório da Comissão de Ética?
O documento produzido pelo colegiado cita evidências de ‘gestão temerária ou irregular’. O enquadramento foi feito com base no Artigo 34 do Estatuto Social do clube. Entre os fatos mais graves estão aproximadamente R$ 7 milhões em saques das contas do São Paulo. Segundo o relatório, ‘a documentação não permitia comprovar adequadamente origem, finalidade e destino’ desses valores.
Isso significa, na prática, que o dinheiro saiu dos cofres do clube sem um rastro claro. Em qualquer gestão séria — seja de clube, empresa ou entidade —, isso já seria motivo suficiente para acender todos os alarmes. Mas a história não para por aí.
Cartão corporativo: luxo, charutos e petshops
Se os saques já eram graves, os gastos no cartão corporativo jogam ainda mais lenha na fogueira. A investigação aponta compras em estabelecimentos de alto padrão, restaurantes badalados, charutarias, salões de beleza, despesas médicas e até petshops.
Uma reportagem publicada em julho deste ano revelou que Casares gastou R$ 1 milhão no cartão corporativo do São Paulo. Entre as despesas, chamam a atenção:
– 71 visitas ao Esch Café, uma casa de charutos de luxo;
– 53 pagamentos ao Gero, um dos restaurantes mais caros da capital paulista;
– Diversas compras em lojas de grife e estabelecimentos premium.
O estilo de vida ostentado pelo ex-presidente, bancado com o dinheiro do clube, é um tapa na cara da torcida tricolor. Enquanto o time enfrentava dificuldades financeiras e administrativas, o cartão corporativo era usado como se não houvesse amanhã.
Abaixo, um resumo dos principais gastos investigados:
| Tipo de despesa | Estabelecimento | Quantidade de vezes | Perfil do gasto |
|---|---|---|---|
| Charutaria | Esch Café | 71 | Lazer de alto padrão |
| Restaurante | Gero | 53 | Gastronomia premium |
| Lojas de luxo | Diversas | Não informado | Compras pessoais |
| Saúde | Clínicas e farmácias | Não informado | Despesas médicas pessoais |
| Pet shop | Não identificado | Não informado | Animais de estimação |
O caso gerou revolta entre conselheiros e sócios. E não é para menos: o dinheiro que deveria ser usado para fortalecer o clube foi parar em cartões de visita de restaurantes estrelados e em caixas de charutos cubanos.
Devolução de R$ 560 mil: tentativa de apagar incêndio?
Em novembro do ano passado, Casares devolveu R$ 560.401,74 ao São Paulo. A devolução aconteceu quando ele já era alvo de investigação da Polícia Civil por possíveis irregularidades em sua gestão.
A atitude, no entanto, pode ter chegado tarde demais. A Comissão de Ética entendeu que a devolução parcial não apaga o histórico de desvios. O relatório também recomendou que Casares indenize o clube com base no Artigo 11 do Estatuto Social, que prevê penalidade financeira para associados que causem dano ou prejuízo material ao São Paulo. O valor final ainda será apurado.
Vale lembrar que, nos últimos meses, três pessoas já foram expulsas do clube por envolvimento no esquema de exploração de um camarote clandestino do Morumbis: Douglas Schwartzmann, Mara Casares e Marcio Carlomagno. O cerco está fechando, e o nome da família Casares aparece em vários círculos de investigação.
Para aprofundar, confira também o drama de Calleri, que lida com uma lesão no tornozelo sem previsão de retorno — mais um problema para o São Paulo administrar em meio a esse caos institucional.
O julgamento político no Conselho Deliberativo
A decisão de expulsar ou não Julio Casares não está nas mãos da Comissão de Ética. O colegiado apenas sugeriu. Quem dá a palavra final é o Conselho Deliberativo, que precisa convocar uma reunião extraordinária para votar a aprovação do relatório.
O cenário é delicado. Casares ainda tem aliados políticos dentro do clube, e a votação promete ser acirrada. Por outro lado, a pressão da torcida e a gravidade das evidências tornam qualquer tentativa de arquivar o caso um tiro no pé.
Na nossa avaliação, o Conselho Deliberativo vai ratificar a expulsão. Os indícios são fortes, a documentação é robusta e o momento político do clube não favorece proteção a figuras ligadas ao passado recente. Mas, em política de clube, surpresas sempre podem acontecer.
