Índice do Artigo
- Pontos Principais
- A nova vida de Thiago Neves: da meia-cancha ao banco de reservas
- Inspirações declaradas: Guardiola, Klopp e Renato Gaúcho
- Realidade dura: violência, comunidade e sacrifício na base
- Duelo de amigos: Thiago Neves x Fred no Carioca sub-20
- Discurso agressivo, coragem e o futuro no Bangu
- O que esperar de Thiago Neves como treinador?
- Perguntas Frequentes
- Por que Thiago Neves decidiu ser treinador?
- Quais são as principais inspirações de Thiago Neves?
- Como foi a campanha do Bangu sob o comando de Thiago Neves?
Pontos Principais
- Thiago Neves inicia carreira de treinador no sub-20 do Bangu e revela inspiração em Guardiola, Klopp e Renato Gaúcho.
- Ex-meia comandou o time até a final do Torneio Otávio Pinto Guimarães, eliminando o Fluminense na semifinal.
- Ele prega disciplina tática, mas abre espaço para a criatividade dos jovens: “Não deixo meu jogador robô”.
- Thiago enfrentará o amigo Fred no Campeonato Carioca sub-20, no dia 29, em um duelo de novatos na beira do campo.
- Ele admite que não planejava ser treinador e que a nova função o apaixonou, apesar dos desafios da base.
Inspirado em Guardiola e Renato Gaúcho, Thiago Neves inicia carreira de treinador com um discurso que mistura intensidade, disciplina e liberdade criativa. O ex-meia, que construiu fama de provocador nos gramados, agora enfrenta um desafio bem maior: transformar meninos do sub-20 do Bangu em jogadores prontos para o profissional. E, pelo jeito, ele não veio para brincar.
Em entrevista exclusiva ao ge, o novo comandante alvinegro abriu o jogo sobre suas referências, o estilo de jogo que pretende implementar e a curiosidade de reencontrar o amigo Fred, agora do outro lado do campo. O duelo está marcado para o dia 29, pelo Campeonato Carioca sub-20, e promete render boas resenhas depois do apito final.
A nova vida de Thiago Neves: da meia-cancha ao banco de reservas
Quem acompanhou a carreira de Thiago Neves sabe: ele nunca teve medo de se expor. Dançava diante das torcidas adversárias, provocava rivais e falava o que pensava. Mas o que muita gente não esperava era ver esse mesmo Thiago tão concentrado, estudando movimentos e repetindo conceitos táticos para garotos em formação.
No comando do sub-20 do Bangu, ele encontrou um ambiente bem diferente dos holofotes do futebol profissional. Longe dos grandes estádios, o ex-jogador assumiu um projeto desafiador e, segundo ele, apaixonante. Entre uma reunião e outra, ele usa a mesa tática, cobra posicionamento e insiste em um time que pressiona, ataca e não se intimida.
— Eu gosto de muita disciplina tática. Tenho jogadores que entendem bem o que eu quero. Estou tirando o máximo deles. Gosto de um time bem disciplinado, com velocidade e agressivo. Não posso deixar de ser agressivo — disparou Thiago, sem rodeios.
O trabalho, que começou discretamente, ganhou destaque no Torneio Otávio Pinto Guimarães (OPG). O Bangu eliminou o Fluminense na semifinal e só perdeu o título nos acréscimos para o Botafogo. O gosto amargo da derrota não apagou o brilho da campanha, e Thiago faz questão de enaltecer o grupo.
Inspirações declaradas: Guardiola, Klopp e Renato Gaúcho
Pode parecer estranho para quem viu Thiago Neves apenas como um meia de estilo livre, mas o treinador tem referências bem definidas. Ele cita o espanhol Pep Guardiola, o alemão Jürgen Klopp e o brasileiro Renato Gaúcho como fontes de inspiração. A mistura, segundo ele, resulta em um modelo próprio: organização sem engessar a criação.
— A disciplina tática eu não abro mão, mas não deixo o meu jogador robô. Do meio para frente é criatividade deles. Tenho jogadores criativos, com técnica boa e que sabem jogar — explicou.
Essa filosofia é exatamente o que ele busca aplicar nos treinamentos do Bangu. Para Thiago, o futebol moderno exige equipes que saibam sofrer sem a bola, mas que também tenham liberdade para decidir com ela. E é essa mensagem que ele tenta passar diariamente aos jovens.
Os primeiros resultados apareceram dentro de campo, mas o ex-jogador quer mais. Ele vê no trabalho da base uma chance de devolver ao futebol aquilo que o esporte lhe proporcionou. E não esconde a empolgação:
— Tenho que ensinar a molecada a fazer algumas coisas que são do básico do futebol. Isso tem sido o diferente, o prazeroso. Ter que sair de casa de manhã e chegar em Bangu para mostrar os movimentos certos. A gente está tendo resultados bons e a cada dia vou me apaixonando por essa profissão.
Essa paixão, aliás, é recente. Até pouco tempo atrás, Thiago Neves se preparava para ser diretor de futebol, não treinador. Mas a sala de aula mostrou que a vida na beira do campo é totalmente diferente. Nas palavras dele, “tudo tem um porquê”. E ele parece ter encontrado o seu.
