Jair Ventura demitido: o Vitória encerrou o trabalho do treinador nesta segunda-feira, 2 de novembro, após quatro partidas seguidas sem vencer no Brasileirão 2026 e a derrota por 2 a 0 para o Coritiba. Na 14ª colocação, com 38 pontos, o clube baiano está somente dois pontos acima do Corinthians, que abre a zona de rebaixamento. A saída é a 21ª mudança de comando na Série A nesta temporada.
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Jair Ventura demitido após queda de rendimento do Vitória
A derrota no sábado, fora de casa, aumentou a pressão sobre o treinador e deixou o Vitória em situação delicada na reta final do campeonato. O resultado no Couto Pereira manteve a equipe com 38 pontos e reforçou o risco de aproximação do Z-4: o Corinthians, em 17º lugar, tem apenas dois pontos a menos.
O revés diante do Coritiba não foi um episódio isolado na avaliação que culminou na demissão. O Vitória vinha de quatro rodadas sem vitória e somava apenas dois triunfos nos dez compromissos mais recentes pelo Brasileirão. A sequência pesou, sobretudo porque a margem para o primeiro time dentro da zona de rebaixamento era curta.
O momento do Leão também se conecta à disputa acirrada por posições na parte de baixo da tabela. Em um campeonato no qual poucos pontos podem alterar o cenário de permanência, a situação do clube chama atenção ao lado da reação de equipes que tentam se afastar do perigo, como o Criciúma, que vive uma disputa importante por vaga nos playoffs e pelo G-2, tema analisado na corrida do Criciúma por playoffs.
O que os números de Jair Ventura mostram
Jair chegou ao Vitória em setembro de 2026 com a missão de manter o clube na Série A. O objetivo foi alcançado, e o treinador permaneceu no cargo por pouco mais de um ano. Ao longo de 69 partidas, acumulou 30 vitórias, 12 empates e 27 derrotas, números que correspondem a cerca de 49% de aproveitamento na métrica de pontos conquistados.
Esse percentual ajuda a dimensionar o trabalho, mas não conta sozinho toda a história. O balanço geral inclui fases diferentes, competições distintas e resultados que tiveram pesos variados para o clube. Em 2026, por exemplo, o Vitória conquistou a Copa do Nordeste ao superar o Fortaleza na decisão e terminou como vice-campeão baiano, depois de perder a final para o Bahia.
Esses resultados contrastam com a reta recente do Campeonato Brasileiro. A queda de rendimento na competição nacional reduziu a margem de segurança do Vitória e tornou mais urgente a resposta esportiva. Para a diretoria, a combinação entre sequência sem vitórias, proximidade do Z-4 e calendário avançado transformou a troca de comando em uma decisão imediata.
Há uma diferença importante entre o aproveitamento acumulado e a forma atual de uma equipe. Um treinador pode apresentar um retrospecto positivo em determinado recorte e, ainda assim, enfrentar uma crise quando os resultados recentes ameaçam a permanência na divisão. No caso do Vitória, os 49% em 69 jogos convivem com somente duas vitórias nos dez jogos mais próximos, um contraste que ajuda a explicar por que a avaliação mudou.
A 21ª troca amplia a pressão sobre os clubes da Série A
A saída de Jair representa a 21ª alteração de treinador em equipes da Série A em 2026. O número evidencia a intensidade da rotatividade ao longo da temporada, mas cada demissão tem causas próprias: há casos associados a resultados, eliminações, conflitos públicos ou desempenho abaixo do esperado em diferentes torneios.
Entre as mudanças mencionadas no levantamento estão a saída de Jorge Sampaoli do Atlético-MG, a primeira do Brasileirão neste ano, e as passagens encerradas de Fernando Diniz pelo Vasco, Juan Carlos Osorio pelo Remo, Fábio Matias pela Chapecoense, Renato Gaúcho pelo Vasco e Luis Zubeldía pelo Fluminense. Os episódios ajudam a mostrar que a pressão não se limita a clubes que ocupam a parte inferior da classificação.
Sampaoli deixou o Atlético-MG em fevereiro, depois de um empate por 3 a 3 com o Remo, na terceira rodada. Em 34 partidas à frente do Galo, somou dez vitórias, 16 empates e oito derrotas, com 45% de aproveitamento. O caso ilustra como o início de campeonato pode ser decisivo quando a diretoria entende que o desempenho não corresponde às expectativas.