O relatório também explica por que o pedido de encerramento do processo não foi aceito. A defesa de Casares tentou arquivar o caso, mas o Artigo 38 do Estatuto Social determina que não será aceito o pedido de demissão do quadro associativo durante um procedimento administrativo disciplinar. Ou seja: ele não pode simplesmente ‘pedir para sair’ e escapar da punição. A Comissão de Ética deixou claro que isso não impede que Casares deixe o clube ‘para sempre’ — mas a saída precisa acontecer pelos trâmites oficiais, e o processo segue até sua conclusão.
O que acontece agora?
O próximo passo é a convocação do Conselho Deliberativo para votar o relatório. Não há data definida, mas a tendência é que a reunião aconteça nas próximas semanas, tamanha a repercussão do caso.
Se aprovado, o parecer da Comissão de Ética será encaminhado para a assembleia geral, que tem o poder final de aplicar a penalidade máxima ao ex-dirigente.
Em meio a tudo isso, o São Paulo segue sua vida dentro de campo. E, para quem acompanha o futebol, não deixa de ser irônico que um clube tão tradicional esteja às voltas com tamanho desgaste extracampo. Enquanto isso, o Corinthians também enfrenta seus próprios problemas financeiros, com promessas de calote assombrando os bastidores — uma prova de que a gestão do futebol brasileiro continua sendo um campo minado.
Um precedente perigoso para o futebol brasileiro
O caso Julio Casares escancara algo que muita gente já desconfiava: a administração de clubes de futebol no Brasil ainda é tratada, em muitos casos, como uma extensão do patrimônio pessoal dos dirigentes. Cartão corporativo virando cartão de festa, saques sem comprovação e uma cultura de impunidade que, aos poucos, começa a ser desafiada.
A postura da Comissão de Ética do São Paulo pode servir de precedente para outros clubes. Se o Conselho Deliberativo confirmar a expulsão, ficará o recado: gestor que trata o dinheiro do clube como se fosse seu pode, sim, perder o direito de fazer parte da instituição.
Nós, que cobrimos os bastidores do futebol de perto, torcemos para que esse tipo de postura se espalhe. O torcedor merece seriedade, transparência e respeito — dentro e fora dos gramados. E o São Paulo, um gigante que já conquistou o mundo, não pode continuar refém de práticas que envergonham a história do clube.
A decisão está nas mãos dos conselheiros. Que eles tenham a coragem de fazer o que precisa ser feito.
Perguntas Frequentes
Por que a Comissão de Ética do São Paulo quer expulsar Julio Casares?
A Comissão de Ética apontou indícios de ‘gestão temerária ou irregular’ durante o mandato de Casares, incluindo cerca de R$ 7 milhões em saques sem documentação adequada e mais de R$ 1 milhão em gastos no cartão corporativo com itens de luxo. A votação pela expulsão foi unânime entre os cinco membros do colegiado.
Qual a diferença entre sugestão de expulsão e expulsão efetiva?
A Comissão de Ética é um órgão de aconselhamento. Ela investiga e emite pareceres, mas a punição efetiva precisa ser aprovada pelo Conselho Deliberativo e, em alguns casos, confirmada em Assembleia Geral. Ou seja, a sugestão da Comissão é um passo importante, mas não é a palavra final.
Julio Casares pode recorrer da decisão?
Sim. Casares pode apresentar defesa no Conselho Deliberativo e também nas instâncias seguintes, caso haja previsão estatutária para recurso. Além disso, a defesa tentou encerrar o processo pedindo desligamento do quadro associativo, mas o pedido foi negado com base no Artigo 38 do Estatuto Social, que impede a saída durante procedimento disciplinar.
O que acontece com o processo na Polícia Civil?
O caso segue em investigação na Polícia Civil, que apura possíveis irregularidades na gestão de Casares. A devolução de R$ 560 mil feita pelo ex-presidente não encerra o inquérito. As conclusões da Comissão de Ética podem inclusive ser encaminhadas às autoridades como material complementar.
Casares pode ser impedido de frequentar o estádio do Morumbis?
Se a expulsão for confirmada, ele deixa de ser sócio do São Paulo e, portanto, pode perder benefícios associativos. A decisão sobre frequentar o estádio como torcedor comum dependerá das regras internas do clube e das medidas administrativas adotadas pela diretoria.