Realidade dura: violência, comunidade e sacrifício na base
O dia a dia no sub-20 do Bangu é um choque de realidade até para alguém acostumado à pressão dos gramados. Os jogadores vêm de comunidades e famílias simples. Muitos acordam de madrugada para chegar ao clube às 7h30. Alguns jogam peladas no fim de semana para complementar a renda — e chegam machucados aos treinos.
Thiago Neves conta que essa realidade exige mais do que tática. Exige conversa, paciência e, principalmente, compreensão.
— É uma molecada de uma realidade muito diferente. Todo mundo de comunidade, de família bem simples. Tem jogadores que saem 3, 4 da manhã para estar em Bangu 7h30. Uma coisa que peço é o horário, a disciplina. Eles dão o jeito deles e chegam — contou.
Ele também revelou episódios marcantes, como o caso de um atleta que sofreu um corte no supercílio jogando uma pelada e não poderá estrear no Carioca. Para o ex-meia, o papel do treinador vai muito além de escalar o time.
— Tem jogadores que treinam arrastando porque tiveram jogo dias antes. Você tem que chamar, conversar, perguntar se é aquilo mesmo que ele quer. Tem que ter o sacrifício. É difícil, precisa de ajuda financeira para ir aos treinos, para ir aos jogos — completou.
Essa experiência prática no clube da Zona Oeste do Rio tem sido uma escola para Thiago. Ele reconhece que lidar com profissionais é diferente de educar jovens em formação. E admite que a convivência com a base o tornou um profissional mais completo.
Duelo de amigos: Thiago Neves x Fred no Carioca sub-20
O destino reservou um encontro especial para o dia 29. Thiago Neves e Fred, que foram companheiros em Fluminense e Cruzeiro, agora se enfrentam como treinadores no Campeonato Carioca sub-20. O clima, segundo o próprio Thiago, será de amizade — mas com uma pitada de rivalidade saudável.
— Vai ser engraçado. Acho que da minha parte vai ser engraçado ver o Fred comandando, e para ele também. A gente está sempre na resenha, tirando sarro um do outro. Estou curioso para ver como vai ser essa resenha depois do jogo… para falar o que eu fiz, o que eu estava vendo, o que eu tentei fazer contra o time dele. Mas vai ser bom. Mais um amigo treinador — brincou.
Essa nova geração de treinadores, que tem nomes como Fred e Thiago Neves, chegou para mudar a cara dos bancos de reservas no Brasil. Para aprofundar essa análise, confira a cobertura do Dribla Online sobre o futebol de base e as novas tendências táticas do futebol nacional.
Discurso agressivo, coragem e o futuro no Bangu
A campanha no OPG deixou claro que o Bangu não está no torneio apenas para participar. Eliminar o Fluminense e chegar à final contra o Botafogo, com chances reais de título até o último lance, são feitos que chamam atenção. Para Thiago, o mérito é todo do grupo.
— O que eles fizeram, de ter eliminado o Fluminense, de chegar ao segundo jogo da final com possibilidade de ser campeão, isso torna eles vencedores. Meu papel foi passar coragem para eles, de jogar de igual para igual, e eles fizeram isso bem nos dois jogos. Bateram de frente, tiveram coragem para jogar — afirmou.
A derrota nos acréscimos do jogo de volta doeu, mas serviu de aprendizado. Para o novo treinador, o resultado não apaga a evolução apresentada pela equipe. E ele acredita que o grupo está pronto para novos desafios.
O que esperar de Thiago Neves como treinador?
Se depender do discurso, o ex-meia vai ser um técnico intenso, cobrador e à frente do seu tempo. Ele não esconde a vontade de implementar um futebol vertical, com transições rápidas e pressão alta. Ao mesmo tempo, quer preservar a essência do jogador brasileiro: o improviso, a ginga e a ousadia.
No meio do caminho, vai precisar equilibrar essas ideias com a realidade da base. Longe dos grandes centros, com estrutura limitada e jogadores em formação, o desafio é ainda maior. Mas quem conhece Thiago Neves sabe que ele não foge de uma briga.
O futuro dirá se ele vai conseguir repetir como treinador o sucesso que teve como jogador. Uma coisa é certa: ninguém vai acusá-lo de omisso. No Bangu, ele está na linha de frente, com voz ativa, discurso firme e um time que promete dar trabalho.
Perguntas Frequentes
Por que Thiago Neves decidiu ser treinador?
Thiago Neves conta que não tinha o plano de virar treinador. Ele se preparava para ser diretor de futebol, mas mudou de ideia durante os estudos. A prática no Bangu sub-20 e o contato com os jovens o fizeram se apaixonar pela nova profissão.
Quais são as principais inspirações de Thiago Neves?
Ele se inspira em Pep Guardiola, Jürgen Klopp e Renato Gaúcho. A mistura dessas referências dá origem ao seu estilo: um time disciplinado taticamente, veloz e agressivo, mas sem abrir mão da criatividade dos jogadores de frente.
Como foi a campanha do Bangu sob o comando de Thiago Neves?
O time chegou à final do Torneio Otávio Pinto Guimarães (OPG), eliminando o Fluminense na semifinal. Na decisão, disputada contra o Botafogo, o Bangu só perdeu o título nos acréscimos, depois de um 0 a 0 no jogo de ida e gol sofrido no fim do jogo de volta.

