Daronco e VAR estão fora das próximas rodadas após decisão da CBF tomada na terça-feira, 3 de novembro, depois da arbitragem de Palmeiras x Vasco, pela semifinal da Copa do Brasil. O árbitro Anderson Daronco e o responsável pelo VAR, Rodrigo D’Alonso Ferreira, não têm previsão de retorno, em meio às reclamações do clube carioca sobre lances decisivos na derrota por 1 a 0.
Fatos centrais da notícia
- A CBF afastou Daronco e Rodrigo D’Alonso das próximas rodadas, sem informar prazo para retorno.
- O Vasco contestou um possível pênalti por toque de mão de Barboza, a expulsão de Saldivia e o critério dos cartões.
- A partida de volta da semifinal está marcada para 8 de novembro, em São Januário.
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Daronco e VAR ficam fora após reunião de mais de cinco horas
A decisão da Confederação Brasileira de Futebol veio no mesmo dia em que dirigentes do Vasco e representantes da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) se reuniram com a entidade. O encontro se estendeu por mais de cinco horas e teve duas etapas: primeiro, uma conversa com integrantes da direção da CBF; depois, uma reunião com a Comissão de Arbitragem.
O Vasco foi representado por Alan Belaciano, presidente da Assembleia Geral do clube. Ele esteve acompanhado por Rubens Lopes e Leonardo Ferraz, presidente e vice-presidente da Ferj. Do lado da CBF, participaram o presidente Samir Xaud e o diretor executivo Helder Melillo. Na etapa seguinte, o grupo conversou com Sandro Meira Ricci, presidente da Comissão de Arbitragem.
Ao fim da movimentação, a CBF afastou Daronco, árbitro principal, e Rodrigo D’Alonso Ferreira, que atuou na cabine do VAR. A informação disponível é que ambos ficarão fora das próximas partidas, sem uma data estabelecida para voltar a trabalhar. A entidade não divulgou, no material que embasa esta notícia, um prazo de afastamento ou uma conclusão detalhada sobre cada lance contestado.
Essa distinção importa: afastamento das escalas seguintes não equivale, por si só, à divulgação de uma punição definitiva ou à anulação do resultado. Também não altera o placar da partida. A medida ocorre em meio à pressão pública e institucional provocada pela atuação, mas os detalhes sobre eventuais avaliações internas não foram apresentados.
Quais lances provocaram a reação do Vasco
O principal ponto de contestação foi um possível pênalti por toque de mão de Barboza. O Vasco também questionou a expulsão de Saldivia e o padrão adotado na distribuição dos cartões amarelos. Entre os exemplos citados pelo clube está a falta de Marlon Freitas ainda no primeiro tempo, que, na visão vascaína, deveria ter resultado em advertência.
Os episódios ganharam peso porque aconteceram em uma semifinal eliminatória. Em confrontos desse tipo, cada decisão pode influenciar o cenário tático da partida: um pênalti altera a possibilidade de empate ou virada no placar, enquanto a expulsão reduz as opções de marcação e pode obrigar a equipe a reorganizar setores inteiros do campo.
Isso não significa que uma reclamação de clube, isoladamente, comprove erro de arbitragem. A análise de cada jogada depende das imagens disponíveis, do posicionamento dos envolvidos e dos critérios aplicáveis. O ponto que ampliou a controvérsia foi a percepção do Vasco de que lances decisivos não receberam a resposta esperada da equipe de campo ou da cabine de vídeo.
Admar Lopes, diretor do Vasco, fez críticas públicas duras a Daronco e aos responsáveis pelo VAR. Ele afirmou que os episódios poderiam ter influência importante na definição de um dos finalistas e questionou a atuação da equipe de vídeo, especialmente diante do toque de mão atribuído a Barboza e de uma possível segunda advertência. Pedrinho e Felipe também demonstraram insatisfação com o árbitro na saída das equipes.
D’Alonso, árbitro de Santa Catarina, estava no comando do VAR. A reclamação de Admar concentrou-se justamente na ausência de intervenção em situações que o dirigente considerou capitais. Ainda assim, a existência de uma contestação pública não permite concluir, sem uma análise oficial detalhada das imagens e dos critérios, qual deveria ter sido a decisão final em cada lance.
O afastamento não muda o placar, mas aumenta a pressão
O Palmeiras venceu por 1 a 0 no jogo de ida, disputado no Nubank Parque. Com o resultado, a semifinal segue aberta para a partida de volta, marcada para domingo, 8 de novembro, às 17h, em São Januário. O Vasco terá de buscar a recuperação diante de sua torcida, enquanto o Palmeiras chega ao Rio com a vantagem mínima construída em casa.
Na prática, a decisão da CBF pode ter repercussão além da ausência dos dois árbitros nas escalas próximas. O caso recoloca em debate a confiança dos clubes na arbitragem e no uso do VAR, sobretudo em partidas de alto impacto esportivo. A cabine de vídeo é parte do processo de revisão de lances, mas a discussão pública também depende de transparência sobre as avaliações e de comunicação clara sobre as decisões tomadas.
Para a competição, o afastamento não representa uma revisão automática da partida nem oferece ao Vasco qualquer vantagem no placar. O que muda é o ambiente em torno da volta: além da obrigação de reverter a desvantagem, o clube entra em campo após uma semana de forte contestação. A comissão técnica terá de separar a preparação esportiva da discussão institucional, sem deixar que a polêmica substitua o plano de jogo.
O calendário também exige atenção das equipes que seguem em disputas decisivas. O Palmeiras, por exemplo, está sob observação pelo desgaste de seus titulares em uma sequência importante, tema que pode influenciar escolhas de escalação e gestão física antes de compromissos de mata-mata, como abordamos na análise sobre o desgaste dos titulares do Palmeiras.
Daronco e VAR no centro de um debate que continua
A repercussão do caso não se restringe à discussão sobre um lance específico. Quando uma partida de semifinal termina cercada por reclamações, a arbitragem passa a disputar espaço com o resultado e com a preparação para o jogo seguinte. A atenção se volta tanto para a decisão do árbitro em campo quanto para o papel da equipe de vídeo, sem que isso elimine a necessidade de avaliar cada ocorrência separadamente.
O episódio também mostra como a pressão aumenta quando há pouco espaço para corrigir um resultado. Em torneios eliminatórios, a margem para recuperação costuma depender do confronto seguinte, e a proximidade da volta torna mais intensa a cobrança por explicações. Outros clássicos e jogos de alto risco também colocam os clubes sob tensão, como no cenário de São Paulo x Corinthians no Brasileirão, embora se trate de uma disputa diferente e sem relação direta com a decisão da CBF.
Para o Vasco, o caminho imediato é transformar a indignação em concentração para São Januário. O time perdeu por um gol, portanto segue vivo na disputa, mas precisará buscar um resultado superior ao obtido em São Paulo. Para o Palmeiras, a vantagem não encerra a semifinal: a equipe ainda precisa administrar o confronto fora de casa e impedir que o adversário imponha o ritmo desde o início.
O afastamento de Daronco e D’Alonso é, até aqui, o desdobramento concreto informado pela CBF. Sem prazo de retorno ou detalhamento público de uma decisão disciplinar, não cabe tratar a medida como sentença final sobre os lances. A próxima resposta esportiva virá em campo: em 8 de novembro, o Vasco tentará reverter o 1 a 0, enquanto a arbitragem e o VAR seguirão sob atenção redobrada em uma semifinal que já começou marcada pela controvérsia.


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