Fernando Diniz saiu do Vasco em fevereiro, após derrota para o Fluminense na semifinal do Campeonato Carioca. No Brasileirão, a equipe havia disputado três rodadas, com um empate e duas derrotas. Diniz comandou o time por dez meses e deixou o cargo depois de 54 jogos, com 17 vitórias, 15 empates e 22 derrotas, além de 41% de aproveitamento.
No Remo, Juan Carlos Osorio completou 14 partidas, com quatro vitórias, oito empates e duas derrotas. O treinador deixou a equipe em um momento no qual o clube ainda tinha uma amostra curta de jogos no Brasileirão: quatro rodadas, três empates e uma derrota. Já Fábio Matias teve uma passagem bem mais breve pela Chapecoense, encerrada após a derrota para o Cruzeiro pela 17ª rodada. Em dez jogos, foram duas vitórias, um empate e sete derrotas.
Demissões também expõem problemas diferentes
A sequência de trocas não deve ser lida como se todos os clubes estivessem reagindo ao mesmo tipo de crise. No Vasco, a saída de Renato Gaúcho em junho foi associada também ao desgaste provocado por declarações públicas sobre o elenco. Foram 21 partidas, com nove vitórias, cinco empates e sete derrotas, desempenho que chegou a 51% de aproveitamento.
No Fluminense, Luis Zubeldía foi demitido depois de oito jogos sem vitória naquele ano. A sequência incluiu a eliminação para o Vasco nas oitavas de final da Copa do Brasil e antecedeu um empate sem gols com o Independiente Rivadavia, no Maracanã, pela ida das oitavas da Libertadores. Contratado em setembro de 2026, o argentino permaneceu cerca de 11 meses no cargo e registrou 57,9% de aproveitamento.
Os exemplos mostram que as diretorias pesam fatores diferentes antes de interromper um trabalho: posição na tabela, tendência dos resultados, desempenho em mata-matas, relação com o elenco e tempo disponível para uma reação. Uma sequência negativa pode ganhar mais gravidade quando coincide com jogos decisivos ou com risco concreto de rebaixamento; por outro lado, um retrospecto acumulado forte não impede uma demissão se a crise recente se intensificar.
Também há um custo esportivo na troca. O novo treinador precisa compreender o elenco, ajustar prioridades e preparar a equipe sem dispor necessariamente de uma pré-temporada. Na reta final, a adaptação tende a acontecer com pouco espaço para experimentos: cada partida pode ter impacto direto sobre a permanência na Série A. Isso não significa que manter o técnico seja sempre a melhor escolha, mas evidencia o risco de mudanças sucessivas sem um plano claro.
O desafio imediato do Vitória é escapar do Z-4
Com Jair fora do comando, a urgência do Vitória não está apenas em escolher um substituto, mas em recuperar resultados antes que a distância para a zona de rebaixamento desapareça. A equipe está em 14º lugar, mas a diferença de dois pontos para o Corinthians exige atenção imediata. O próximo trabalho terá de responder a uma pressão objetiva de tabela, além de reorganizar a confiança de um grupo que atravessou uma sequência de quatro jogos sem vencer.
A diretoria também terá de separar o que funcionou durante o ciclo de Jair do que precisa mudar no curto prazo. A conquista da Copa do Nordeste e a permanência na elite na temporada anterior são parte do balanço, assim como o vice estadual e a queda de produção recente no Brasileirão. Uma análise equilibrada evita que a decisão seja reduzida a um único placar, sem ignorar que a situação atual demanda reação.
O debate sobre pressão, calendário e continuidade aparece em outros clubes da Série A, embora com contextos distintos. No Palmeiras, por exemplo, a discussão passa pela tentativa de seguir competitivo em diferentes torneios mesmo diante de uma agenda apertada, cenário abordado na estratégia de Abel contra o calendário. No Vitória, a prioridade é mais direta: somar pontos para não transformar a proximidade do Z-4 em uma ameaça ainda maior.
A demissão de Jair Ventura confirma a 21ª troca de treinador na Série A em 2026 e deixa o Vitória diante de uma decisão de alto risco em momento decisivo. O retrospecto de 49% e os títulos do ciclo não apagam a sequência recente sem vitórias; da mesma forma, os resultados ruins não anulam o que foi construído desde setembro de 2026. Para o clube, a medida mais urgente agora é definir um comando capaz de estabilizar a equipe e converter a pequena vantagem sobre o Z-4 em pontos concretos.

