Índice do Artigo
- Pontos Principais
- Entenda o plano da Fifa que gerou a reação
- Sindicato critica plano da Fifa e defende diálogo com os jogadores
- Apoio da UEFA e reações anteriores
- O que está em jogo com a venda de ações da Fifa
- Cenário de incertezas e próximos passos
- Perguntas Frequentes
- O que é a FIFA Forward Enterprise (FFE)?
- Por que a FIFPro se opõe ao plano?
- Qual o valor envolvido na venda de ações?
Pontos Principais
- A FIFPro se posicionou contra o plano da Fifa de criar a subsidiária FIFA Forward Enterprise e vender ações a investidores privados.
- O sindicato denuncia que o projeto foi desenvolvido ‘a portas fechadas’, sem consulta aos jogadores e demais partes interessadas.
- A proposta prevê arrecadar US$ 4,2 bilhões com a venda de participação minoritária, prometendo maior distribuição de receitas às federações.
- A UEFA já havia manifestado rejeição ao plano, alertando para os riscos de transformar competições em ativos financeiros.
O sindicato critica plano da Fifa de vender ações de sua nova subsidiária comercial e afirma que o projeto foi conduzido sem qualquer transparência com os atletas. Em nota divulgada nesta quarta-feira, a FIFPro (Federação Internacional dos Sindicatos de Jogadores Profissionais) tornou pública sua oposição à criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), empresa que consolidaria as operações das principais competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo. A entidade que representa os jogadores alerta que a medida pode comprometer a governança do futebol mundial e o bem-estar dos atletas.
A FIFPro Europe, braço regional da organização, declarou que a proposta “remodelaria fundamental e irreversivelmente” os incentivos que sustentam as competições nas quais os jogadores constroem suas carreiras. O sindicato critica plano da Fifa por ter sido elaborado “em grande parte a portas fechadas”, sem envolvimento significativo dos mais afetados – os próprios atletas. “Dentro da Fifa, nem a FIFPro nem os jogadores têm direito a voto. No entanto, eles viverão com as consequências dessas decisões muito depois de a atual direção da Fifa ter deixado o cargo”, diz o comunicado.
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Entenda o plano da Fifa que gerou a reação
O centro da controvérsia é a FIFA Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária na qual a Fifa manteria o controle majoritário. A empresa ficaria responsável por centralizar os direitos comerciais, de transmissão e patrocínio de torneios como a Copa do Mundo masculina e feminina, além de competições de base. Segundo a entidade máxima do futebol, a FFE teria um valor estimado em US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 102,3 bilhões). A proposta prevê a venda do equivalente a US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) em ações – o que garantiria aos investidores privados uma participação minoritária, mas significativa.
Com o montante arrecadado, a Fifa promete aumentar substancialmente os repasses a cada uma das 211 federações filiadas. Atualmente, cada país recebe R$ 41 milhões por ciclo. Segundo o plano, o valor subiria para R$ 102 milhões até a Copa de 2030, R$ 112,5 milhões até 2034 e R$ 123 milhões até 2038. Em nota oficial, a Fifa defende que a injeção de capital privado é necessária para “alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições”
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Sindicato critica plano da Fifa e defende diálogo com os jogadores
A FIFPro não poupou críticas à forma como o projeto foi conduzido. Em sua manifestação, o sindicato critica plano da Fifa por ignorar os mecanismos de diálogo recentemente estabelecidos entre as partes. A entidade lembra que, apesar de não ter direito a voto nas assembleias da Fifa, os jogadores são os principais afetados por decisões que alteram o calendário, a carga de trabalho e as condições das competições.
Para a FIFPro, a proposta levanta “preocupações fundamentais sobre a futura governança do futebol mundial e a integridade do jogo”. O texto alerta que a participação das partes interessadas (stakeholders) na tomada de decisões da Fifa sempre foi limitada, e que agora não deveria ser substituída por interesses financeiros. “A FIFPro Europa não pode – e jamais apoiará – um modelo como esse”, afirma o documento.
A nota também convoca governos, confederações, ligas, clubes e torcedores a se mobilizarem para garantir que o futebol continue sendo um bem público, e não apenas um ativo comercial. A FIFPro se coloca à disposição para trabalhar com todas as instituições comprometidas em proteger os interesses dos jogadores e a integridade do esporte a longo prazo.
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Apoio da UEFA e reações anteriores
A FIFPro não está sozinha na oposição. A UEFA, entidade que comanda o futebol europeu, já havia se manifestado contra o plano da Fifa, classificando-o como algo que “cruza uma linha que não deveria cruzar”. A confederação europeia argumenta que a transformação de competições em ativos de investimento privado pode desvirtuar os princípios esportivos e abrir precedentes perigosos para a governança global.
As federações nacionais também demonstram preocupação, uma vez que o modelo de distribuição prometido pela Fifa pode criar dependência financeira em relação a investidores privados, cujos interesses nem sempre coincidem com o desenvolvimento equilibrado do esporte. A pressão sobre o calendário de jogos, já sobrecarregado, é outro ponto de tensão.
O que está em jogo com a venda de ações da Fifa
A Fifa defende que a criação da FFE e a venda de ações privadas são medidas modernizadoras, capazes de alavancar receitas e garantir recursos para o futebol de base e feminino. No entanto, críticos apontam que a operação representa uma financeirização sem precedentes do esporte mais popular do planeta. Ao transformar a Copa do Mundo em um ativo financeiro, a entidade estaria subordinando decisões esportivas a lógicas de mercado.
Outro ponto sensível é a falta de transparência. A FIFPro denuncia que o acordo com potenciais investidores já estaria perto de ser fechado antes mesmo de uma consulta ampla. Isso levanta dúvidas sobre a real capacidade da Fifa de ouvir as partes interessadas, inclusive as próprias federações que seriam beneficiadas financeiramente.
Para efeito de comparação, veja os valores prometidos pela Fifa em cada ciclo:
| Ciclo | Repasse atual por federação | Repasse proposto (com venda de ações) |
|---|---|---|
| Até 2026 | R$ 41 milhões | — |
| Até 2030 | — | R$ 102 milhões |
| Até 2034 | — | R$ 112,5 milhões |
| Até 2038 | — | R$ 123 milhões |
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Cenário de incertezas e próximos passos
A oposição combinada da FIFPro e da UEFA coloca o plano da Fifa em uma posição delicada. Infantino, presidente da entidade, tem insistido na necessidade de inovação financeira, mas a falta de apoio entre os principais agentes do futebol pode inviabilizar a proposta, ou ao menos atrasá-la. A FIFPro deixa claro que não aceitará um modelo no qual os jogadores sejam tratados como meros coadjuvantes em decisões que afetam suas carreiras.
O episódio expõe as tensões crescentes entre a governança tradicional do futebol e as pressões por receitas cada vez maiores. Enquanto a Fifa busca expandir seu portfólio de competições (como a nova Copa do Mundo de Clubes e o Mundial de 2030), os sindicatos e ligas alertam para o desgaste físico dos atletas e a perda de identidade do esporte.
A situação também levanta questões sobre o papel dos torcedores e da sociedade civil. A FIFPro convoca todos os envolvidos a garantir que o futebol permaneça um “bem público”. Resta saber se a Fifa recuará diante da pressão ou se buscará um meio-termo com mais diálogo.
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A nota completa da FIFPro está disponível em seu site oficial: FIFPro Europe opposes FIFA club World Cup plan.
Perguntas Frequentes
O que é a FIFA Forward Enterprise (FFE)?
A FFE é uma subsidiária proposta pela Fifa para centralizar as operações comerciais de suas principais competições, como a Copa do Mundo. A Fifa deterá o controle majoritário, mas planeja vender ações minoritárias a investidores privados para levantar recursos.
Por que a FIFPro se opõe ao plano?
A FIFPro argumenta que a transformação da Copa do Mundo em um ativo de investimento privado compromete a integridade do esporte, a governança e o bem-estar dos jogadores. O sindicato também critica a falta de transparência no desenvolvimento do projeto, que ocorreu “a portas fechadas”.
Qual o valor envolvido na venda de ações?
A Fifa estima que a FFE vale US$ 20 bilhões. A venda de uma participação minoritária de US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,5 bilhões) seria usada para aumentar os repasses às federações filiadas.

